Monday, March 27, 2006
O serviço de Jesus
O SERVIÇO DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Jesus foi bem explícito ao proclamar: “Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo”.(Jo 12,26). Isto significa caminhar na luz, louvando sempre o Senhor. Trata-se de trabalhar prazerosa e persistentemente para difundir o Evangelho que salva e redime, fazendo em tudo a vontade divina. Colocar-se a serviço da Palavra é estar a serviço do Senhor Jesus, porque Ele é a Palavra de Deus. É deste modo que se está também à disposição do próximo para lhe dar sempre o pábulo espiritual e material. Tal foi a ação contínua do Redentor nesta terra. É missão do batizado anunciar por toda parte a Boa Nova para que o Reino de Deus esteja instaurado em todos os lugares. Apenas assim a vida humana ganha seu verdadeiro sentido, não obstante as agruras de um exílio. Cumpre então a fidelidade a Jesus, corajosamente O seguindo. É deste modo que se obtém a conversão pessoal e daqueles que se afastam da salvação. O anúncio desta salvação não é um aspecto acidental da vida cristã, é algo essencial, que precisa impregnar todas as ações. É uma maneira de ser no mundo e na Igreja. Aos irmãos anestesiados pela poluição das informações mais desencontradas, lançadas pelos meios de comunicação social, o coração e o espírito fechados às mensagens divinas, cumpre, de fato, este serviço de lhes abrir a consciência para receber as luzes do Alto, acolhendo as inspirações do Espírito de Jesus. Num contexto social hedonista, materialista, no qual impera o egoísmo é mister repetir com Pedro e João: “Nós não podemos ficar calados” (At 4,20). Servir Jesus é proclamar seus ensinamentos, sua doutrina, Sua Pessoa que é a Verdade por excelência. Ele, porém, não é um modelo exterior, engessado que simplesmente se repete a cada hora. Não! Ele é um ser vivo, dinâmico, atual, presente que oferece, através de seus seguidores fiéis, uma resposta às grandes questões, as quais surgem a cada momento histórico. Está Ele atento a toda necessidade individual, sobretudo daqueles que estão angustiados, desarvorados, perdidos nos caminhos do erro. É esta precisamente a enorme diferença entre Jesus e os demais fundadores de religiões ou dos formadores de opinião na mídia, os quais se acham presos às suas limitações humanas ou a serviço das multinacionais do crime. Cristo, por ser o Verbo Eterno de Deus, é o grande Profeta que tem solução para todos os problemas humanos. A estratégia de Deus, entretanto, é se comunicar por meio daqueles que, unidos ao Salvador, mostram as delicadezas de seu amor supremo. Como outrora a Isaías, Jesus diz a cada batizado: “Eis que coloco minha palavra em tua boca” (Is 51,16). Cumpre, então, proclamá-la com fervor, denunciando os vícios, condenando tudo que afronta os Mandamentos sagrados. O serviço do Evangelho hoje, felizmente, empolga a tantos cristãos que procuram se instruir, se tornarem competentes no trabalho assíduo da evangelização, superando toda e qualquer inércia. É deste modo que Jesus continua, através dos tempos, a falar, a pregar, a salvar, afastando a opacidade dos deslizes insuflados pelo Maligno. A fé leva à audácia do falar, fazendo transparecer Cristo num mundo trevoso, seduzido pelas forças deletérias que infelicitam. São inúmeros os que estão a repetir o apelo feito a Filipe: “Senhor, queremos ver Jesus” (Jo 12,21). Que missão grandiosa conferida a cada batizado: ser profeta, levar outros até as fontes da felicidade. Para isto é preciso, de fato, viver intensamente a Palavra de Deus celebrada na Liturgia, assimilada na oração constante. O mundo precisa do serviço de denodados apóstolos que não se deixam dominar pela mediocridade de uma vida mundana. Há necessidade de evangelizadores transparentes que reflitam, seja onde estiverem, a beleza dos ensinamentos evangélicos, porque não se compactuam com os desvios que se multiplicam a cada dia. O cristão verdadeiro não pode ser um servo inútil entregue a um conformismo condenável por lhe faltar confiança na graça que não é negada a quem a suplica para trabalhar para glória de Deus e bem das almas. Cumpre se lembrem as palavras de Monier: “O apostolado, não consiste em expor grandes idéias, mas em dar aos homens gosto por Cristo, por Deus e por eles mesmos”. . Na alegria ou no sofrimento, na privação ou na opulência ser testemunha de Cristo! É que, quando atrás das palavras, se esconde o exemplo, as palavras se tornam irresistíveis! É belo ser apóstolo a serviço do Evangelho! * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Jesus foi bem explícito ao proclamar: “Se alguém me quer servir, siga-me, e onde eu estou estará também o meu servo”.(Jo 12,26). Isto significa caminhar na luz, louvando sempre o Senhor. Trata-se de trabalhar prazerosa e persistentemente para difundir o Evangelho que salva e redime, fazendo em tudo a vontade divina. Colocar-se a serviço da Palavra é estar a serviço do Senhor Jesus, porque Ele é a Palavra de Deus. É deste modo que se está também à disposição do próximo para lhe dar sempre o pábulo espiritual e material. Tal foi a ação contínua do Redentor nesta terra. É missão do batizado anunciar por toda parte a Boa Nova para que o Reino de Deus esteja instaurado em todos os lugares. Apenas assim a vida humana ganha seu verdadeiro sentido, não obstante as agruras de um exílio. Cumpre então a fidelidade a Jesus, corajosamente O seguindo. É deste modo que se obtém a conversão pessoal e daqueles que se afastam da salvação. O anúncio desta salvação não é um aspecto acidental da vida cristã, é algo essencial, que precisa impregnar todas as ações. É uma maneira de ser no mundo e na Igreja. Aos irmãos anestesiados pela poluição das informações mais desencontradas, lançadas pelos meios de comunicação social, o coração e o espírito fechados às mensagens divinas, cumpre, de fato, este serviço de lhes abrir a consciência para receber as luzes do Alto, acolhendo as inspirações do Espírito de Jesus. Num contexto social hedonista, materialista, no qual impera o egoísmo é mister repetir com Pedro e João: “Nós não podemos ficar calados” (At 4,20). Servir Jesus é proclamar seus ensinamentos, sua doutrina, Sua Pessoa que é a Verdade por excelência. Ele, porém, não é um modelo exterior, engessado que simplesmente se repete a cada hora. Não! Ele é um ser vivo, dinâmico, atual, presente que oferece, através de seus seguidores fiéis, uma resposta às grandes questões, as quais surgem a cada momento histórico. Está Ele atento a toda necessidade individual, sobretudo daqueles que estão angustiados, desarvorados, perdidos nos caminhos do erro. É esta precisamente a enorme diferença entre Jesus e os demais fundadores de religiões ou dos formadores de opinião na mídia, os quais se acham presos às suas limitações humanas ou a serviço das multinacionais do crime. Cristo, por ser o Verbo Eterno de Deus, é o grande Profeta que tem solução para todos os problemas humanos. A estratégia de Deus, entretanto, é se comunicar por meio daqueles que, unidos ao Salvador, mostram as delicadezas de seu amor supremo. Como outrora a Isaías, Jesus diz a cada batizado: “Eis que coloco minha palavra em tua boca” (Is 51,16). Cumpre, então, proclamá-la com fervor, denunciando os vícios, condenando tudo que afronta os Mandamentos sagrados. O serviço do Evangelho hoje, felizmente, empolga a tantos cristãos que procuram se instruir, se tornarem competentes no trabalho assíduo da evangelização, superando toda e qualquer inércia. É deste modo que Jesus continua, através dos tempos, a falar, a pregar, a salvar, afastando a opacidade dos deslizes insuflados pelo Maligno. A fé leva à audácia do falar, fazendo transparecer Cristo num mundo trevoso, seduzido pelas forças deletérias que infelicitam. São inúmeros os que estão a repetir o apelo feito a Filipe: “Senhor, queremos ver Jesus” (Jo 12,21). Que missão grandiosa conferida a cada batizado: ser profeta, levar outros até as fontes da felicidade. Para isto é preciso, de fato, viver intensamente a Palavra de Deus celebrada na Liturgia, assimilada na oração constante. O mundo precisa do serviço de denodados apóstolos que não se deixam dominar pela mediocridade de uma vida mundana. Há necessidade de evangelizadores transparentes que reflitam, seja onde estiverem, a beleza dos ensinamentos evangélicos, porque não se compactuam com os desvios que se multiplicam a cada dia. O cristão verdadeiro não pode ser um servo inútil entregue a um conformismo condenável por lhe faltar confiança na graça que não é negada a quem a suplica para trabalhar para glória de Deus e bem das almas. Cumpre se lembrem as palavras de Monier: “O apostolado, não consiste em expor grandes idéias, mas em dar aos homens gosto por Cristo, por Deus e por eles mesmos”. . Na alegria ou no sofrimento, na privação ou na opulência ser testemunha de Cristo! É que, quando atrás das palavras, se esconde o exemplo, as palavras se tornam irresistíveis! É belo ser apóstolo a serviço do Evangelho! * Professor no Seminário de Mariana - MG
Sunday, March 26, 2006
dANÇA MACABRA
DANÇA MACABRA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dança macabra é um poema sinfônico de Saint-Saens inspirado numa composição de Henrique Cazalis. Esta composição musical tem dois temas: um representando a dança da morte, o outro simbolizando a Noite e a Solidão do cemitério. Esses temas desenvolvem-se até o cantar do galo, dado em imitação do oboé, marcando o sinal para terminar a dança macabra. O poema termina ao raiar do dia. A lembrança desta peça musical vem à baila diante do fato ocorrido em plena Câmara dos Deputados. Com efeito, como já foi comentado na Imprensa de todo o país uma deputada, portanto, representante do povo brasileiro, achincalhou a população dançando após a impunidade de um seu colega também envolvido no escândalo do mensalão. Segundo Marcos Augusto Gonçalves, notável jornalista, foi “a expressão corporal da decadência”. Neste ponto vale a recordação da música do citado francês. Foi a dança da morte do renome do Congresso Nacional que já estava tão abalado diante da opinião pública desta nação. Pairam as trevas noturnas sobre um dos fundamentos institucionais da República democrática. Entretanto, outubro vem aí e o cantar sonoro da ave galinácea, de crista carnuda e asas curtas e largas, pode bem simbolizar o ressuscitar da classe política. Isto, porém, se os eleitores souberam escolher pessoas que não tripudiem faltando à decência que se requer de um bom Político. Que o décimo mês deste ano de 2006 marque uma aurora de novos tempos com a mudança no Parlamento deste país, renovando-se o mandato apenas daqueles que realmente pugnam contra a corrupção e todo tipo de suborno. A deputada paulista foi irônica ao excesso. A ironia é uma forma de extravasamento de um sentimento doentio de triunfo espúrio. Nem os grandes esgrimistas da palavra e dos gestos manejam com argúcia a zombaria, pois esta fere o mais íntimo dos corações. É ácido que corrói de tal sorte os seres sobre os quais cai os converte em esqueletos lavados e escovados. O sarcasmo faz chorar e pode esmigalhar os pés de quem o profere. É símbolo da jactância, da presunção. Pariram os montes, mas só nasceu um ridículo rato, pois a beleza do ritmo de uma dança foi maculado, dado que o nobre salão dos membros do Legislativo foi confundido com uma sala de bailarinos. Foi como se alguém jogasse futebol dentro do recinto sagrado de uma Igreja. Faltou à parlamentar senso de humor e muita sensatez. A mordacidade é como uma flecha que fere e mata. Segundo Jean de la Bruyère, “o deboche é sempre indigência do espírito e ainda que se peça desculpa do mesmo ele deixa uma cicatriz impagável”. De acordo com Tennyson ele “é a fumaça dos espíritos pequenos e tacanhos”. No dizer de Michelet a ironia mordaz indica que a pessoa ainda está na Idade da Pedra. A deputada da dança macabra deveria com urgência reler “Os Lusíadas” (X,58) onde Camões assim se expressou com rara sabedoria: “Quem faz injúria vil e sem razão / Com forças e poder em que está posto, / Não vence; que a vitória verdadeira / É saber ter justiça nua e inteira”. Seja como for como disse Chesterfield: “Uma injustiça se esquece muito mais depressa que um insulto” e a opinião pública desta nação foi injuriada. O ultraje se manifesta por meio de palavras, gestos ou atitudes, mas é sempre manifestação anti-social, que demonstra incapacidade de autodomínio e falta de boa formação ética. Cabe aos Deputados darem bom exemplo e a falta de educação moral de algum deles é sempre grave. É preciso formar nos cidadãos hábitos, atitudes e comportamentos impregnados de sentimento da dignidade da pessoa humana e compreensão da influência que cada ser racional exerce no meio social. Cumpre, então, incentivar o senso de responsabilidade e a capacidade de escolha consciente, de modo a levar o indivíduo a um esforço para aprimorar suas qualidades e vencer seus defeitos por meio da luta pela conquista de ideais que enobrecem. Os deputados quando bem escolhidos pelos eleitores são os parta-vozes do povo, oferecendo soluções para o bem comum. Do desempenho consciencioso, honesto e esclarecido de seu mandato dependem a ordem, a paz e o progresso país. O que se viu, contudo, na Câmara dos Deputados foi um fato degradante e de luto deve estar a classe política brasileira, mas ao povo cabe a luta para reabilitar o Parlamento desta nobre e digna nação. O voto é a arma de cada um para restabelecer o decoro no Congresso Nacional. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dança macabra é um poema sinfônico de Saint-Saens inspirado numa composição de Henrique Cazalis. Esta composição musical tem dois temas: um representando a dança da morte, o outro simbolizando a Noite e a Solidão do cemitério. Esses temas desenvolvem-se até o cantar do galo, dado em imitação do oboé, marcando o sinal para terminar a dança macabra. O poema termina ao raiar do dia. A lembrança desta peça musical vem à baila diante do fato ocorrido em plena Câmara dos Deputados. Com efeito, como já foi comentado na Imprensa de todo o país uma deputada, portanto, representante do povo brasileiro, achincalhou a população dançando após a impunidade de um seu colega também envolvido no escândalo do mensalão. Segundo Marcos Augusto Gonçalves, notável jornalista, foi “a expressão corporal da decadência”. Neste ponto vale a recordação da música do citado francês. Foi a dança da morte do renome do Congresso Nacional que já estava tão abalado diante da opinião pública desta nação. Pairam as trevas noturnas sobre um dos fundamentos institucionais da República democrática. Entretanto, outubro vem aí e o cantar sonoro da ave galinácea, de crista carnuda e asas curtas e largas, pode bem simbolizar o ressuscitar da classe política. Isto, porém, se os eleitores souberam escolher pessoas que não tripudiem faltando à decência que se requer de um bom Político. Que o décimo mês deste ano de 2006 marque uma aurora de novos tempos com a mudança no Parlamento deste país, renovando-se o mandato apenas daqueles que realmente pugnam contra a corrupção e todo tipo de suborno. A deputada paulista foi irônica ao excesso. A ironia é uma forma de extravasamento de um sentimento doentio de triunfo espúrio. Nem os grandes esgrimistas da palavra e dos gestos manejam com argúcia a zombaria, pois esta fere o mais íntimo dos corações. É ácido que corrói de tal sorte os seres sobre os quais cai os converte em esqueletos lavados e escovados. O sarcasmo faz chorar e pode esmigalhar os pés de quem o profere. É símbolo da jactância, da presunção. Pariram os montes, mas só nasceu um ridículo rato, pois a beleza do ritmo de uma dança foi maculado, dado que o nobre salão dos membros do Legislativo foi confundido com uma sala de bailarinos. Foi como se alguém jogasse futebol dentro do recinto sagrado de uma Igreja. Faltou à parlamentar senso de humor e muita sensatez. A mordacidade é como uma flecha que fere e mata. Segundo Jean de la Bruyère, “o deboche é sempre indigência do espírito e ainda que se peça desculpa do mesmo ele deixa uma cicatriz impagável”. De acordo com Tennyson ele “é a fumaça dos espíritos pequenos e tacanhos”. No dizer de Michelet a ironia mordaz indica que a pessoa ainda está na Idade da Pedra. A deputada da dança macabra deveria com urgência reler “Os Lusíadas” (X,58) onde Camões assim se expressou com rara sabedoria: “Quem faz injúria vil e sem razão / Com forças e poder em que está posto, / Não vence; que a vitória verdadeira / É saber ter justiça nua e inteira”. Seja como for como disse Chesterfield: “Uma injustiça se esquece muito mais depressa que um insulto” e a opinião pública desta nação foi injuriada. O ultraje se manifesta por meio de palavras, gestos ou atitudes, mas é sempre manifestação anti-social, que demonstra incapacidade de autodomínio e falta de boa formação ética. Cabe aos Deputados darem bom exemplo e a falta de educação moral de algum deles é sempre grave. É preciso formar nos cidadãos hábitos, atitudes e comportamentos impregnados de sentimento da dignidade da pessoa humana e compreensão da influência que cada ser racional exerce no meio social. Cumpre, então, incentivar o senso de responsabilidade e a capacidade de escolha consciente, de modo a levar o indivíduo a um esforço para aprimorar suas qualidades e vencer seus defeitos por meio da luta pela conquista de ideais que enobrecem. Os deputados quando bem escolhidos pelos eleitores são os parta-vozes do povo, oferecendo soluções para o bem comum. Do desempenho consciencioso, honesto e esclarecido de seu mandato dependem a ordem, a paz e o progresso país. O que se viu, contudo, na Câmara dos Deputados foi um fato degradante e de luto deve estar a classe política brasileira, mas ao povo cabe a luta para reabilitar o Parlamento desta nobre e digna nação. O voto é a arma de cada um para restabelecer o decoro no Congresso Nacional. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Saturday, March 25, 2006
Divagações políticas
DIVAGAÇÕES POLÍTICAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Apesar dos pesares, mesmo os que não se simpatizam com o atual Presidente da República reconhecem que o ex-líder sindical é inteligente, tem um peculiar charme pessoal e sabe conservar sua popularidade. A própria blindagem de sua figura, não obstante toda crise política,é fruto exatamente deste tripé. Com efeito, ele se fez inatacável: nunca viu nada, nunca soube de nada, nunca se envolveu com nada. Embora seja muitas vezes repetitivo é um improvisador genial, pois fala de tudo e em qualquer circunstância como se fora o maior expert, qual outro Pico della Mirandola do século XXI Na argúcia política deixa longe os mais ferrenhos adversários e a oposição fala, esbraveja, mas não prova nem comprova algo que atinja a honra pessoal deste enigmático torneiro mecânico cujo gênio e engenho político não se pode negar. Entrará para a História como o primeiro presidente realmente popular que fascinou as multidões e sempre retrucou com irônicas palavras seus desafetos políticos. Sua escola foi a pobreza e sua maior façanha foi fundar um Partido Político que chegou ao poder, se meteu nas maiores encrencas, mas não levou de roldão o Chefe maior, cuja missão há de ser redimir um filho que foi degenerado por maus companheiros, mas que poderá se erguer das cinzas como um cisne glorioso. Para muitos ele se tornou o “Walesa da América Latina”, e, por isto mesmo, tem causado tanto impacto mundo todo. Não apenas por suas corajosas viagens e seus pronunciamentos contundentes, mas sobretudo pela sua figura singular. Este articulista tem ficado impressionado, pois nas suas idas a várias partes da Europa, nos meses de julho, antes, ao se identificar como brasileiro, logo os circunstantes lembravam o Cristo Redentor, ou o Carnaval, ou Pelé e, em rodas mais cultas, D. Helder Câmara, Tarcísio Padilha, Dom Luciano. Nos últimos anos, porém, logo vem a pergunta: “Como vai o Brasil de Lula”?! A grande responsabilidade, porém, deste novo chefe popular é a esperança que despertou e que ainda não se esvaiu de todo, não obstante a situação social no Brasil não tenha atingido os patamares que foram prometidos. Persistem as desigualdades sociais e o assistencialismo de certo modo macula a ação presidencial. O método e o estilo lulista, porém, vão levando de roldão os acontecimentos e ele mais parece um trator nas ínvias estradas da política nacional. Com sua experiência sindical, quando começa a falar não para e, como poucos, sabe controlar as situações mais embaraçosas. Personagens que pareciam invioláveis caíram, mas ele continua de pé e ainda sustenta o quase insustentável ministro oriundo da “República de Ribeirão Preto”, ao qual tem prestado reverências as mais entusiásticas possíveis. É um mestre, não há dúvida, do diálogo social e estabilizou a trancos e barrancos a economia brasileiras, mesmo deixando mais pobre a maioria da população. O choque de credibilidade na economia, não está à altura da confiabilidade política que despertou, isto devido aos imbróglios que a cada passo envolvem pessoas ligadas diretamente ao Planalto, muitas justamente afastadas devido as turbulências que causaram as CPIs. Para acarretar um impacto mais favorável e imprimir no imaginário popular uma imagem simpática, Lula prefere se comparar a JK, não obstante os contextos serem outros e a dinâmica pessoal também ser completamente diferente. Estes dias, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal William Joseph Levada, desejava que os políticos católicos levassem a sério a sua fé. Pois bem, o Presidente da República tem se mostrado muitas vezes supersticioso. É só ver, por exemplo, no Google “Lula e urucubaca” que se encontram inúmeras referências a este tema. Por tudo isto, controvertida é a postura do atual Chefe da Nação que, no entanto, está sempre na crista da onda e tem chances de ser reeleito, ainda que muitos que sufragaram o seu nome nas última eleições, decepcionados, não venham a repetir este voto. * Professor no Seminário de Mariana.- MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Apesar dos pesares, mesmo os que não se simpatizam com o atual Presidente da República reconhecem que o ex-líder sindical é inteligente, tem um peculiar charme pessoal e sabe conservar sua popularidade. A própria blindagem de sua figura, não obstante toda crise política,é fruto exatamente deste tripé. Com efeito, ele se fez inatacável: nunca viu nada, nunca soube de nada, nunca se envolveu com nada. Embora seja muitas vezes repetitivo é um improvisador genial, pois fala de tudo e em qualquer circunstância como se fora o maior expert, qual outro Pico della Mirandola do século XXI Na argúcia política deixa longe os mais ferrenhos adversários e a oposição fala, esbraveja, mas não prova nem comprova algo que atinja a honra pessoal deste enigmático torneiro mecânico cujo gênio e engenho político não se pode negar. Entrará para a História como o primeiro presidente realmente popular que fascinou as multidões e sempre retrucou com irônicas palavras seus desafetos políticos. Sua escola foi a pobreza e sua maior façanha foi fundar um Partido Político que chegou ao poder, se meteu nas maiores encrencas, mas não levou de roldão o Chefe maior, cuja missão há de ser redimir um filho que foi degenerado por maus companheiros, mas que poderá se erguer das cinzas como um cisne glorioso. Para muitos ele se tornou o “Walesa da América Latina”, e, por isto mesmo, tem causado tanto impacto mundo todo. Não apenas por suas corajosas viagens e seus pronunciamentos contundentes, mas sobretudo pela sua figura singular. Este articulista tem ficado impressionado, pois nas suas idas a várias partes da Europa, nos meses de julho, antes, ao se identificar como brasileiro, logo os circunstantes lembravam o Cristo Redentor, ou o Carnaval, ou Pelé e, em rodas mais cultas, D. Helder Câmara, Tarcísio Padilha, Dom Luciano. Nos últimos anos, porém, logo vem a pergunta: “Como vai o Brasil de Lula”?! A grande responsabilidade, porém, deste novo chefe popular é a esperança que despertou e que ainda não se esvaiu de todo, não obstante a situação social no Brasil não tenha atingido os patamares que foram prometidos. Persistem as desigualdades sociais e o assistencialismo de certo modo macula a ação presidencial. O método e o estilo lulista, porém, vão levando de roldão os acontecimentos e ele mais parece um trator nas ínvias estradas da política nacional. Com sua experiência sindical, quando começa a falar não para e, como poucos, sabe controlar as situações mais embaraçosas. Personagens que pareciam invioláveis caíram, mas ele continua de pé e ainda sustenta o quase insustentável ministro oriundo da “República de Ribeirão Preto”, ao qual tem prestado reverências as mais entusiásticas possíveis. É um mestre, não há dúvida, do diálogo social e estabilizou a trancos e barrancos a economia brasileiras, mesmo deixando mais pobre a maioria da população. O choque de credibilidade na economia, não está à altura da confiabilidade política que despertou, isto devido aos imbróglios que a cada passo envolvem pessoas ligadas diretamente ao Planalto, muitas justamente afastadas devido as turbulências que causaram as CPIs. Para acarretar um impacto mais favorável e imprimir no imaginário popular uma imagem simpática, Lula prefere se comparar a JK, não obstante os contextos serem outros e a dinâmica pessoal também ser completamente diferente. Estes dias, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal William Joseph Levada, desejava que os políticos católicos levassem a sério a sua fé. Pois bem, o Presidente da República tem se mostrado muitas vezes supersticioso. É só ver, por exemplo, no Google “Lula e urucubaca” que se encontram inúmeras referências a este tema. Por tudo isto, controvertida é a postura do atual Chefe da Nação que, no entanto, está sempre na crista da onda e tem chances de ser reeleito, ainda que muitos que sufragaram o seu nome nas última eleições, decepcionados, não venham a repetir este voto. * Professor no Seminário de Mariana.- MG
Thursday, March 23, 2006
A Igreja e o ateísmo contemporâneo
A IGREJA E O ATEÍSMO CONTEMPORÂNEO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A Igreja inquieta-se com o ateísmo contemporâneo. Paulo VI, nos primeiros anos da segunda metade do século passado, estabelecendo em abril de 1965 o Secretariado para os não-crentes, realizava concretamente uma das metas que ele mesmo tinha assinado em sua encíclica-programa, de 6 de agosto de 1964, “Ecclesiam suam”: estimular o diálogo não somente entre todos os cristãos e crentes de todas as religiões, mas também entre todos os homens indiferentes, ateus e não-crentes. Ele deu impulso a este Secretariado e conscientizou o orbe cristão de que o ateismo é uma preocupação pastoral. O papa impulsionou a instituição de Secretariados nacionais. Tratava-se de conhecer através da vida, das produções nacionais, dos atos políticos, todas as formas segundo as quais maturam as convicções dos não-crentes. No dia 29 de março de 1967, ao comunicar aos bispos do mundo inteiro o programa dos cinco itens propostos ao Sínodo, formulava o papa, em primeiro lugar, este: aspecto: “os perigos encontrados pela Fé e as diversas formas do ateísmo”. A Igreja está, portanto, ciente da gravidade do problema. A visualização do mundo do ateísmo por parte dela no-la apresenta o documento conciliar “Gaudium et Spes”, que nos ensina ser o ateísmo no mundo moderno um sintoma hoje gravíssimo que deve ser submetido a exame diligente, pois são multidões, cada vez mais numerosas, que litigam contra a religião. Foi o mesmo papa Paulo VI que, em alocução de 29 de junho de 1963, se referia a isto, patenteando que, ao vislumbrar a humanidade, contempla-se o ateísmo perturbando o ordenamento das coisas no que tange à cultura da mente, aos costumes e à vida social, de maneira que a reta noção da ordem é deixada de lado. Quanto mais se torna clara a luminosidade que jorra das ciências das coisas, obscurece-se, infelizmente, a ciência de Deus. A tristeza, a solidão e o desespero vão deixando seqüelas. Tudo isto, no dizer do papa, caracterizava lassidão e senectude reinante no século XX. Era a ausência da fé na vida e no que a esta é um suporte, a saber: a certeza da existência de um Deus justo e bom. As causas do ateísmo são apontadas: incúria religiosa, errônea concepção de Deus; o materialismo, as mazelas hodiernas; a reação contra as religiões e, sobretudo, a cristã; a exaltação exagerada da técnica que incentiva o ateísmo. Entre as modalidades de ateísmo o Concílio na “Gaudium et Spes” aponta o agnosticismo; o humanismo; o relativismo; o ateísmo sistemático, que faz o homem único artífice de sua própria história. A posição da Igreja é claramente afirmada neste documento: rejeita firmemente o ateísmo. Doutrina que o acatamento de Deus não se opõe à dignidade do homem. Confia no seu anúncio salvífico, iluminador de uma sã escatologia e que não diminui a valorização das atividades profissionais. Concita aos ateus a se interessarem para reedificar o mundo e, por isto, a eles chama para um debate. Deplora a discriminação entre os crentes e não-crentes que alguns governantes introduzem injustamente. Prega a liberdade religiosa. Os remédios indicados são: mais clara exposição do ensinamento de Cristo, a fé ativa, a caridade fraterna. Julga que é irreconciliável o reconhecimento de Deus com a idéia do homem autônomo, fim para si, único construtor de sua história, o que é favorecido pela ambição de poder que a tecnologia confere ao homem. O Papa João Paulo II em seus numerosos escritos e pregações e, agora, o Papa Bento XVI orientam a humanidade sobre a importância da crença em Deus, Criador de tudo, que merece sempre toda honra e toda glória. Longe dele, só desgraças e desventuras, recordam tais sábios Pontífice! * Professor no Seminário de Mariana – MG- http://www.blogger.com/home
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A Igreja inquieta-se com o ateísmo contemporâneo. Paulo VI, nos primeiros anos da segunda metade do século passado, estabelecendo em abril de 1965 o Secretariado para os não-crentes, realizava concretamente uma das metas que ele mesmo tinha assinado em sua encíclica-programa, de 6 de agosto de 1964, “Ecclesiam suam”: estimular o diálogo não somente entre todos os cristãos e crentes de todas as religiões, mas também entre todos os homens indiferentes, ateus e não-crentes. Ele deu impulso a este Secretariado e conscientizou o orbe cristão de que o ateismo é uma preocupação pastoral. O papa impulsionou a instituição de Secretariados nacionais. Tratava-se de conhecer através da vida, das produções nacionais, dos atos políticos, todas as formas segundo as quais maturam as convicções dos não-crentes. No dia 29 de março de 1967, ao comunicar aos bispos do mundo inteiro o programa dos cinco itens propostos ao Sínodo, formulava o papa, em primeiro lugar, este: aspecto: “os perigos encontrados pela Fé e as diversas formas do ateísmo”. A Igreja está, portanto, ciente da gravidade do problema. A visualização do mundo do ateísmo por parte dela no-la apresenta o documento conciliar “Gaudium et Spes”, que nos ensina ser o ateísmo no mundo moderno um sintoma hoje gravíssimo que deve ser submetido a exame diligente, pois são multidões, cada vez mais numerosas, que litigam contra a religião. Foi o mesmo papa Paulo VI que, em alocução de 29 de junho de 1963, se referia a isto, patenteando que, ao vislumbrar a humanidade, contempla-se o ateísmo perturbando o ordenamento das coisas no que tange à cultura da mente, aos costumes e à vida social, de maneira que a reta noção da ordem é deixada de lado. Quanto mais se torna clara a luminosidade que jorra das ciências das coisas, obscurece-se, infelizmente, a ciência de Deus. A tristeza, a solidão e o desespero vão deixando seqüelas. Tudo isto, no dizer do papa, caracterizava lassidão e senectude reinante no século XX. Era a ausência da fé na vida e no que a esta é um suporte, a saber: a certeza da existência de um Deus justo e bom. As causas do ateísmo são apontadas: incúria religiosa, errônea concepção de Deus; o materialismo, as mazelas hodiernas; a reação contra as religiões e, sobretudo, a cristã; a exaltação exagerada da técnica que incentiva o ateísmo. Entre as modalidades de ateísmo o Concílio na “Gaudium et Spes” aponta o agnosticismo; o humanismo; o relativismo; o ateísmo sistemático, que faz o homem único artífice de sua própria história. A posição da Igreja é claramente afirmada neste documento: rejeita firmemente o ateísmo. Doutrina que o acatamento de Deus não se opõe à dignidade do homem. Confia no seu anúncio salvífico, iluminador de uma sã escatologia e que não diminui a valorização das atividades profissionais. Concita aos ateus a se interessarem para reedificar o mundo e, por isto, a eles chama para um debate. Deplora a discriminação entre os crentes e não-crentes que alguns governantes introduzem injustamente. Prega a liberdade religiosa. Os remédios indicados são: mais clara exposição do ensinamento de Cristo, a fé ativa, a caridade fraterna. Julga que é irreconciliável o reconhecimento de Deus com a idéia do homem autônomo, fim para si, único construtor de sua história, o que é favorecido pela ambição de poder que a tecnologia confere ao homem. O Papa João Paulo II em seus numerosos escritos e pregações e, agora, o Papa Bento XVI orientam a humanidade sobre a importância da crença em Deus, Criador de tudo, que merece sempre toda honra e toda glória. Longe dele, só desgraças e desventuras, recordam tais sábios Pontífice! * Professor no Seminário de Mariana – MG- http://www.blogger.com/home
Wednesday, March 22, 2006
CONCEPÇÕES ANTITEÍSTAS
CONCEPÇÕES CIENTÍFICAS ANTITEÍSTAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Conflito entre Ciência e Religião é o que apresenta uma série de manuais anti-religiosos divulgados por toda a parte. Para os descrentes a astronomia veio ostentar que a terra é um corpo minúsculo, perdido no macrocosmo. Eles não entendem como Cristo, chamado Filho de Deus, poderia se interessar pelos insignificantes animais evoluídos, que se dizem racionais, e vir exatamente se encarnar neste minúsculo planeta na imensidão do espaço, para redimir criaturas tão pequeninas. Assim, Deus é uma imaginação pretensiosa do homem, fruto das crenças religiosas, as quais raiam como ridículas ante as conquistas científicas. O que tais autores desconhecem é o início da Bíblia, pois lá está claro que o homem, ser diminuto ante a grandeza do cosmos e perante a majestade divina, foi, porém, feito “à imagem e semelhança de Deus”. É um “microcosmo”, um pequeno mundo, que pela sua alma vale mais que milhões de corpos siderais. Embora participando das vicissitudes de tudo que é material, pode alçar vôos potentes ao Infinito. Tem uma dignidade que ultrapassa toda a amplitude do mundo visível. Quanto às asseverações de que este universo está em expansão, a matéria não se reparte de uma maneira igual em todas as direções, as galáxias não se formam simultaneamente e têm seu modo de formação contínua, como o das estrelas, sobre serem tais assertivas meras teorias e, portanto, suscetíveis de futuras revisões, há uma passagem bíblica que esclarece tudo, em qualquer hipótese: “Os céus narram as maravilhas de Deus”. Além destes enfoques astronômicos, outro campo muito explorado pelos ateus é o da biologia. A teoria de Darwin é vista como a derrota suprema do criacionismo. O fisiólogo Setchenov tenta comprovar, aos desprevenidos contra seus sofismas, que “os atos psíquicos encontram sua origem nos processos materiais dos nervos que se estendem no cérebro”. A lógica aristotélica, há muito, já ensinou que uma conclusão não pode ultrapassar as premissas. Querer reduzir o pensamento a uma segregação do cérebro, como o fígado expele a bílis, o aparelho digestivo o suco gástrico, os olhos as lágrimas, é agredir elementarmente o vigor mental do homem que tem capacidade de apreensão de idéias imateriais, com as quais forma juízos e com estes raciocina. Isto não acontece com os brutos, destituídos da luz intelectiva. O efeito tem que ser proporcional à causa. Se o homem é apto para captar a essência das coisa, é porque ele possui um elemento imaterial capaz de conceituar. Adite-se que inúmeros são os autênticos cientistas, das mais diversas áreas, que deparam Deus através de suas pesquisas. A tragédia de muitos vem de que, possuindo em si o senso do divino, podendo ir além da observação da maravilhosa obra ao Artífice poderoso, na caminhada para Ele, nem sempre, a liberdade é bem direcionada, a inteligência amplamente explorada. As névoas da paixão, a cortina espessa da insinceridade, a dureza do orgulho, os espinhos das preocupações, a falta da reflexão, o bloqueio dos preconceitos, geram, assim, óbices à passagem à transcendência, cortam o liame com o Criador, fecham os circuitos espirituais, derrubam as antenas que podem captar as harmonias que levam ao contato com Aquele que É. Ao parar nas aparências, ou seja, naquilo que as coisas possuem de atrativo como pistas para alcançar além do que se vê, o homem forja uma terrificante dicotomia, pois, obcecado, não pode chegar Àquele que tudo fez. Como Deus sempre se manifestou, há um instante no qual qualquer homem, mesmo um cientista ateu, desperta. É embate doloroso. Supõe coragem para quebrar grilhões. Seja como for, Deus exige de cada homem um sim ou um não. A recusa a Ele, por entre as incongruências da vida, leva inevitavelmente ao fatalismo, à divinização do acaso ou ao determinismo. O destino substitui a providência. Instala-se o mais maléfico dos paradoxos: feito por Ele e para Ele, o ser humano agride uma ordem natural e volta as costas Àquele longe do qual jamais pode se realizar. Aceita-se o engodo dos protagonistas de uma pseudociência que desejam destronar Deus. Daí a desordem íntima e com ela uma desorientação que se extravasa em manifestações agressivas para consigo mesmo através de vícios os mais hediondos; para com a sociedade, arrasando toda herança cultural; para com a humanidade, endeusando o sensível, o passageiro, o acidental. De tudo emanam frustrações, atos de terrorismo, reações que denigrem. Mais do que nunca, inclinar-se para a sabedoria divina, é um imperativo inadiável. Os que imergem seu entendimento em Deus, são os profetas de mensagens que posicionarão novamente o desarvorado homem deste início de milênio na atmosfera daquelas realidades que guiarão a História para dias menos turbulentos. *Professor no Seminário de Mariana – MG- http://www.blogger.com/home
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Conflito entre Ciência e Religião é o que apresenta uma série de manuais anti-religiosos divulgados por toda a parte. Para os descrentes a astronomia veio ostentar que a terra é um corpo minúsculo, perdido no macrocosmo. Eles não entendem como Cristo, chamado Filho de Deus, poderia se interessar pelos insignificantes animais evoluídos, que se dizem racionais, e vir exatamente se encarnar neste minúsculo planeta na imensidão do espaço, para redimir criaturas tão pequeninas. Assim, Deus é uma imaginação pretensiosa do homem, fruto das crenças religiosas, as quais raiam como ridículas ante as conquistas científicas. O que tais autores desconhecem é o início da Bíblia, pois lá está claro que o homem, ser diminuto ante a grandeza do cosmos e perante a majestade divina, foi, porém, feito “à imagem e semelhança de Deus”. É um “microcosmo”, um pequeno mundo, que pela sua alma vale mais que milhões de corpos siderais. Embora participando das vicissitudes de tudo que é material, pode alçar vôos potentes ao Infinito. Tem uma dignidade que ultrapassa toda a amplitude do mundo visível. Quanto às asseverações de que este universo está em expansão, a matéria não se reparte de uma maneira igual em todas as direções, as galáxias não se formam simultaneamente e têm seu modo de formação contínua, como o das estrelas, sobre serem tais assertivas meras teorias e, portanto, suscetíveis de futuras revisões, há uma passagem bíblica que esclarece tudo, em qualquer hipótese: “Os céus narram as maravilhas de Deus”. Além destes enfoques astronômicos, outro campo muito explorado pelos ateus é o da biologia. A teoria de Darwin é vista como a derrota suprema do criacionismo. O fisiólogo Setchenov tenta comprovar, aos desprevenidos contra seus sofismas, que “os atos psíquicos encontram sua origem nos processos materiais dos nervos que se estendem no cérebro”. A lógica aristotélica, há muito, já ensinou que uma conclusão não pode ultrapassar as premissas. Querer reduzir o pensamento a uma segregação do cérebro, como o fígado expele a bílis, o aparelho digestivo o suco gástrico, os olhos as lágrimas, é agredir elementarmente o vigor mental do homem que tem capacidade de apreensão de idéias imateriais, com as quais forma juízos e com estes raciocina. Isto não acontece com os brutos, destituídos da luz intelectiva. O efeito tem que ser proporcional à causa. Se o homem é apto para captar a essência das coisa, é porque ele possui um elemento imaterial capaz de conceituar. Adite-se que inúmeros são os autênticos cientistas, das mais diversas áreas, que deparam Deus através de suas pesquisas. A tragédia de muitos vem de que, possuindo em si o senso do divino, podendo ir além da observação da maravilhosa obra ao Artífice poderoso, na caminhada para Ele, nem sempre, a liberdade é bem direcionada, a inteligência amplamente explorada. As névoas da paixão, a cortina espessa da insinceridade, a dureza do orgulho, os espinhos das preocupações, a falta da reflexão, o bloqueio dos preconceitos, geram, assim, óbices à passagem à transcendência, cortam o liame com o Criador, fecham os circuitos espirituais, derrubam as antenas que podem captar as harmonias que levam ao contato com Aquele que É. Ao parar nas aparências, ou seja, naquilo que as coisas possuem de atrativo como pistas para alcançar além do que se vê, o homem forja uma terrificante dicotomia, pois, obcecado, não pode chegar Àquele que tudo fez. Como Deus sempre se manifestou, há um instante no qual qualquer homem, mesmo um cientista ateu, desperta. É embate doloroso. Supõe coragem para quebrar grilhões. Seja como for, Deus exige de cada homem um sim ou um não. A recusa a Ele, por entre as incongruências da vida, leva inevitavelmente ao fatalismo, à divinização do acaso ou ao determinismo. O destino substitui a providência. Instala-se o mais maléfico dos paradoxos: feito por Ele e para Ele, o ser humano agride uma ordem natural e volta as costas Àquele longe do qual jamais pode se realizar. Aceita-se o engodo dos protagonistas de uma pseudociência que desejam destronar Deus. Daí a desordem íntima e com ela uma desorientação que se extravasa em manifestações agressivas para consigo mesmo através de vícios os mais hediondos; para com a sociedade, arrasando toda herança cultural; para com a humanidade, endeusando o sensível, o passageiro, o acidental. De tudo emanam frustrações, atos de terrorismo, reações que denigrem. Mais do que nunca, inclinar-se para a sabedoria divina, é um imperativo inadiável. Os que imergem seu entendimento em Deus, são os profetas de mensagens que posicionarão novamente o desarvorado homem deste início de milênio na atmosfera daquelas realidades que guiarão a História para dias menos turbulentos. *Professor no Seminário de Mariana – MG- http://www.blogger.com/home
Friday, March 17, 2006
Zelo pela Casa de Deus e Combate contra a fé
ZELO PELA CASA DE DEUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A cena que se deu um dia no Templo de Jerusalém, o qual Jesus encontrou profanado pelos vendilhões (Jo 2,13-25), traz à baila uma série de reflexões práticas para a vida cristã. Cristo, depois de ter feito seu primeiro milagre em Caná da Galiléia, se dirigiu à capital de sua pátria e foi ao Templo para orar e pregar a Boa Nova. Grande sua surpresa ao ver a Casa santa de Deus repleta de mercadores e de traficantes de toda a espécie! O Ser Supremo, na pessoa do Redentor, vem à sua própria moradia e que depara Ele? Pessoas entregues à oração? Levitas cumprindo seu ministério de louvor? Nada disto. Havia ali trambiqueiros interessados não nos tesouros do céu, mas nas riquezas da terra. Situação paradoxal, chocante! A reação do Senhor, chicoteando e expulsando aqueles vendedores, fez com que seus discípulos se lembrassem do que está escrito no salmo: “O zelo de tua casa me devora” (Sl 68,10). A casa é bem o símbolo de toda a realidade da criação mesma. A casa é o lugar de paz onde cada um se refugia para o repouso após as lutas diárias. É o oásis no deserto desta terra. É o espaço sagrado no qual se passam horas amenas com os familiares e amigos. É, sobretudo, a habitação de Deus entre os homens que se reúnem para, como seres sociais, adorar juntos o seu Criador, Lhe prestando o culto a Ele devido. Aí se recebem seus especiais favores. Apesar de ser um puro Espírito e estar presente por toda parte, no céu e na terra e nos espaços ilimitados do universo, para se comunicar com os seres racionais, Deus sempre quis ter uma mansão entre os homens. No Antigo Testamento grandioso o projeto de Davi realizado por Salomão, erguendo o Templo de Jerusalém, centro da adoração a Javé, réplica de seu palácio celeste (Ex 25,40). A edificação material em homenagem ao Todo-Poderoso seria sempre, porém, o sinal do templo espiritual que é o coração de cada fiel, conforme Cristo ensinaria dizendo: “Se alguém me ama, meu Pai o amará, viremos a ele e faremos nele nossa morada” (Jo 4,23). É o que Paulo lembraria mais tarde aos Coríntios: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (3,16). Que dignidade a do batizado! Se a atitude de Cristo, condenando a profanação de sua habitação feita de elementos materiais, foi tão veemente, como não deveriam temer e tremer os que profanam pelo pecado, seja ele qual for, seu próprio corpo, casa sacrossanta da divindade! Nisto é que deveriam pensar os jovens e as jovens que não respeitam o corpo de seus namorados ou aqueles que se entregam à bebida, às drogas ou a qualquer tipo de imoralidade! Quando alguém ofende gravemente o seu semelhante está, outrossim, agredindo a morada santa de Deus! Eis por que ir ao encontro dos que sofrem, dos marginalizados, é promover alguém que é o templo vivo do Senhor! Nem se poderia esquecer que Jesus foi por excelência o novo templo da divindade. O grande sinal que ele daria aos seus inimigos sobre sua autoridade foi exatamente este: seu corpo mortal seria destruído, mas reconstruído em três dias (Jo 2,19) e seus epígonos, depois da ressurreição do Mestre, compreenderam seus dizeres. Após sua vitória no dia da Páscoa, seu corpo, sinal da presença divina aqui na terra, conheceria um novo estado transfigurado que lhe permitiria tornar-se presente na celebração eucarística em todos os lugares e em todos os séculos. Por tudo isto, a Igreja, Corpo Místico de Cristo, não pode também ser profanada dentro da História e os fiéis, na fé e na caridade, devem cooperar para seu crescimento (Ef 4,1-16). Cada cristão é uma pedra viva do grande edifício espiritual para um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais (1 Pd 2,4s). A Igreja, Corpo de Cristo, é o sinal da presença divina neste mundo. Eis por que todos aqueles que vivem tais realidades, um dia, entrarão no santuário eterno onde Jesus já penetrou como precursor (Hb 4, 14). Viver todo o simbolismo do Templo é, desde já, garantir um lugar na morada eterna do céu para uma beatitude sem fim! * Professor no Seminário de Mariana - MG
COMBATE CONTRA A FÉ
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Os que renegam o cristianismo em função do valor disseminam seus erros e abalam a fé dos que acreditam na existência do Ser Supremo.. A crença em Deus, segundo alguns, não exige assaz dos homens e não lhes propõe um alvo bastante elevado. Nietzsche, cujas obras infelizmente são tanto divulgadas, sobretudo nos meios universitários, é uma figura típica desta atitude irreligiosa.. Nietzsche despertou para a filosofia através de Schopenhauer. Assim Nietzsche exprimiu: “Schopenhauer foi, como filósofo, o primeiro ateísta confesso e inflexível que nós alemães tivemos”. Como quase todos os ateus depois de Feuerbach, Nietzsche também considera a religiosidade como uma inconsciente projeção. Deus não é senão uma ilusão do homem inquirindo uma compensação de sua miséria. Sonho mau que leva a um escape fora do mundo e das magnas tarefas humanas. O homem, em certos estados fortes e excepcionais tomaria conta da energia que está nele adormecida, ou do amor que o sustém. Não ousando atribuir a si mesmo este poder e esta dileção, faria disto os caracteres peculiares de um ser sobre-humano, que seria outro diferente dele. Ele repartiria, assim, entre duas esferas os dois ângulos de sua natureza. O lado ordinário, lamentável e fraco pertenceria ao que se intitula “homem”; a faceta rara, potente e surpreendente seria o apanágio da outra, do que se denomina Deus. Deste modo, o homem se veria espoliado por ele mesmo de tudo que há de excelente nele. De fato, a religião, a crença em Deus, seria um processo de aviltamento do homem. Deus é uma ficção, atraindo para o absoluto nossas tendências mais recrescentes, nossas aspirações mais altas, nossos desejos mais ardentes. O melhor de nossa essência se destaca de nós e se cristaliza num fantasma misterioso que parece nos dominar e merecer nossas homenagens. Nós o veneramos como uma entidade sagrada. Deus se resume nos atributos essenciais do homem. É uma caricatura do real, uma quimera. O homem não é criado à imagem de Deus, mas Deus sim é feito à semelhança do homem. O cristianismo é para ele como a mais deletéria das seduções e dos embustes. Ele é a Grande-Mentira e a blasfêmia personificada.Deus é, pois, segundo Nietzsche, o sintoma, o índice desta doença mortal do espírito. O cristianismo é, segundo este sacrílego, a máxima mistificação. Declara-lhe então guerra em nome do valor. No que há de mais autenticamente evangélico é que a religião de Cristo aparece como nefanda ao filósofo que por isto a combate tenazmente. Os Evangelhos arrancam o homem a ele mesmo, à sociedade, ao universo, dado que apresentam “doutrina que faz da liberdade e da salvação da alma o fim da vida”. Rebocam o homem para o céu fictício da divindade. A religião desumaniza, degrada e infantiliza o homem, assevera ele na sua empáfia. Daí, preconiza ele, que apagar a fé é a missão histórica de sua época, um encargo no qual todos os povos da Europa devem tomar parte. A fé, diz ele, é espoliação perniciosa do indivíduo, porque ela afasta seus olhares da terra para o além imaginário. Donde ser indispensável substituir os pretensos valores cristãos por novos, que longe de diminuir o homem o venham a exaltar.O ateísmo é para Nietzsche uma afirmação essencial. Anunciar a morte de Deus é dar ao homem todas as chances de se engrandecer. O desaparecimento de Deus é correlato com o desabrochar do homem. É a via da libertação. Assim, ele sairá do abismo. “Deus está morto” não é um quimérico enunciado de um evento constatado, nem o lamento de uma alma angustiada, nem a ironia de um espírito perspicaz. É uma resolução tomada. Esta proclamação solene, repetida pelos seus epígonos, domina a obra de seus últimos anos. É a inspiração suprema que lhe anima todo seu pensar ao proclamar a morte de Deus. Significa propor profeticamente, pelo menos aos eleitos que estão no mais alto cimo, a confiança de um triunfo sobre a morte. A morte de Deus é a morte da morte. Os dois principais temas positivos do pensamento, ou antes da visão nietzschiana, o super-homem e o retorno eterno não têm cabimento, senão por esta ambição de encontrar no ateísmo integral uma religião de salvação total para a terra e para o homem. O retorno eterno é a eterna salvação; o super-homem é ao mesmo tempo o salvador e o homem salvo. Nietzsche é, positivamente, um convicto deicida. Muitos bebem nos seus escritos a descrença e com ela a infelicidade! * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A cena que se deu um dia no Templo de Jerusalém, o qual Jesus encontrou profanado pelos vendilhões (Jo 2,13-25), traz à baila uma série de reflexões práticas para a vida cristã. Cristo, depois de ter feito seu primeiro milagre em Caná da Galiléia, se dirigiu à capital de sua pátria e foi ao Templo para orar e pregar a Boa Nova. Grande sua surpresa ao ver a Casa santa de Deus repleta de mercadores e de traficantes de toda a espécie! O Ser Supremo, na pessoa do Redentor, vem à sua própria moradia e que depara Ele? Pessoas entregues à oração? Levitas cumprindo seu ministério de louvor? Nada disto. Havia ali trambiqueiros interessados não nos tesouros do céu, mas nas riquezas da terra. Situação paradoxal, chocante! A reação do Senhor, chicoteando e expulsando aqueles vendedores, fez com que seus discípulos se lembrassem do que está escrito no salmo: “O zelo de tua casa me devora” (Sl 68,10). A casa é bem o símbolo de toda a realidade da criação mesma. A casa é o lugar de paz onde cada um se refugia para o repouso após as lutas diárias. É o oásis no deserto desta terra. É o espaço sagrado no qual se passam horas amenas com os familiares e amigos. É, sobretudo, a habitação de Deus entre os homens que se reúnem para, como seres sociais, adorar juntos o seu Criador, Lhe prestando o culto a Ele devido. Aí se recebem seus especiais favores. Apesar de ser um puro Espírito e estar presente por toda parte, no céu e na terra e nos espaços ilimitados do universo, para se comunicar com os seres racionais, Deus sempre quis ter uma mansão entre os homens. No Antigo Testamento grandioso o projeto de Davi realizado por Salomão, erguendo o Templo de Jerusalém, centro da adoração a Javé, réplica de seu palácio celeste (Ex 25,40). A edificação material em homenagem ao Todo-Poderoso seria sempre, porém, o sinal do templo espiritual que é o coração de cada fiel, conforme Cristo ensinaria dizendo: “Se alguém me ama, meu Pai o amará, viremos a ele e faremos nele nossa morada” (Jo 4,23). É o que Paulo lembraria mais tarde aos Coríntios: “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” (3,16). Que dignidade a do batizado! Se a atitude de Cristo, condenando a profanação de sua habitação feita de elementos materiais, foi tão veemente, como não deveriam temer e tremer os que profanam pelo pecado, seja ele qual for, seu próprio corpo, casa sacrossanta da divindade! Nisto é que deveriam pensar os jovens e as jovens que não respeitam o corpo de seus namorados ou aqueles que se entregam à bebida, às drogas ou a qualquer tipo de imoralidade! Quando alguém ofende gravemente o seu semelhante está, outrossim, agredindo a morada santa de Deus! Eis por que ir ao encontro dos que sofrem, dos marginalizados, é promover alguém que é o templo vivo do Senhor! Nem se poderia esquecer que Jesus foi por excelência o novo templo da divindade. O grande sinal que ele daria aos seus inimigos sobre sua autoridade foi exatamente este: seu corpo mortal seria destruído, mas reconstruído em três dias (Jo 2,19) e seus epígonos, depois da ressurreição do Mestre, compreenderam seus dizeres. Após sua vitória no dia da Páscoa, seu corpo, sinal da presença divina aqui na terra, conheceria um novo estado transfigurado que lhe permitiria tornar-se presente na celebração eucarística em todos os lugares e em todos os séculos. Por tudo isto, a Igreja, Corpo Místico de Cristo, não pode também ser profanada dentro da História e os fiéis, na fé e na caridade, devem cooperar para seu crescimento (Ef 4,1-16). Cada cristão é uma pedra viva do grande edifício espiritual para um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais (1 Pd 2,4s). A Igreja, Corpo de Cristo, é o sinal da presença divina neste mundo. Eis por que todos aqueles que vivem tais realidades, um dia, entrarão no santuário eterno onde Jesus já penetrou como precursor (Hb 4, 14). Viver todo o simbolismo do Templo é, desde já, garantir um lugar na morada eterna do céu para uma beatitude sem fim! * Professor no Seminário de Mariana - MG
COMBATE CONTRA A FÉ
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Os que renegam o cristianismo em função do valor disseminam seus erros e abalam a fé dos que acreditam na existência do Ser Supremo.. A crença em Deus, segundo alguns, não exige assaz dos homens e não lhes propõe um alvo bastante elevado. Nietzsche, cujas obras infelizmente são tanto divulgadas, sobretudo nos meios universitários, é uma figura típica desta atitude irreligiosa.. Nietzsche despertou para a filosofia através de Schopenhauer. Assim Nietzsche exprimiu: “Schopenhauer foi, como filósofo, o primeiro ateísta confesso e inflexível que nós alemães tivemos”. Como quase todos os ateus depois de Feuerbach, Nietzsche também considera a religiosidade como uma inconsciente projeção. Deus não é senão uma ilusão do homem inquirindo uma compensação de sua miséria. Sonho mau que leva a um escape fora do mundo e das magnas tarefas humanas. O homem, em certos estados fortes e excepcionais tomaria conta da energia que está nele adormecida, ou do amor que o sustém. Não ousando atribuir a si mesmo este poder e esta dileção, faria disto os caracteres peculiares de um ser sobre-humano, que seria outro diferente dele. Ele repartiria, assim, entre duas esferas os dois ângulos de sua natureza. O lado ordinário, lamentável e fraco pertenceria ao que se intitula “homem”; a faceta rara, potente e surpreendente seria o apanágio da outra, do que se denomina Deus. Deste modo, o homem se veria espoliado por ele mesmo de tudo que há de excelente nele. De fato, a religião, a crença em Deus, seria um processo de aviltamento do homem. Deus é uma ficção, atraindo para o absoluto nossas tendências mais recrescentes, nossas aspirações mais altas, nossos desejos mais ardentes. O melhor de nossa essência se destaca de nós e se cristaliza num fantasma misterioso que parece nos dominar e merecer nossas homenagens. Nós o veneramos como uma entidade sagrada. Deus se resume nos atributos essenciais do homem. É uma caricatura do real, uma quimera. O homem não é criado à imagem de Deus, mas Deus sim é feito à semelhança do homem. O cristianismo é para ele como a mais deletéria das seduções e dos embustes. Ele é a Grande-Mentira e a blasfêmia personificada.Deus é, pois, segundo Nietzsche, o sintoma, o índice desta doença mortal do espírito. O cristianismo é, segundo este sacrílego, a máxima mistificação. Declara-lhe então guerra em nome do valor. No que há de mais autenticamente evangélico é que a religião de Cristo aparece como nefanda ao filósofo que por isto a combate tenazmente. Os Evangelhos arrancam o homem a ele mesmo, à sociedade, ao universo, dado que apresentam “doutrina que faz da liberdade e da salvação da alma o fim da vida”. Rebocam o homem para o céu fictício da divindade. A religião desumaniza, degrada e infantiliza o homem, assevera ele na sua empáfia. Daí, preconiza ele, que apagar a fé é a missão histórica de sua época, um encargo no qual todos os povos da Europa devem tomar parte. A fé, diz ele, é espoliação perniciosa do indivíduo, porque ela afasta seus olhares da terra para o além imaginário. Donde ser indispensável substituir os pretensos valores cristãos por novos, que longe de diminuir o homem o venham a exaltar.O ateísmo é para Nietzsche uma afirmação essencial. Anunciar a morte de Deus é dar ao homem todas as chances de se engrandecer. O desaparecimento de Deus é correlato com o desabrochar do homem. É a via da libertação. Assim, ele sairá do abismo. “Deus está morto” não é um quimérico enunciado de um evento constatado, nem o lamento de uma alma angustiada, nem a ironia de um espírito perspicaz. É uma resolução tomada. Esta proclamação solene, repetida pelos seus epígonos, domina a obra de seus últimos anos. É a inspiração suprema que lhe anima todo seu pensar ao proclamar a morte de Deus. Significa propor profeticamente, pelo menos aos eleitos que estão no mais alto cimo, a confiança de um triunfo sobre a morte. A morte de Deus é a morte da morte. Os dois principais temas positivos do pensamento, ou antes da visão nietzschiana, o super-homem e o retorno eterno não têm cabimento, senão por esta ambição de encontrar no ateísmo integral uma religião de salvação total para a terra e para o homem. O retorno eterno é a eterna salvação; o super-homem é ao mesmo tempo o salvador e o homem salvo. Nietzsche é, positivamente, um convicto deicida. Muitos bebem nos seus escritos a descrença e com ela a infelicidade! * Professor no Seminário de Mariana - MG
Tuesday, March 14, 2006
A influência de Feuerbach
A INFLUÊNCIA PERNICIOSA DE FEUERBACH
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Um dos autores mais perniciosos do século XIX foi o alemão Ludwig Feuerbach. Foi graças a suas idéias que se cunhou a idéia de que a religião é alienante, tese até hoje, infelizmente defendida pelos inimigos de Deus. O pensamento de Feuerbach se traduz em uma crítica ferina ao cristianismo. Para ele os deuses são uma criação dos homens para compensar suas necessidades psíquicas e, deste modo, conclui que Deus seria uma projeção do próprio ser humano. O materialismo borbulha na obra feuerbachiana. De acordo com este filósofo, o homem projeta as qualidades positivas que possui em si numa pessoa divina e dela faz uma realidade subsistente, perante a qual sente-se esmagado como um nada. Deus é, assim, uma evasão, uma fuga, uma tela que esconde o homem. Entorpece suas possibilidades. Feuerbach firma-se em Hegel, no qual buscou a palavra alienação. O homem reflete num ser imaginável tudo que possui de melhor e cria um ente infinitamente bom, justo, belo, poderoso. No instante em que o homem retomar o que transferir para Deus ele será o seu próprio Deus, afirmou num momento do mais nefasto orgulho.. Eis aí uma tese basilar do marxismo e subjacente aos ateístas posteriores. Marx viu na tese feuerbachiana a base sólida para um genuíno humanismo. Muitas de suas idéias são o eco do que leu em Feuerbach. Após tal leitura, ele sustentava: “O homem é que faz a religião e a religião o homem”. Ele se propõe vivificar pelo método dialético de Hegel a filosofia materialista e humanista de Feuerbach. A religião é para ele uma alucinação patológica. G. Siewerth patenteia que para Marx, “a fé em Deus é, pois, ao mesmo tempo, uma divisão da consciência e uma ilusão. Urge, portanto, desmascarar esta ilusão a fim de restituir ao homem a dignidade perdida da sua interioridade infinita”. É o calamitoso materialismo prático. Escreve ele: “A luta contra a religião implica a luta contra o mundo do qual a religião é o aroma espiritual”. Como verdadeiro discípulo de Feuerbach, Marx conclui que a adesão a Deus tira ao homem a consciência de sua grandeza: é uma alienação. Eis sua afirmativa contundente: “Mais o homem coloca realidade em Deus e tanto menos resta de si mesmo”. A ação de um Deus Supremo impede sua independência total. Sua emancipação exige a priori a morte de Deus. É exatamente o trabalho que permite ao homem construir-se enquanto homem. Fica claro, pois, que o ateísmo não é acidental ao marxismo, sendo impossível ser um “bom” marxista, permanecendo crente. Marx é taxativo: “O ateísmo é uma negação a Deus e por esta negação coloca a existência humana”. Entre a razão e a fé o conflito é peremptório. Diria depois Lénine: “O marxismo é o materialismo. Por este título ele é tão implacavelmente hostil à religião, quanto o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach”. Prossegue ele: “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. Não se trata de um conselho facultativo. Fala categoricamente: “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”. É a própria religião, sob a forma mais pura, que o marxismo considera como alheação perigosa da qüididade do homem. O comunismo, que foi o herdeiro mais fiel de Karl Marx, se revelou, pois, em lógica conseqüência, intransigente neste ponto. O ateísmo não é em Marx uma superestrutura. A própria consciência que o homem tem de si exclui, completamente, a possibilidade de Deus. Daí ser um erro primário querer abstrair dos escritos de Marx o ateísmo. É desestruturá-los. Não há meio termo. Há uma contestação terminante à Transcendência. Foi isto que ignoraram os que aderiram à Teologia da Libertação sob bases marxistas, provocando discussões estéreis para justificar o injustificável.; * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Um dos autores mais perniciosos do século XIX foi o alemão Ludwig Feuerbach. Foi graças a suas idéias que se cunhou a idéia de que a religião é alienante, tese até hoje, infelizmente defendida pelos inimigos de Deus. O pensamento de Feuerbach se traduz em uma crítica ferina ao cristianismo. Para ele os deuses são uma criação dos homens para compensar suas necessidades psíquicas e, deste modo, conclui que Deus seria uma projeção do próprio ser humano. O materialismo borbulha na obra feuerbachiana. De acordo com este filósofo, o homem projeta as qualidades positivas que possui em si numa pessoa divina e dela faz uma realidade subsistente, perante a qual sente-se esmagado como um nada. Deus é, assim, uma evasão, uma fuga, uma tela que esconde o homem. Entorpece suas possibilidades. Feuerbach firma-se em Hegel, no qual buscou a palavra alienação. O homem reflete num ser imaginável tudo que possui de melhor e cria um ente infinitamente bom, justo, belo, poderoso. No instante em que o homem retomar o que transferir para Deus ele será o seu próprio Deus, afirmou num momento do mais nefasto orgulho.. Eis aí uma tese basilar do marxismo e subjacente aos ateístas posteriores. Marx viu na tese feuerbachiana a base sólida para um genuíno humanismo. Muitas de suas idéias são o eco do que leu em Feuerbach. Após tal leitura, ele sustentava: “O homem é que faz a religião e a religião o homem”. Ele se propõe vivificar pelo método dialético de Hegel a filosofia materialista e humanista de Feuerbach. A religião é para ele uma alucinação patológica. G. Siewerth patenteia que para Marx, “a fé em Deus é, pois, ao mesmo tempo, uma divisão da consciência e uma ilusão. Urge, portanto, desmascarar esta ilusão a fim de restituir ao homem a dignidade perdida da sua interioridade infinita”. É o calamitoso materialismo prático. Escreve ele: “A luta contra a religião implica a luta contra o mundo do qual a religião é o aroma espiritual”. Como verdadeiro discípulo de Feuerbach, Marx conclui que a adesão a Deus tira ao homem a consciência de sua grandeza: é uma alienação. Eis sua afirmativa contundente: “Mais o homem coloca realidade em Deus e tanto menos resta de si mesmo”. A ação de um Deus Supremo impede sua independência total. Sua emancipação exige a priori a morte de Deus. É exatamente o trabalho que permite ao homem construir-se enquanto homem. Fica claro, pois, que o ateísmo não é acidental ao marxismo, sendo impossível ser um “bom” marxista, permanecendo crente. Marx é taxativo: “O ateísmo é uma negação a Deus e por esta negação coloca a existência humana”. Entre a razão e a fé o conflito é peremptório. Diria depois Lénine: “O marxismo é o materialismo. Por este título ele é tão implacavelmente hostil à religião, quanto o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach”. Prossegue ele: “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. Não se trata de um conselho facultativo. Fala categoricamente: “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”. É a própria religião, sob a forma mais pura, que o marxismo considera como alheação perigosa da qüididade do homem. O comunismo, que foi o herdeiro mais fiel de Karl Marx, se revelou, pois, em lógica conseqüência, intransigente neste ponto. O ateísmo não é em Marx uma superestrutura. A própria consciência que o homem tem de si exclui, completamente, a possibilidade de Deus. Daí ser um erro primário querer abstrair dos escritos de Marx o ateísmo. É desestruturá-los. Não há meio termo. Há uma contestação terminante à Transcendência. Foi isto que ignoraram os que aderiram à Teologia da Libertação sob bases marxistas, provocando discussões estéreis para justificar o injustificável.; * Professor no Seminário de Mariana - MG
Friday, March 10, 2006
Seguir Jesus
SEGUIR JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O episódio no qual Jesus chama os primeiros discípulos (Jo 1,35-42) de plano suscita duas questões: como seguir Jesus e por que segui-lo. Encontrar Jesus é uma experiência pessoal que dignifica o ser racional. Significa deparar a ventura em todo seu esplendor. Dá-se o que falou o profeta Jeremias: “Vós me procurareis e vós me encontrareis, se vós me procurardes de todo o coração. Eu me deixarei encontrar por vós, diz o Eterno” (Jr 29, 13-14). Cristo é o Emanuel, Deus conosco, que veio facilitar encontro tão feliz. Trata-se da reconciliação perfeita entre a criatura e o Criador. Cumpre, por isto mesmo, uma atitude livre. O Batista referiu-se a Cristo que passava como o Cordeiro de Deus e dois de seus discípulos logo, espontaneamente, acompanharam o Messias. Interessante a indagação que Cristo lhes fez: “Que buscais vós”? A resposta é sumamente expressiva: “Rabi, onde moras”? Jesus disse: “Vinde e vede”. Eles ficaram aquele dia na sua beatificante companhia. Depois, André levaria seu irmão Pedro até o Redentor. É preciso sempre que haja aqueles que revelam o Mestre divino. Esta é a missão de todo batizado que participa do múnus profético e régio de Cristo. Daí a importância de se mostrar a todos quão valioso é acompanhar aquele que, no mistério de sua Encarnação, se fez semelhante a nós e conheceu de perto todas as vicissitudes humanas. Em primeiro lugar, Ele liberta do pecado que mora na desordem das paixões terrenas. Jesus não veio suprimir o mal em nós e no mundo, mas o venceu e dá condições para que os seus sejam sempre vencedores. Ele mesmo disse: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20) e Ele é um vencedor (Jo 16,33). Isto leva a possuir o reino de Deus, império de amor e de paz. Para tanto é preciso que o cristão de desinstale de seu comodismo e caminhe para frente sem hesitação e com total confiança na proteção divina. A causa do Evangelho merece rupturas corajosas para anunciar a Boa Nova por palavras e por obras. Como, porém, agir quando muitos ficam indiferentes perante o Evangelho? O método da evangelização não comporta atitudes veementes, mas a paciência que vai plantando a semente do bem a qual Deus fará florescer no devido tempo. É preciso regar o que se diz e se faz com preces perseverantes. Quantos esposos, quantos pais, quantos parentes e amigos, por vezes, ficam aflitos querendo logo a conversão dos que estão trilhando veredas erradas e se esquecem que o tempo de Deus é diferente do tempo dos homens. É preciso nunca perder a esperança. Jamais se pode querer o sucesso imediato na obra evangelizadora. Foi através de um amor desinteressado que Jesus salvou a humanidade. Aqueles, porém que, estão firmes, seguindo o Mestre, precisam se conscientizar que caminhar atrás dele é tarefa árdua e que exige perseverança, exatamente para poder atrair outros para Ele. Para isto é necessário que se ande nos caminhos da Verdade (3 Jo 1,4) de acordo com o Espírito Santo (Gl 5,26). Deste modo, muitos entenderão que é preciso seguir Jesus porque Ele é Deus, Ele é a luz do mundo, Ele faz cada um feliz, Ele promete a vida eterna. Com efeito, aquele que partilha pessoalmente sua fé religiosa e entra no espírito de Jesus, consagrando-se ao serviço desinteressado do próximo, opera maravilhas. Então muitos compreenderão que de todos os conhecimentos humanos o mais elevado é o conhecimento do Filho de Deus. Tal a ordem do Pai: “Esse é o meu Filho bem-amado no qual coloquei todas as minhas complacências: Escutai-O” (Mt 17,5). Ele possui toda autoridade no céu e sobre a terra e a Ele cumpre obedecer (Mt 28,18-20). Ele voltará um dia para julgar os vivos e os mortos, mas quem O seguiu neste mundo terá a salvação eterna (Hb 5,9). É preciso, enfim, ter consciência de que seguir a Jesus é imitá-lo (Mt 16,24-25). Para isto é preciso abandonar os próprios desejos e viver segundo os exemplos do Mestre divino. A prioridade na vida do batizado é realizar em tudo a vontade divina expressa nos Mandamentos e nos ensinamentos registrados nos Evangelhos. São Paulo aconselhava aos Romanos: “Não vos conformeis com este século, mas reformai-vos com a renovação do vosso espírito para que reconheçais qual é a vontade de Deus boa, agradável e perfeita” (Rm 12,2). É mister uma transformação total de si, um engajamento de toda a vida em Cristo que deve ocupar sempre o primeiro lugar. Em suma, seguir Jesus é agir conforme Ele ensinou e agia e não aderir às máximas mundanas. * Professor no seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O episódio no qual Jesus chama os primeiros discípulos (Jo 1,35-42) de plano suscita duas questões: como seguir Jesus e por que segui-lo. Encontrar Jesus é uma experiência pessoal que dignifica o ser racional. Significa deparar a ventura em todo seu esplendor. Dá-se o que falou o profeta Jeremias: “Vós me procurareis e vós me encontrareis, se vós me procurardes de todo o coração. Eu me deixarei encontrar por vós, diz o Eterno” (Jr 29, 13-14). Cristo é o Emanuel, Deus conosco, que veio facilitar encontro tão feliz. Trata-se da reconciliação perfeita entre a criatura e o Criador. Cumpre, por isto mesmo, uma atitude livre. O Batista referiu-se a Cristo que passava como o Cordeiro de Deus e dois de seus discípulos logo, espontaneamente, acompanharam o Messias. Interessante a indagação que Cristo lhes fez: “Que buscais vós”? A resposta é sumamente expressiva: “Rabi, onde moras”? Jesus disse: “Vinde e vede”. Eles ficaram aquele dia na sua beatificante companhia. Depois, André levaria seu irmão Pedro até o Redentor. É preciso sempre que haja aqueles que revelam o Mestre divino. Esta é a missão de todo batizado que participa do múnus profético e régio de Cristo. Daí a importância de se mostrar a todos quão valioso é acompanhar aquele que, no mistério de sua Encarnação, se fez semelhante a nós e conheceu de perto todas as vicissitudes humanas. Em primeiro lugar, Ele liberta do pecado que mora na desordem das paixões terrenas. Jesus não veio suprimir o mal em nós e no mundo, mas o venceu e dá condições para que os seus sejam sempre vencedores. Ele mesmo disse: “Eis que estou convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20) e Ele é um vencedor (Jo 16,33). Isto leva a possuir o reino de Deus, império de amor e de paz. Para tanto é preciso que o cristão de desinstale de seu comodismo e caminhe para frente sem hesitação e com total confiança na proteção divina. A causa do Evangelho merece rupturas corajosas para anunciar a Boa Nova por palavras e por obras. Como, porém, agir quando muitos ficam indiferentes perante o Evangelho? O método da evangelização não comporta atitudes veementes, mas a paciência que vai plantando a semente do bem a qual Deus fará florescer no devido tempo. É preciso regar o que se diz e se faz com preces perseverantes. Quantos esposos, quantos pais, quantos parentes e amigos, por vezes, ficam aflitos querendo logo a conversão dos que estão trilhando veredas erradas e se esquecem que o tempo de Deus é diferente do tempo dos homens. É preciso nunca perder a esperança. Jamais se pode querer o sucesso imediato na obra evangelizadora. Foi através de um amor desinteressado que Jesus salvou a humanidade. Aqueles, porém que, estão firmes, seguindo o Mestre, precisam se conscientizar que caminhar atrás dele é tarefa árdua e que exige perseverança, exatamente para poder atrair outros para Ele. Para isto é necessário que se ande nos caminhos da Verdade (3 Jo 1,4) de acordo com o Espírito Santo (Gl 5,26). Deste modo, muitos entenderão que é preciso seguir Jesus porque Ele é Deus, Ele é a luz do mundo, Ele faz cada um feliz, Ele promete a vida eterna. Com efeito, aquele que partilha pessoalmente sua fé religiosa e entra no espírito de Jesus, consagrando-se ao serviço desinteressado do próximo, opera maravilhas. Então muitos compreenderão que de todos os conhecimentos humanos o mais elevado é o conhecimento do Filho de Deus. Tal a ordem do Pai: “Esse é o meu Filho bem-amado no qual coloquei todas as minhas complacências: Escutai-O” (Mt 17,5). Ele possui toda autoridade no céu e sobre a terra e a Ele cumpre obedecer (Mt 28,18-20). Ele voltará um dia para julgar os vivos e os mortos, mas quem O seguiu neste mundo terá a salvação eterna (Hb 5,9). É preciso, enfim, ter consciência de que seguir a Jesus é imitá-lo (Mt 16,24-25). Para isto é preciso abandonar os próprios desejos e viver segundo os exemplos do Mestre divino. A prioridade na vida do batizado é realizar em tudo a vontade divina expressa nos Mandamentos e nos ensinamentos registrados nos Evangelhos. São Paulo aconselhava aos Romanos: “Não vos conformeis com este século, mas reformai-vos com a renovação do vosso espírito para que reconheçais qual é a vontade de Deus boa, agradável e perfeita” (Rm 12,2). É mister uma transformação total de si, um engajamento de toda a vida em Cristo que deve ocupar sempre o primeiro lugar. Em suma, seguir Jesus é agir conforme Ele ensinou e agia e não aderir às máximas mundanas. * Professor no seminário de Mariana - MG
Wednesday, March 08, 2006
Alvoroço em torno da verticalização
ALVOROÇO EM TORNO DA VERTICALIZAÇÃO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Grande a turbulência causada pelo Tribunal Superior Eleitoral de exigir a permanência da verticalização. A decisão deve se transformar numa batalha jurídica já que o Congresso aprovou o fim da obrigatoriedade da reprodução nos Estados da aliança estabelecida pelos partidos para Presidência da República
Fica a impressão de uma manifestação do fenômeno global de dominação por parte de certos setores. O que parece ter sido instaurado, definitivamente, é uma especulação sem limites num momento de hipercomplexidade social, quando já é minguante e frustrante a lista para a escolha daquele que será sufragado nas urnas como Presidente da República.
Como asseverou Roberto Mangabeira Unger, “A verticalização é um daqueles sepulcros caiados da democracia que proliferam no país. Parece o que não é: homenagem sadia à consistência dos partidos. Na realidade, atenta contra a integridade da República e da Federação e inibe o surgimento de alternativas nacionais”.
Pressões subliminares já estavam em curso a reger de maneira cada vez, mas sonambúlica a população, sujeita à manipulação dos poderosos.
A verdade é que os eventos não surgem destramados do enunciado linear do discurso oficial, mas estão sempre agregados em configurações essencialmente complexas, muitas vezes repelindo a concretização de proposições que entram em conflito com um plano eleitoral traçado ao qual circunstâncias dão contornos muito vivos.
Cumpre apreender a dimensão total do que está ocorrendo no atual contexto político. Na diagnose do que significará a mudança em pauta com relação aos riscos da continuidade é preciso muito bom senso e, sobretudo, que não se perca tempo.
Que haja totais condições para os partidos se rearmarem e prosseguirem na sua marcha vitoriosa contra a imposição governamental no que tange a seus candidatos. As contradições emergentes devem ser sondadas a fundo para que se evitem os bloqueios que inviabilizem as transformações necessárias.
Não se pode, neste instante, apenas contornar os paradoxos que surgem e que aparecerão até outubro os quais aparecem no seio de um processo eleitoral e no lapso da sua vigência. Qualquer manobra, seja de quem for, no sentido de prejudicar objetivamente qualquer candidato em benefício dos ungidos do partido do Planalto, deve ser corajosamente denunciada. Ao se querer a verdade por sobre a normativa, na conciliação entre o ideal futuro e a realidade do presente o que se deve pretender é evitar o recrudescimento do continuísmo. Cumpre uma considerável sensibilidade ao percurso dos eventos para se detectar a argúcia daqueles que querem ganhar a eleição a qualquer preço. Que aconteça, isto sim, uma progressão lógica em tudo que se fizer até às eleições. * Professor no Seminário de Mariana - mg
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Grande a turbulência causada pelo Tribunal Superior Eleitoral de exigir a permanência da verticalização. A decisão deve se transformar numa batalha jurídica já que o Congresso aprovou o fim da obrigatoriedade da reprodução nos Estados da aliança estabelecida pelos partidos para Presidência da República
Fica a impressão de uma manifestação do fenômeno global de dominação por parte de certos setores. O que parece ter sido instaurado, definitivamente, é uma especulação sem limites num momento de hipercomplexidade social, quando já é minguante e frustrante a lista para a escolha daquele que será sufragado nas urnas como Presidente da República.
Como asseverou Roberto Mangabeira Unger, “A verticalização é um daqueles sepulcros caiados da democracia que proliferam no país. Parece o que não é: homenagem sadia à consistência dos partidos. Na realidade, atenta contra a integridade da República e da Federação e inibe o surgimento de alternativas nacionais”.
Pressões subliminares já estavam em curso a reger de maneira cada vez, mas sonambúlica a população, sujeita à manipulação dos poderosos.
A verdade é que os eventos não surgem destramados do enunciado linear do discurso oficial, mas estão sempre agregados em configurações essencialmente complexas, muitas vezes repelindo a concretização de proposições que entram em conflito com um plano eleitoral traçado ao qual circunstâncias dão contornos muito vivos.
Cumpre apreender a dimensão total do que está ocorrendo no atual contexto político. Na diagnose do que significará a mudança em pauta com relação aos riscos da continuidade é preciso muito bom senso e, sobretudo, que não se perca tempo.
Que haja totais condições para os partidos se rearmarem e prosseguirem na sua marcha vitoriosa contra a imposição governamental no que tange a seus candidatos. As contradições emergentes devem ser sondadas a fundo para que se evitem os bloqueios que inviabilizem as transformações necessárias.
Não se pode, neste instante, apenas contornar os paradoxos que surgem e que aparecerão até outubro os quais aparecem no seio de um processo eleitoral e no lapso da sua vigência. Qualquer manobra, seja de quem for, no sentido de prejudicar objetivamente qualquer candidato em benefício dos ungidos do partido do Planalto, deve ser corajosamente denunciada. Ao se querer a verdade por sobre a normativa, na conciliação entre o ideal futuro e a realidade do presente o que se deve pretender é evitar o recrudescimento do continuísmo. Cumpre uma considerável sensibilidade ao percurso dos eventos para se detectar a argúcia daqueles que querem ganhar a eleição a qualquer preço. Que aconteça, isto sim, uma progressão lógica em tudo que se fizer até às eleições. * Professor no Seminário de Mariana - mg
Tuesday, March 07, 2006
Busca de uma vida saudável
BUSCA DE UMA VIDA SAUDÁVEL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
No tempestuoso contexto atual cumpre, mais do que nunca, que cada um tenha uma visão clara de seus objetivos de vida, visualizando, com acuidade, as tarefas essenciais por meio de um planejamento operacional bem analisado. Do contrário, as tensões internas acabam sendo afogadas na bebida ou em outros desvios éticos. Todos, na sua existência, deparam áreas de risco, mas podem obviar possíveis fracassos através da previsão e do emprego de meios adequados. Numa abrangente apreciação dos fatos é possível contornar os percalços que possam surgir. Os padrões de desempenho e de qualidade devem ser condizentes com o potencial próprio para não gerarem desânimo. São reservas de força íntima e não instrumentos para se tornar um herói. A incompletude, que anseios impossíveis parturejam, afeta a personalidade e pode levar à baixa estima pessoal. Tudo que é viável, porém, é mister seja realizado com coragem, força e prontidão. Para tanto é importante que se afastem sempre hipóteses fictícias e se estabeleça uma concentração coerente de forças, focadas no dever de cada hora, realizado este com empenho, eficácia e proficiência. Aí reside o potencial de sucesso de cada um, êxito advindo do cumprimento das incumbências prioritárias. É deste modo que se atinge um patamar mais elevado dos dons naturais que cada um possui e que fazem a diferença. Estas qualidades são tantas vezes subavaliadas! O segredo de uma vida saudável e útil é fazer da existência uma caminhada constante rumo a um objetivo específico, mensurável, realista. Se assim não for, ocorrerá um ziguezague com lampejos fortuitos, inconsistentes e frustrantes. Quem sabe, porém, marcar entrevistas consigo mesmo para reavaliar seus propósitos está sempre apto a superar as indesejadas imponderabilidades do cotidiano. Neste caso o indivíduo saberá como agir sem precisar reagir, o que poderia levar ao descontrole. Por outro lado, as postergações são fruto exatamente da falta de previsões positivas e objetivos motivadores que resultam em atuações disciplinadas e coerentes. Deste modo, são bloqueados os fatores de perturbação e neutralizadas as ações incoerentes. Isto fruto de um comportamento sistemático que comporta as flexibilidades naturais exigidas pelo evoluir dos fatos diários. Tudo isto significa desenvolver as forças sinergéticas, obstaculizando a dispersão e o temor perante fatos novos que soem ocorrer no dia a dia e as ações se tornam nesse caso criativas e não intempestivas. Nunca se lembra demais que fazer com prazer, com alegria interior, o que se deve, seja o que for, inclusive uma caminhada por exemplo, libera importantes substâncias neuroquímicas no corpo que reforçam os efeitos saudáveis de um bem-estar permanente. Fatores bastante negativos e que precisam ser diuturnamente combatido são a divagação e o devaneio, que não resultam em coisa alguma. Constituem fuga e acarretam o desperdício do tempo. Não se deve, porém, ter medo daquilo que separa os projetos viáveis da realidade, pois, do contrário eles nunca se realizarão. Na vida, é muitas vezes preferível levantar questões do que conhecer de plano todas as respostas. Adite-se que é feliz aquele que encontra encanto nas coisas simples e triviais da existência. Terezinha de Lisieux dizia que o segredo da perfeição é fazer de maneira extraordinária as coisas ordinárias da vida. Nunca se deve, além disto, abrir guerra a si mesmo. Apenas Deus é perfeito. Entretanto, perante a crítica alheia justa é sempre um erro cair na defensiva. De acordo com tudo isto, o importante é não se ter obsessão de ser feliz, dado que não se cria a felicidade, esta é conseqüência de uma sadia filosofia de vida. Apenas assim a ventura será como o ar que se respira. A felicidade é, em suma, a manifestação natural de uma vida isenta de estresse, como o sol que aquece naturalmente a terra quando as nuvens negras se dissipam. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
No tempestuoso contexto atual cumpre, mais do que nunca, que cada um tenha uma visão clara de seus objetivos de vida, visualizando, com acuidade, as tarefas essenciais por meio de um planejamento operacional bem analisado. Do contrário, as tensões internas acabam sendo afogadas na bebida ou em outros desvios éticos. Todos, na sua existência, deparam áreas de risco, mas podem obviar possíveis fracassos através da previsão e do emprego de meios adequados. Numa abrangente apreciação dos fatos é possível contornar os percalços que possam surgir. Os padrões de desempenho e de qualidade devem ser condizentes com o potencial próprio para não gerarem desânimo. São reservas de força íntima e não instrumentos para se tornar um herói. A incompletude, que anseios impossíveis parturejam, afeta a personalidade e pode levar à baixa estima pessoal. Tudo que é viável, porém, é mister seja realizado com coragem, força e prontidão. Para tanto é importante que se afastem sempre hipóteses fictícias e se estabeleça uma concentração coerente de forças, focadas no dever de cada hora, realizado este com empenho, eficácia e proficiência. Aí reside o potencial de sucesso de cada um, êxito advindo do cumprimento das incumbências prioritárias. É deste modo que se atinge um patamar mais elevado dos dons naturais que cada um possui e que fazem a diferença. Estas qualidades são tantas vezes subavaliadas! O segredo de uma vida saudável e útil é fazer da existência uma caminhada constante rumo a um objetivo específico, mensurável, realista. Se assim não for, ocorrerá um ziguezague com lampejos fortuitos, inconsistentes e frustrantes. Quem sabe, porém, marcar entrevistas consigo mesmo para reavaliar seus propósitos está sempre apto a superar as indesejadas imponderabilidades do cotidiano. Neste caso o indivíduo saberá como agir sem precisar reagir, o que poderia levar ao descontrole. Por outro lado, as postergações são fruto exatamente da falta de previsões positivas e objetivos motivadores que resultam em atuações disciplinadas e coerentes. Deste modo, são bloqueados os fatores de perturbação e neutralizadas as ações incoerentes. Isto fruto de um comportamento sistemático que comporta as flexibilidades naturais exigidas pelo evoluir dos fatos diários. Tudo isto significa desenvolver as forças sinergéticas, obstaculizando a dispersão e o temor perante fatos novos que soem ocorrer no dia a dia e as ações se tornam nesse caso criativas e não intempestivas. Nunca se lembra demais que fazer com prazer, com alegria interior, o que se deve, seja o que for, inclusive uma caminhada por exemplo, libera importantes substâncias neuroquímicas no corpo que reforçam os efeitos saudáveis de um bem-estar permanente. Fatores bastante negativos e que precisam ser diuturnamente combatido são a divagação e o devaneio, que não resultam em coisa alguma. Constituem fuga e acarretam o desperdício do tempo. Não se deve, porém, ter medo daquilo que separa os projetos viáveis da realidade, pois, do contrário eles nunca se realizarão. Na vida, é muitas vezes preferível levantar questões do que conhecer de plano todas as respostas. Adite-se que é feliz aquele que encontra encanto nas coisas simples e triviais da existência. Terezinha de Lisieux dizia que o segredo da perfeição é fazer de maneira extraordinária as coisas ordinárias da vida. Nunca se deve, além disto, abrir guerra a si mesmo. Apenas Deus é perfeito. Entretanto, perante a crítica alheia justa é sempre um erro cair na defensiva. De acordo com tudo isto, o importante é não se ter obsessão de ser feliz, dado que não se cria a felicidade, esta é conseqüência de uma sadia filosofia de vida. Apenas assim a ventura será como o ar que se respira. A felicidade é, em suma, a manifestação natural de uma vida isenta de estresse, como o sol que aquece naturalmente a terra quando as nuvens negras se dissipam. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Monday, March 06, 2006
Discernimento
DISCERNIMENTO, UMA QUESTÃO PRIMORDIAL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Importante na vida humana a faculdade de avaliar as coisas clara, distinta, adequada e sensatamente. Em tudo cumpre ter critério, tino, bom senso, sabedoria. Uma apreciação correta das pessoas e acontecimentos, fruto de uma análise cautelosa, indica inteligência, ou seja, ler dentro do que está ao derredor de cada um, sagacidade para separar o joio do trigo, perspicácia para não confundir gato com lebre. Cristo assim se expressou: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com o mesmo juízo com que julgardes, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, vos será medido” (Mt 7,1). Há pessoas que se transformam em palmatória do mundo e não cultivam o fruto da longanimidade (Gl 5,22). Têm medidas curtas e querem enquadrar a todos nos seus medíocres esquemas mentais. Que um historiador tenha em sua casa uma pirâmide, como lembrança de uma das sete maravilhas do mundo antigo, nada tem de mal. Superstição seria ter uma pirâmide para atrair sorte. Há pessoas, porém, que ao invés de penetrar nas províncias da arquitetura dos sábios egípcios, logo pensa em forças cósmicas e vai condenando os outros. Oferecer incenso a Deus, a Maria, aos anjos e santos num louvor para pedir proteção celeste é louvável. Condenável seria empregar o incenso para afastar malefícios ou algo semelhante. Cumpre perceber bem as intenções das pessoas e, sobretudo, não sair difamando o próximo. São Tiago é veemente: “Se alguém, sem refrear a língua, mas iludindo-se no seu coração, se julga religioso, é vã a sua religião” (Tg 1,26). Este Apóstolo ainda diz:“A língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. (Tg 3,6). Eis porque este admirável Bispo de Jerusalém assevera: “Quem no falar não peca, esse é perfeito, capaz de refrear o corpo inteiro” (Tg 3,2). É de bom alvitre que se modere no falar, pois a boca fala da abundância do coração, alertou Jesus (Mt 12,34). De fato, os lábios revelam o interior de cada um. O falar é o espelho da alma. Muitos se esquecem que transferem para os outros a maldade que está dentro de si e se condenam pelo que. destemperadamente. se põem a falar. Diz o livro dos Provérbios: “Morte e vida estão à mercê da língua (Pv 18,21). Dos julgamentos perversos, maldosos, surgem as mentiras, as fraudes, a duplicidade, a maledicência, a calúnia (Sl 10,7.51,2-6) e o palrador espalha isto contaminando a vida alheia. Diz Davi que muitos têm na boca uma espada cortante (Sl 57,5), uma flecha homicida, no dizer de Jeremias (Jr 9,7;18,18). A Bíblia, mostra em inúmeros outros textos que há os que proferem palavras injustas, mentirosas. É sabedoria celestial saber controlar as palavras para que elas não firam o próximo através de julgamentos apressados, inconsistentes e cruéis. As palavras moderadas são o bálsamo que corações nobres derramam por toda parte. O maligno ama denegrir os outros e se serve da língua dos incautos. É preciso ter sempre um coração sensível à voz do Espírito Santo. Isto é necessário porque a língua é uma arma muito perigosa que corta na profundidade da alma e só causa aborrecimentos. Com efeito, a pessoa que diz mentiras a respeito dos outros é tão perigosa quanto uma víbora. A difamação, é delito contra a honra alheia. O citado São Tiago diz ainda: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz.” (Tg 4,.11). Ninguém deve fazer declarações falsas sobre o caráter ou dos atos de outra pessoa. É preciso falar de modo justo e reto a respeito de quem quer que seja. É triste a situação do mexeriqueiro, pois é guiado não pelo Espírito Santo, mas pelo demônio. É necessário sempre pedir a Deus um modo de falar condimentado pela caridade e pela retidão. Aliás, é o conselho de São Paulo: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Nada como o equilíbrio no falar! O elogio está na Bíblia: .”De boas palavras transborda o meu coração... nos teus lábios se extravasou a graça; por isso Deus te abençoou para sempre.”(Sl 451,2). Eis por que se deve sempre orar com o salmista: ”Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios” (Sl 141,3)Tudo isto é importante porque “a boca do justo é manancial de vida...” (Pv 10.11). Muito honra um cristão o discernimento com que fala!* Professor no Seminário de Mariana – MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Importante na vida humana a faculdade de avaliar as coisas clara, distinta, adequada e sensatamente. Em tudo cumpre ter critério, tino, bom senso, sabedoria. Uma apreciação correta das pessoas e acontecimentos, fruto de uma análise cautelosa, indica inteligência, ou seja, ler dentro do que está ao derredor de cada um, sagacidade para separar o joio do trigo, perspicácia para não confundir gato com lebre. Cristo assim se expressou: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com o mesmo juízo com que julgardes, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, vos será medido” (Mt 7,1). Há pessoas que se transformam em palmatória do mundo e não cultivam o fruto da longanimidade (Gl 5,22). Têm medidas curtas e querem enquadrar a todos nos seus medíocres esquemas mentais. Que um historiador tenha em sua casa uma pirâmide, como lembrança de uma das sete maravilhas do mundo antigo, nada tem de mal. Superstição seria ter uma pirâmide para atrair sorte. Há pessoas, porém, que ao invés de penetrar nas províncias da arquitetura dos sábios egípcios, logo pensa em forças cósmicas e vai condenando os outros. Oferecer incenso a Deus, a Maria, aos anjos e santos num louvor para pedir proteção celeste é louvável. Condenável seria empregar o incenso para afastar malefícios ou algo semelhante. Cumpre perceber bem as intenções das pessoas e, sobretudo, não sair difamando o próximo. São Tiago é veemente: “Se alguém, sem refrear a língua, mas iludindo-se no seu coração, se julga religioso, é vã a sua religião” (Tg 1,26). Este Apóstolo ainda diz:“A língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. (Tg 3,6). Eis porque este admirável Bispo de Jerusalém assevera: “Quem no falar não peca, esse é perfeito, capaz de refrear o corpo inteiro” (Tg 3,2). É de bom alvitre que se modere no falar, pois a boca fala da abundância do coração, alertou Jesus (Mt 12,34). De fato, os lábios revelam o interior de cada um. O falar é o espelho da alma. Muitos se esquecem que transferem para os outros a maldade que está dentro de si e se condenam pelo que. destemperadamente. se põem a falar. Diz o livro dos Provérbios: “Morte e vida estão à mercê da língua (Pv 18,21). Dos julgamentos perversos, maldosos, surgem as mentiras, as fraudes, a duplicidade, a maledicência, a calúnia (Sl 10,7.51,2-6) e o palrador espalha isto contaminando a vida alheia. Diz Davi que muitos têm na boca uma espada cortante (Sl 57,5), uma flecha homicida, no dizer de Jeremias (Jr 9,7;18,18). A Bíblia, mostra em inúmeros outros textos que há os que proferem palavras injustas, mentirosas. É sabedoria celestial saber controlar as palavras para que elas não firam o próximo através de julgamentos apressados, inconsistentes e cruéis. As palavras moderadas são o bálsamo que corações nobres derramam por toda parte. O maligno ama denegrir os outros e se serve da língua dos incautos. É preciso ter sempre um coração sensível à voz do Espírito Santo. Isto é necessário porque a língua é uma arma muito perigosa que corta na profundidade da alma e só causa aborrecimentos. Com efeito, a pessoa que diz mentiras a respeito dos outros é tão perigosa quanto uma víbora. A difamação, é delito contra a honra alheia. O citado São Tiago diz ainda: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz.” (Tg 4,.11). Ninguém deve fazer declarações falsas sobre o caráter ou dos atos de outra pessoa. É preciso falar de modo justo e reto a respeito de quem quer que seja. É triste a situação do mexeriqueiro, pois é guiado não pelo Espírito Santo, mas pelo demônio. É necessário sempre pedir a Deus um modo de falar condimentado pela caridade e pela retidão. Aliás, é o conselho de São Paulo: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Nada como o equilíbrio no falar! O elogio está na Bíblia: .”De boas palavras transborda o meu coração... nos teus lábios se extravasou a graça; por isso Deus te abençoou para sempre.”(Sl 451,2). Eis por que se deve sempre orar com o salmista: ”Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios” (Sl 141,3)Tudo isto é importante porque “a boca do justo é manancial de vida...” (Pv 10.11). Muito honra um cristão o discernimento com que fala!* Professor no Seminário de Mariana – MG
A Transfiguração do Senhor
A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Extraordinário o acontecimento da Transfiguração de Jesus no monte Tabor. Percebe-se na narrativa de São Marcos (9, 2-10) a identidade profunda do Filho de Deus Encarnado. Fulge sua divindade que sua humanidade encobria, ou melhor se diria, que nossa pobre humanidade manchada pelo pecado original era incapaz de ver. O que se passou com os apóstolos, Pedro, Tiago e João, foi também uma clara transfiguração, pois seus olhos humanos passaram a contemplar um pouco da glória do Redentor. Cristo deixou, por um instante, a opacidade de sua carne mortal chancelada pela mácula herdada de Adão e Eva. Transpareceu, em todo fulgor, Sua santidade. Algo de seu esplendor eterno que a Páscoa, que foi então anunciada, deveria patentear e comunicar a todas as gerações cristãs. A mensagem central da Transfiguração de Jesus é a manifestação de sua glória em uma humanidade que o pecado do mundo haveria de crucificar, donde o anúncio de sua paixão feita aos atônitos discípulos ao descerem do monte santo. Aquele episódio era uma antecipação da condição gloriosa do Ressuscitado adquirida pelo sangue da cruz. Quem sabe ver no Desfigurado da Cruz a manifestação de sua dileção salvífica, pode contemplar o Transfigurado que nos inebria com seu Amor. O evento da Transfiguração é, portanto, também uma transformação de nosso olhar e de nosso coração. É um solene convite a ver a beleza de Deus que age no mundo, não obstante as desfigurações, as deturpações humanas que tantas vezes agridem as belezas que o Criador espalhou por toda parte. É um apelo a não se desprezar a obra redentora. Além disto, cumpre, por entre as naturais dificuldades da existência terrena, que se mire, pela fé e pela esperança, o fausto que espera quem crê e aguarda a vida eterna junto do Ser Supremo. Há, por tudo isto, um liame profundo entre a paixão de Cristo e sua magnificência no Tabor. Toda a Escritura, a Lei, bem simbolizada com a presença de Moisés, e os Profetas, representados por Elias, converge para um incrível Messias que seria crucificado no Calvário. Há um paralelo denso de sentido entre o Desfigurado e o Transfigurado, entre o Crucificado e o Ressuscitado. Nesta montanha sacrossanta, espaço simbólico da transcendência, lugar que junta o mundo de Deus ao mundo dos homens, sublimes verdades se revelam. A humanidade de Jesus transfigurada nos leva a Lhe dizer com o salmista: “De majestade e magnificência revestido, sois vós que distendeis a luz como um manto” (Sl 104,2), dado que a humanidade do Filho de Deus está iluminada pela sua divindade. É que Jesus veio para deificar a natureza humana. No ofertório da Missa, o Sacerdote, ao colocar a gota de água no cálice com o vinho que vai ser transusbstanciado no sangue de Cristo reza: “Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade daquele que se dignou assumir nossa humanidade”. Deus desceu até os homens para os fazer subir até Ele. A vocação humana consiste em viver de Deus e, ao viver de Deus, é que cada um se torna um ser humano na plenitude de sua dignidade, agindo não pelos instintos, não se deixando prendar na materialidade, no hedonismo. Em Jesus, nos é revelada inseparavelmente a humanidade de um Deus que se encarnou e a divinização do homem que passa a participar da própria natureza divina (2 Pd 1,4). Deste modo, humanidade e divindade não se excluem, pois, num excesso de bondade, Deus quis que houvesse uma participação real na sua divindade, o que ocorre pelo sacramento do Batismo. É sintomático que os mesmos discípulos que assistiram sua Transfiguração sejam os mesmos que estarão na sua Agonia. Cumpre passar primeiro pelo Calvário para se atingir a glória eterna. É preciso, conforme ordenou o Pai, escutar Jesus e O seguir, carregando a cruz de cada dia. Pela cruz, Jesus nos faz entrar no Amor que O une ao Pai e é este amor que transfigura os espaços de nossa vida desfigurados pelo pecado. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Extraordinário o acontecimento da Transfiguração de Jesus no monte Tabor. Percebe-se na narrativa de São Marcos (9, 2-10) a identidade profunda do Filho de Deus Encarnado. Fulge sua divindade que sua humanidade encobria, ou melhor se diria, que nossa pobre humanidade manchada pelo pecado original era incapaz de ver. O que se passou com os apóstolos, Pedro, Tiago e João, foi também uma clara transfiguração, pois seus olhos humanos passaram a contemplar um pouco da glória do Redentor. Cristo deixou, por um instante, a opacidade de sua carne mortal chancelada pela mácula herdada de Adão e Eva. Transpareceu, em todo fulgor, Sua santidade. Algo de seu esplendor eterno que a Páscoa, que foi então anunciada, deveria patentear e comunicar a todas as gerações cristãs. A mensagem central da Transfiguração de Jesus é a manifestação de sua glória em uma humanidade que o pecado do mundo haveria de crucificar, donde o anúncio de sua paixão feita aos atônitos discípulos ao descerem do monte santo. Aquele episódio era uma antecipação da condição gloriosa do Ressuscitado adquirida pelo sangue da cruz. Quem sabe ver no Desfigurado da Cruz a manifestação de sua dileção salvífica, pode contemplar o Transfigurado que nos inebria com seu Amor. O evento da Transfiguração é, portanto, também uma transformação de nosso olhar e de nosso coração. É um solene convite a ver a beleza de Deus que age no mundo, não obstante as desfigurações, as deturpações humanas que tantas vezes agridem as belezas que o Criador espalhou por toda parte. É um apelo a não se desprezar a obra redentora. Além disto, cumpre, por entre as naturais dificuldades da existência terrena, que se mire, pela fé e pela esperança, o fausto que espera quem crê e aguarda a vida eterna junto do Ser Supremo. Há, por tudo isto, um liame profundo entre a paixão de Cristo e sua magnificência no Tabor. Toda a Escritura, a Lei, bem simbolizada com a presença de Moisés, e os Profetas, representados por Elias, converge para um incrível Messias que seria crucificado no Calvário. Há um paralelo denso de sentido entre o Desfigurado e o Transfigurado, entre o Crucificado e o Ressuscitado. Nesta montanha sacrossanta, espaço simbólico da transcendência, lugar que junta o mundo de Deus ao mundo dos homens, sublimes verdades se revelam. A humanidade de Jesus transfigurada nos leva a Lhe dizer com o salmista: “De majestade e magnificência revestido, sois vós que distendeis a luz como um manto” (Sl 104,2), dado que a humanidade do Filho de Deus está iluminada pela sua divindade. É que Jesus veio para deificar a natureza humana. No ofertório da Missa, o Sacerdote, ao colocar a gota de água no cálice com o vinho que vai ser transusbstanciado no sangue de Cristo reza: “Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade daquele que se dignou assumir nossa humanidade”. Deus desceu até os homens para os fazer subir até Ele. A vocação humana consiste em viver de Deus e, ao viver de Deus, é que cada um se torna um ser humano na plenitude de sua dignidade, agindo não pelos instintos, não se deixando prendar na materialidade, no hedonismo. Em Jesus, nos é revelada inseparavelmente a humanidade de um Deus que se encarnou e a divinização do homem que passa a participar da própria natureza divina (2 Pd 1,4). Deste modo, humanidade e divindade não se excluem, pois, num excesso de bondade, Deus quis que houvesse uma participação real na sua divindade, o que ocorre pelo sacramento do Batismo. É sintomático que os mesmos discípulos que assistiram sua Transfiguração sejam os mesmos que estarão na sua Agonia. Cumpre passar primeiro pelo Calvário para se atingir a glória eterna. É preciso, conforme ordenou o Pai, escutar Jesus e O seguir, carregando a cruz de cada dia. Pela cruz, Jesus nos faz entrar no Amor que O une ao Pai e é este amor que transfigura os espaços de nossa vida desfigurados pelo pecado. * Professor no Seminário de Mariana - MG