Wednesday, March 08, 2006

 

Alvoroço em torno da verticalização

ALVOROÇO EM TORNO DA VERTICALIZAÇÃO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Grande a turbulência causada pelo Tribunal Superior Eleitoral de exigir a permanência da verticalização. A decisão deve se transformar numa batalha jurídica já que o Congresso aprovou o fim da obrigatoriedade da reprodução nos Estados da aliança estabelecida pelos partidos para Presidência da República
Fica a impressão de uma manifestação do fenômeno global de dominação por parte de certos setores. O que parece ter sido instaurado, definitivamente, é uma especulação sem limites num momento de hipercomplexidade social, quando já é minguante e frustrante a lista para a escolha daquele que será sufragado nas urnas como Presidente da República.
Como asseverou Roberto Mangabeira Unger, “A verticalização é um daqueles sepulcros caiados da democracia que proliferam no país. Parece o que não é: homenagem sadia à consistência dos partidos. Na realidade, atenta contra a integridade da República e da Federação e inibe o surgimento de alternativas nacionais”.
Pressões subliminares já estavam em curso a reger de maneira cada vez, mas sonambúlica a população, sujeita à manipulação dos poderosos.
A verdade é que os eventos não surgem destramados do enunciado linear do discurso oficial, mas estão sempre agregados em configurações essencialmente complexas, muitas vezes repelindo a concretização de proposições que entram em conflito com um plano eleitoral traçado ao qual circunstâncias dão contornos muito vivos.
Cumpre apreender a dimensão total do que está ocorrendo no atual contexto político. Na diagnose do que significará a mudança em pauta com relação aos riscos da continuidade é preciso muito bom senso e, sobretudo, que não se perca tempo.
Que haja totais condições para os partidos se rearmarem e prosseguirem na sua marcha vitoriosa contra a imposição governamental no que tange a seus candidatos. As contradições emergentes devem ser sondadas a fundo para que se evitem os bloqueios que inviabilizem as transformações necessárias.
Não se pode, neste instante, apenas contornar os paradoxos que surgem e que aparecerão até outubro os quais aparecem no seio de um processo eleitoral e no lapso da sua vigência. Qualquer manobra, seja de quem for, no sentido de prejudicar objetivamente qualquer candidato em benefício dos ungidos do partido do Planalto, deve ser corajosamente denunciada. Ao se querer a verdade por sobre a normativa, na conciliação entre o ideal futuro e a realidade do presente o que se deve pretender é evitar o recrudescimento do continuísmo. Cumpre uma considerável sensibilidade ao percurso dos eventos para se detectar a argúcia daqueles que querem ganhar a eleição a qualquer preço. Que aconteça, isto sim, uma progressão lógica em tudo que se fizer até às eleições. * Professor no Seminário de Mariana - mg

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