Thursday, March 23, 2006
A Igreja e o ateísmo contemporâneo
A IGREJA E O ATEÍSMO CONTEMPORÂNEO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A Igreja inquieta-se com o ateísmo contemporâneo. Paulo VI, nos primeiros anos da segunda metade do século passado, estabelecendo em abril de 1965 o Secretariado para os não-crentes, realizava concretamente uma das metas que ele mesmo tinha assinado em sua encíclica-programa, de 6 de agosto de 1964, “Ecclesiam suam”: estimular o diálogo não somente entre todos os cristãos e crentes de todas as religiões, mas também entre todos os homens indiferentes, ateus e não-crentes. Ele deu impulso a este Secretariado e conscientizou o orbe cristão de que o ateismo é uma preocupação pastoral. O papa impulsionou a instituição de Secretariados nacionais. Tratava-se de conhecer através da vida, das produções nacionais, dos atos políticos, todas as formas segundo as quais maturam as convicções dos não-crentes. No dia 29 de março de 1967, ao comunicar aos bispos do mundo inteiro o programa dos cinco itens propostos ao Sínodo, formulava o papa, em primeiro lugar, este: aspecto: “os perigos encontrados pela Fé e as diversas formas do ateísmo”. A Igreja está, portanto, ciente da gravidade do problema. A visualização do mundo do ateísmo por parte dela no-la apresenta o documento conciliar “Gaudium et Spes”, que nos ensina ser o ateísmo no mundo moderno um sintoma hoje gravíssimo que deve ser submetido a exame diligente, pois são multidões, cada vez mais numerosas, que litigam contra a religião. Foi o mesmo papa Paulo VI que, em alocução de 29 de junho de 1963, se referia a isto, patenteando que, ao vislumbrar a humanidade, contempla-se o ateísmo perturbando o ordenamento das coisas no que tange à cultura da mente, aos costumes e à vida social, de maneira que a reta noção da ordem é deixada de lado. Quanto mais se torna clara a luminosidade que jorra das ciências das coisas, obscurece-se, infelizmente, a ciência de Deus. A tristeza, a solidão e o desespero vão deixando seqüelas. Tudo isto, no dizer do papa, caracterizava lassidão e senectude reinante no século XX. Era a ausência da fé na vida e no que a esta é um suporte, a saber: a certeza da existência de um Deus justo e bom. As causas do ateísmo são apontadas: incúria religiosa, errônea concepção de Deus; o materialismo, as mazelas hodiernas; a reação contra as religiões e, sobretudo, a cristã; a exaltação exagerada da técnica que incentiva o ateísmo. Entre as modalidades de ateísmo o Concílio na “Gaudium et Spes” aponta o agnosticismo; o humanismo; o relativismo; o ateísmo sistemático, que faz o homem único artífice de sua própria história. A posição da Igreja é claramente afirmada neste documento: rejeita firmemente o ateísmo. Doutrina que o acatamento de Deus não se opõe à dignidade do homem. Confia no seu anúncio salvífico, iluminador de uma sã escatologia e que não diminui a valorização das atividades profissionais. Concita aos ateus a se interessarem para reedificar o mundo e, por isto, a eles chama para um debate. Deplora a discriminação entre os crentes e não-crentes que alguns governantes introduzem injustamente. Prega a liberdade religiosa. Os remédios indicados são: mais clara exposição do ensinamento de Cristo, a fé ativa, a caridade fraterna. Julga que é irreconciliável o reconhecimento de Deus com a idéia do homem autônomo, fim para si, único construtor de sua história, o que é favorecido pela ambição de poder que a tecnologia confere ao homem. O Papa João Paulo II em seus numerosos escritos e pregações e, agora, o Papa Bento XVI orientam a humanidade sobre a importância da crença em Deus, Criador de tudo, que merece sempre toda honra e toda glória. Longe dele, só desgraças e desventuras, recordam tais sábios Pontífice! * Professor no Seminário de Mariana – MG- http://www.blogger.com/home
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A Igreja inquieta-se com o ateísmo contemporâneo. Paulo VI, nos primeiros anos da segunda metade do século passado, estabelecendo em abril de 1965 o Secretariado para os não-crentes, realizava concretamente uma das metas que ele mesmo tinha assinado em sua encíclica-programa, de 6 de agosto de 1964, “Ecclesiam suam”: estimular o diálogo não somente entre todos os cristãos e crentes de todas as religiões, mas também entre todos os homens indiferentes, ateus e não-crentes. Ele deu impulso a este Secretariado e conscientizou o orbe cristão de que o ateismo é uma preocupação pastoral. O papa impulsionou a instituição de Secretariados nacionais. Tratava-se de conhecer através da vida, das produções nacionais, dos atos políticos, todas as formas segundo as quais maturam as convicções dos não-crentes. No dia 29 de março de 1967, ao comunicar aos bispos do mundo inteiro o programa dos cinco itens propostos ao Sínodo, formulava o papa, em primeiro lugar, este: aspecto: “os perigos encontrados pela Fé e as diversas formas do ateísmo”. A Igreja está, portanto, ciente da gravidade do problema. A visualização do mundo do ateísmo por parte dela no-la apresenta o documento conciliar “Gaudium et Spes”, que nos ensina ser o ateísmo no mundo moderno um sintoma hoje gravíssimo que deve ser submetido a exame diligente, pois são multidões, cada vez mais numerosas, que litigam contra a religião. Foi o mesmo papa Paulo VI que, em alocução de 29 de junho de 1963, se referia a isto, patenteando que, ao vislumbrar a humanidade, contempla-se o ateísmo perturbando o ordenamento das coisas no que tange à cultura da mente, aos costumes e à vida social, de maneira que a reta noção da ordem é deixada de lado. Quanto mais se torna clara a luminosidade que jorra das ciências das coisas, obscurece-se, infelizmente, a ciência de Deus. A tristeza, a solidão e o desespero vão deixando seqüelas. Tudo isto, no dizer do papa, caracterizava lassidão e senectude reinante no século XX. Era a ausência da fé na vida e no que a esta é um suporte, a saber: a certeza da existência de um Deus justo e bom. As causas do ateísmo são apontadas: incúria religiosa, errônea concepção de Deus; o materialismo, as mazelas hodiernas; a reação contra as religiões e, sobretudo, a cristã; a exaltação exagerada da técnica que incentiva o ateísmo. Entre as modalidades de ateísmo o Concílio na “Gaudium et Spes” aponta o agnosticismo; o humanismo; o relativismo; o ateísmo sistemático, que faz o homem único artífice de sua própria história. A posição da Igreja é claramente afirmada neste documento: rejeita firmemente o ateísmo. Doutrina que o acatamento de Deus não se opõe à dignidade do homem. Confia no seu anúncio salvífico, iluminador de uma sã escatologia e que não diminui a valorização das atividades profissionais. Concita aos ateus a se interessarem para reedificar o mundo e, por isto, a eles chama para um debate. Deplora a discriminação entre os crentes e não-crentes que alguns governantes introduzem injustamente. Prega a liberdade religiosa. Os remédios indicados são: mais clara exposição do ensinamento de Cristo, a fé ativa, a caridade fraterna. Julga que é irreconciliável o reconhecimento de Deus com a idéia do homem autônomo, fim para si, único construtor de sua história, o que é favorecido pela ambição de poder que a tecnologia confere ao homem. O Papa João Paulo II em seus numerosos escritos e pregações e, agora, o Papa Bento XVI orientam a humanidade sobre a importância da crença em Deus, Criador de tudo, que merece sempre toda honra e toda glória. Longe dele, só desgraças e desventuras, recordam tais sábios Pontífice! * Professor no Seminário de Mariana – MG- http://www.blogger.com/home