Tuesday, March 14, 2006
A influência de Feuerbach
A INFLUÊNCIA PERNICIOSA DE FEUERBACH
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Um dos autores mais perniciosos do século XIX foi o alemão Ludwig Feuerbach. Foi graças a suas idéias que se cunhou a idéia de que a religião é alienante, tese até hoje, infelizmente defendida pelos inimigos de Deus. O pensamento de Feuerbach se traduz em uma crítica ferina ao cristianismo. Para ele os deuses são uma criação dos homens para compensar suas necessidades psíquicas e, deste modo, conclui que Deus seria uma projeção do próprio ser humano. O materialismo borbulha na obra feuerbachiana. De acordo com este filósofo, o homem projeta as qualidades positivas que possui em si numa pessoa divina e dela faz uma realidade subsistente, perante a qual sente-se esmagado como um nada. Deus é, assim, uma evasão, uma fuga, uma tela que esconde o homem. Entorpece suas possibilidades. Feuerbach firma-se em Hegel, no qual buscou a palavra alienação. O homem reflete num ser imaginável tudo que possui de melhor e cria um ente infinitamente bom, justo, belo, poderoso. No instante em que o homem retomar o que transferir para Deus ele será o seu próprio Deus, afirmou num momento do mais nefasto orgulho.. Eis aí uma tese basilar do marxismo e subjacente aos ateístas posteriores. Marx viu na tese feuerbachiana a base sólida para um genuíno humanismo. Muitas de suas idéias são o eco do que leu em Feuerbach. Após tal leitura, ele sustentava: “O homem é que faz a religião e a religião o homem”. Ele se propõe vivificar pelo método dialético de Hegel a filosofia materialista e humanista de Feuerbach. A religião é para ele uma alucinação patológica. G. Siewerth patenteia que para Marx, “a fé em Deus é, pois, ao mesmo tempo, uma divisão da consciência e uma ilusão. Urge, portanto, desmascarar esta ilusão a fim de restituir ao homem a dignidade perdida da sua interioridade infinita”. É o calamitoso materialismo prático. Escreve ele: “A luta contra a religião implica a luta contra o mundo do qual a religião é o aroma espiritual”. Como verdadeiro discípulo de Feuerbach, Marx conclui que a adesão a Deus tira ao homem a consciência de sua grandeza: é uma alienação. Eis sua afirmativa contundente: “Mais o homem coloca realidade em Deus e tanto menos resta de si mesmo”. A ação de um Deus Supremo impede sua independência total. Sua emancipação exige a priori a morte de Deus. É exatamente o trabalho que permite ao homem construir-se enquanto homem. Fica claro, pois, que o ateísmo não é acidental ao marxismo, sendo impossível ser um “bom” marxista, permanecendo crente. Marx é taxativo: “O ateísmo é uma negação a Deus e por esta negação coloca a existência humana”. Entre a razão e a fé o conflito é peremptório. Diria depois Lénine: “O marxismo é o materialismo. Por este título ele é tão implacavelmente hostil à religião, quanto o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach”. Prossegue ele: “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. Não se trata de um conselho facultativo. Fala categoricamente: “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”. É a própria religião, sob a forma mais pura, que o marxismo considera como alheação perigosa da qüididade do homem. O comunismo, que foi o herdeiro mais fiel de Karl Marx, se revelou, pois, em lógica conseqüência, intransigente neste ponto. O ateísmo não é em Marx uma superestrutura. A própria consciência que o homem tem de si exclui, completamente, a possibilidade de Deus. Daí ser um erro primário querer abstrair dos escritos de Marx o ateísmo. É desestruturá-los. Não há meio termo. Há uma contestação terminante à Transcendência. Foi isto que ignoraram os que aderiram à Teologia da Libertação sob bases marxistas, provocando discussões estéreis para justificar o injustificável.; * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Um dos autores mais perniciosos do século XIX foi o alemão Ludwig Feuerbach. Foi graças a suas idéias que se cunhou a idéia de que a religião é alienante, tese até hoje, infelizmente defendida pelos inimigos de Deus. O pensamento de Feuerbach se traduz em uma crítica ferina ao cristianismo. Para ele os deuses são uma criação dos homens para compensar suas necessidades psíquicas e, deste modo, conclui que Deus seria uma projeção do próprio ser humano. O materialismo borbulha na obra feuerbachiana. De acordo com este filósofo, o homem projeta as qualidades positivas que possui em si numa pessoa divina e dela faz uma realidade subsistente, perante a qual sente-se esmagado como um nada. Deus é, assim, uma evasão, uma fuga, uma tela que esconde o homem. Entorpece suas possibilidades. Feuerbach firma-se em Hegel, no qual buscou a palavra alienação. O homem reflete num ser imaginável tudo que possui de melhor e cria um ente infinitamente bom, justo, belo, poderoso. No instante em que o homem retomar o que transferir para Deus ele será o seu próprio Deus, afirmou num momento do mais nefasto orgulho.. Eis aí uma tese basilar do marxismo e subjacente aos ateístas posteriores. Marx viu na tese feuerbachiana a base sólida para um genuíno humanismo. Muitas de suas idéias são o eco do que leu em Feuerbach. Após tal leitura, ele sustentava: “O homem é que faz a religião e a religião o homem”. Ele se propõe vivificar pelo método dialético de Hegel a filosofia materialista e humanista de Feuerbach. A religião é para ele uma alucinação patológica. G. Siewerth patenteia que para Marx, “a fé em Deus é, pois, ao mesmo tempo, uma divisão da consciência e uma ilusão. Urge, portanto, desmascarar esta ilusão a fim de restituir ao homem a dignidade perdida da sua interioridade infinita”. É o calamitoso materialismo prático. Escreve ele: “A luta contra a religião implica a luta contra o mundo do qual a religião é o aroma espiritual”. Como verdadeiro discípulo de Feuerbach, Marx conclui que a adesão a Deus tira ao homem a consciência de sua grandeza: é uma alienação. Eis sua afirmativa contundente: “Mais o homem coloca realidade em Deus e tanto menos resta de si mesmo”. A ação de um Deus Supremo impede sua independência total. Sua emancipação exige a priori a morte de Deus. É exatamente o trabalho que permite ao homem construir-se enquanto homem. Fica claro, pois, que o ateísmo não é acidental ao marxismo, sendo impossível ser um “bom” marxista, permanecendo crente. Marx é taxativo: “O ateísmo é uma negação a Deus e por esta negação coloca a existência humana”. Entre a razão e a fé o conflito é peremptório. Diria depois Lénine: “O marxismo é o materialismo. Por este título ele é tão implacavelmente hostil à religião, quanto o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach”. Prossegue ele: “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. Não se trata de um conselho facultativo. Fala categoricamente: “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”. É a própria religião, sob a forma mais pura, que o marxismo considera como alheação perigosa da qüididade do homem. O comunismo, que foi o herdeiro mais fiel de Karl Marx, se revelou, pois, em lógica conseqüência, intransigente neste ponto. O ateísmo não é em Marx uma superestrutura. A própria consciência que o homem tem de si exclui, completamente, a possibilidade de Deus. Daí ser um erro primário querer abstrair dos escritos de Marx o ateísmo. É desestruturá-los. Não há meio termo. Há uma contestação terminante à Transcendência. Foi isto que ignoraram os que aderiram à Teologia da Libertação sob bases marxistas, provocando discussões estéreis para justificar o injustificável.; * Professor no Seminário de Mariana - MG