Saturday, March 25, 2006
Divagações políticas
DIVAGAÇÕES POLÍTICAS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Apesar dos pesares, mesmo os que não se simpatizam com o atual Presidente da República reconhecem que o ex-líder sindical é inteligente, tem um peculiar charme pessoal e sabe conservar sua popularidade. A própria blindagem de sua figura, não obstante toda crise política,é fruto exatamente deste tripé. Com efeito, ele se fez inatacável: nunca viu nada, nunca soube de nada, nunca se envolveu com nada. Embora seja muitas vezes repetitivo é um improvisador genial, pois fala de tudo e em qualquer circunstância como se fora o maior expert, qual outro Pico della Mirandola do século XXI Na argúcia política deixa longe os mais ferrenhos adversários e a oposição fala, esbraveja, mas não prova nem comprova algo que atinja a honra pessoal deste enigmático torneiro mecânico cujo gênio e engenho político não se pode negar. Entrará para a História como o primeiro presidente realmente popular que fascinou as multidões e sempre retrucou com irônicas palavras seus desafetos políticos. Sua escola foi a pobreza e sua maior façanha foi fundar um Partido Político que chegou ao poder, se meteu nas maiores encrencas, mas não levou de roldão o Chefe maior, cuja missão há de ser redimir um filho que foi degenerado por maus companheiros, mas que poderá se erguer das cinzas como um cisne glorioso. Para muitos ele se tornou o “Walesa da América Latina”, e, por isto mesmo, tem causado tanto impacto mundo todo. Não apenas por suas corajosas viagens e seus pronunciamentos contundentes, mas sobretudo pela sua figura singular. Este articulista tem ficado impressionado, pois nas suas idas a várias partes da Europa, nos meses de julho, antes, ao se identificar como brasileiro, logo os circunstantes lembravam o Cristo Redentor, ou o Carnaval, ou Pelé e, em rodas mais cultas, D. Helder Câmara, Tarcísio Padilha, Dom Luciano. Nos últimos anos, porém, logo vem a pergunta: “Como vai o Brasil de Lula”?! A grande responsabilidade, porém, deste novo chefe popular é a esperança que despertou e que ainda não se esvaiu de todo, não obstante a situação social no Brasil não tenha atingido os patamares que foram prometidos. Persistem as desigualdades sociais e o assistencialismo de certo modo macula a ação presidencial. O método e o estilo lulista, porém, vão levando de roldão os acontecimentos e ele mais parece um trator nas ínvias estradas da política nacional. Com sua experiência sindical, quando começa a falar não para e, como poucos, sabe controlar as situações mais embaraçosas. Personagens que pareciam invioláveis caíram, mas ele continua de pé e ainda sustenta o quase insustentável ministro oriundo da “República de Ribeirão Preto”, ao qual tem prestado reverências as mais entusiásticas possíveis. É um mestre, não há dúvida, do diálogo social e estabilizou a trancos e barrancos a economia brasileiras, mesmo deixando mais pobre a maioria da população. O choque de credibilidade na economia, não está à altura da confiabilidade política que despertou, isto devido aos imbróglios que a cada passo envolvem pessoas ligadas diretamente ao Planalto, muitas justamente afastadas devido as turbulências que causaram as CPIs. Para acarretar um impacto mais favorável e imprimir no imaginário popular uma imagem simpática, Lula prefere se comparar a JK, não obstante os contextos serem outros e a dinâmica pessoal também ser completamente diferente. Estes dias, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal William Joseph Levada, desejava que os políticos católicos levassem a sério a sua fé. Pois bem, o Presidente da República tem se mostrado muitas vezes supersticioso. É só ver, por exemplo, no Google “Lula e urucubaca” que se encontram inúmeras referências a este tema. Por tudo isto, controvertida é a postura do atual Chefe da Nação que, no entanto, está sempre na crista da onda e tem chances de ser reeleito, ainda que muitos que sufragaram o seu nome nas última eleições, decepcionados, não venham a repetir este voto. * Professor no Seminário de Mariana.- MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Apesar dos pesares, mesmo os que não se simpatizam com o atual Presidente da República reconhecem que o ex-líder sindical é inteligente, tem um peculiar charme pessoal e sabe conservar sua popularidade. A própria blindagem de sua figura, não obstante toda crise política,é fruto exatamente deste tripé. Com efeito, ele se fez inatacável: nunca viu nada, nunca soube de nada, nunca se envolveu com nada. Embora seja muitas vezes repetitivo é um improvisador genial, pois fala de tudo e em qualquer circunstância como se fora o maior expert, qual outro Pico della Mirandola do século XXI Na argúcia política deixa longe os mais ferrenhos adversários e a oposição fala, esbraveja, mas não prova nem comprova algo que atinja a honra pessoal deste enigmático torneiro mecânico cujo gênio e engenho político não se pode negar. Entrará para a História como o primeiro presidente realmente popular que fascinou as multidões e sempre retrucou com irônicas palavras seus desafetos políticos. Sua escola foi a pobreza e sua maior façanha foi fundar um Partido Político que chegou ao poder, se meteu nas maiores encrencas, mas não levou de roldão o Chefe maior, cuja missão há de ser redimir um filho que foi degenerado por maus companheiros, mas que poderá se erguer das cinzas como um cisne glorioso. Para muitos ele se tornou o “Walesa da América Latina”, e, por isto mesmo, tem causado tanto impacto mundo todo. Não apenas por suas corajosas viagens e seus pronunciamentos contundentes, mas sobretudo pela sua figura singular. Este articulista tem ficado impressionado, pois nas suas idas a várias partes da Europa, nos meses de julho, antes, ao se identificar como brasileiro, logo os circunstantes lembravam o Cristo Redentor, ou o Carnaval, ou Pelé e, em rodas mais cultas, D. Helder Câmara, Tarcísio Padilha, Dom Luciano. Nos últimos anos, porém, logo vem a pergunta: “Como vai o Brasil de Lula”?! A grande responsabilidade, porém, deste novo chefe popular é a esperança que despertou e que ainda não se esvaiu de todo, não obstante a situação social no Brasil não tenha atingido os patamares que foram prometidos. Persistem as desigualdades sociais e o assistencialismo de certo modo macula a ação presidencial. O método e o estilo lulista, porém, vão levando de roldão os acontecimentos e ele mais parece um trator nas ínvias estradas da política nacional. Com sua experiência sindical, quando começa a falar não para e, como poucos, sabe controlar as situações mais embaraçosas. Personagens que pareciam invioláveis caíram, mas ele continua de pé e ainda sustenta o quase insustentável ministro oriundo da “República de Ribeirão Preto”, ao qual tem prestado reverências as mais entusiásticas possíveis. É um mestre, não há dúvida, do diálogo social e estabilizou a trancos e barrancos a economia brasileiras, mesmo deixando mais pobre a maioria da população. O choque de credibilidade na economia, não está à altura da confiabilidade política que despertou, isto devido aos imbróglios que a cada passo envolvem pessoas ligadas diretamente ao Planalto, muitas justamente afastadas devido as turbulências que causaram as CPIs. Para acarretar um impacto mais favorável e imprimir no imaginário popular uma imagem simpática, Lula prefere se comparar a JK, não obstante os contextos serem outros e a dinâmica pessoal também ser completamente diferente. Estes dias, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal William Joseph Levada, desejava que os políticos católicos levassem a sério a sua fé. Pois bem, o Presidente da República tem se mostrado muitas vezes supersticioso. É só ver, por exemplo, no Google “Lula e urucubaca” que se encontram inúmeras referências a este tema. Por tudo isto, controvertida é a postura do atual Chefe da Nação que, no entanto, está sempre na crista da onda e tem chances de ser reeleito, ainda que muitos que sufragaram o seu nome nas última eleições, decepcionados, não venham a repetir este voto. * Professor no Seminário de Mariana.- MG