Monday, March 06, 2006
Discernimento
DISCERNIMENTO, UMA QUESTÃO PRIMORDIAL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Importante na vida humana a faculdade de avaliar as coisas clara, distinta, adequada e sensatamente. Em tudo cumpre ter critério, tino, bom senso, sabedoria. Uma apreciação correta das pessoas e acontecimentos, fruto de uma análise cautelosa, indica inteligência, ou seja, ler dentro do que está ao derredor de cada um, sagacidade para separar o joio do trigo, perspicácia para não confundir gato com lebre. Cristo assim se expressou: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com o mesmo juízo com que julgardes, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, vos será medido” (Mt 7,1). Há pessoas que se transformam em palmatória do mundo e não cultivam o fruto da longanimidade (Gl 5,22). Têm medidas curtas e querem enquadrar a todos nos seus medíocres esquemas mentais. Que um historiador tenha em sua casa uma pirâmide, como lembrança de uma das sete maravilhas do mundo antigo, nada tem de mal. Superstição seria ter uma pirâmide para atrair sorte. Há pessoas, porém, que ao invés de penetrar nas províncias da arquitetura dos sábios egípcios, logo pensa em forças cósmicas e vai condenando os outros. Oferecer incenso a Deus, a Maria, aos anjos e santos num louvor para pedir proteção celeste é louvável. Condenável seria empregar o incenso para afastar malefícios ou algo semelhante. Cumpre perceber bem as intenções das pessoas e, sobretudo, não sair difamando o próximo. São Tiago é veemente: “Se alguém, sem refrear a língua, mas iludindo-se no seu coração, se julga religioso, é vã a sua religião” (Tg 1,26). Este Apóstolo ainda diz:“A língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. (Tg 3,6). Eis porque este admirável Bispo de Jerusalém assevera: “Quem no falar não peca, esse é perfeito, capaz de refrear o corpo inteiro” (Tg 3,2). É de bom alvitre que se modere no falar, pois a boca fala da abundância do coração, alertou Jesus (Mt 12,34). De fato, os lábios revelam o interior de cada um. O falar é o espelho da alma. Muitos se esquecem que transferem para os outros a maldade que está dentro de si e se condenam pelo que. destemperadamente. se põem a falar. Diz o livro dos Provérbios: “Morte e vida estão à mercê da língua (Pv 18,21). Dos julgamentos perversos, maldosos, surgem as mentiras, as fraudes, a duplicidade, a maledicência, a calúnia (Sl 10,7.51,2-6) e o palrador espalha isto contaminando a vida alheia. Diz Davi que muitos têm na boca uma espada cortante (Sl 57,5), uma flecha homicida, no dizer de Jeremias (Jr 9,7;18,18). A Bíblia, mostra em inúmeros outros textos que há os que proferem palavras injustas, mentirosas. É sabedoria celestial saber controlar as palavras para que elas não firam o próximo através de julgamentos apressados, inconsistentes e cruéis. As palavras moderadas são o bálsamo que corações nobres derramam por toda parte. O maligno ama denegrir os outros e se serve da língua dos incautos. É preciso ter sempre um coração sensível à voz do Espírito Santo. Isto é necessário porque a língua é uma arma muito perigosa que corta na profundidade da alma e só causa aborrecimentos. Com efeito, a pessoa que diz mentiras a respeito dos outros é tão perigosa quanto uma víbora. A difamação, é delito contra a honra alheia. O citado São Tiago diz ainda: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz.” (Tg 4,.11). Ninguém deve fazer declarações falsas sobre o caráter ou dos atos de outra pessoa. É preciso falar de modo justo e reto a respeito de quem quer que seja. É triste a situação do mexeriqueiro, pois é guiado não pelo Espírito Santo, mas pelo demônio. É necessário sempre pedir a Deus um modo de falar condimentado pela caridade e pela retidão. Aliás, é o conselho de São Paulo: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Nada como o equilíbrio no falar! O elogio está na Bíblia: .”De boas palavras transborda o meu coração... nos teus lábios se extravasou a graça; por isso Deus te abençoou para sempre.”(Sl 451,2). Eis por que se deve sempre orar com o salmista: ”Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios” (Sl 141,3)Tudo isto é importante porque “a boca do justo é manancial de vida...” (Pv 10.11). Muito honra um cristão o discernimento com que fala!* Professor no Seminário de Mariana – MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Importante na vida humana a faculdade de avaliar as coisas clara, distinta, adequada e sensatamente. Em tudo cumpre ter critério, tino, bom senso, sabedoria. Uma apreciação correta das pessoas e acontecimentos, fruto de uma análise cautelosa, indica inteligência, ou seja, ler dentro do que está ao derredor de cada um, sagacidade para separar o joio do trigo, perspicácia para não confundir gato com lebre. Cristo assim se expressou: “Não julgueis e não sereis julgados, porque com o mesmo juízo com que julgardes, sereis julgados, e com a medida com que medirdes, vos será medido” (Mt 7,1). Há pessoas que se transformam em palmatória do mundo e não cultivam o fruto da longanimidade (Gl 5,22). Têm medidas curtas e querem enquadrar a todos nos seus medíocres esquemas mentais. Que um historiador tenha em sua casa uma pirâmide, como lembrança de uma das sete maravilhas do mundo antigo, nada tem de mal. Superstição seria ter uma pirâmide para atrair sorte. Há pessoas, porém, que ao invés de penetrar nas províncias da arquitetura dos sábios egípcios, logo pensa em forças cósmicas e vai condenando os outros. Oferecer incenso a Deus, a Maria, aos anjos e santos num louvor para pedir proteção celeste é louvável. Condenável seria empregar o incenso para afastar malefícios ou algo semelhante. Cumpre perceber bem as intenções das pessoas e, sobretudo, não sair difamando o próximo. São Tiago é veemente: “Se alguém, sem refrear a língua, mas iludindo-se no seu coração, se julga religioso, é vã a sua religião” (Tg 1,26). Este Apóstolo ainda diz:“A língua é um fogo, um mundo de iniqüidade. (Tg 3,6). Eis porque este admirável Bispo de Jerusalém assevera: “Quem no falar não peca, esse é perfeito, capaz de refrear o corpo inteiro” (Tg 3,2). É de bom alvitre que se modere no falar, pois a boca fala da abundância do coração, alertou Jesus (Mt 12,34). De fato, os lábios revelam o interior de cada um. O falar é o espelho da alma. Muitos se esquecem que transferem para os outros a maldade que está dentro de si e se condenam pelo que. destemperadamente. se põem a falar. Diz o livro dos Provérbios: “Morte e vida estão à mercê da língua (Pv 18,21). Dos julgamentos perversos, maldosos, surgem as mentiras, as fraudes, a duplicidade, a maledicência, a calúnia (Sl 10,7.51,2-6) e o palrador espalha isto contaminando a vida alheia. Diz Davi que muitos têm na boca uma espada cortante (Sl 57,5), uma flecha homicida, no dizer de Jeremias (Jr 9,7;18,18). A Bíblia, mostra em inúmeros outros textos que há os que proferem palavras injustas, mentirosas. É sabedoria celestial saber controlar as palavras para que elas não firam o próximo através de julgamentos apressados, inconsistentes e cruéis. As palavras moderadas são o bálsamo que corações nobres derramam por toda parte. O maligno ama denegrir os outros e se serve da língua dos incautos. É preciso ter sempre um coração sensível à voz do Espírito Santo. Isto é necessário porque a língua é uma arma muito perigosa que corta na profundidade da alma e só causa aborrecimentos. Com efeito, a pessoa que diz mentiras a respeito dos outros é tão perigosa quanto uma víbora. A difamação, é delito contra a honra alheia. O citado São Tiago diz ainda: “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz.” (Tg 4,.11). Ninguém deve fazer declarações falsas sobre o caráter ou dos atos de outra pessoa. É preciso falar de modo justo e reto a respeito de quem quer que seja. É triste a situação do mexeriqueiro, pois é guiado não pelo Espírito Santo, mas pelo demônio. É necessário sempre pedir a Deus um modo de falar condimentado pela caridade e pela retidão. Aliás, é o conselho de São Paulo: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Nada como o equilíbrio no falar! O elogio está na Bíblia: .”De boas palavras transborda o meu coração... nos teus lábios se extravasou a graça; por isso Deus te abençoou para sempre.”(Sl 451,2). Eis por que se deve sempre orar com o salmista: ”Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios” (Sl 141,3)Tudo isto é importante porque “a boca do justo é manancial de vida...” (Pv 10.11). Muito honra um cristão o discernimento com que fala!* Professor no Seminário de Mariana – MG