Thursday, April 27, 2006
Liberdade e libertinagem
LIBERDADE E LIBERTINAGEM
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Diante dos despautérios contra as Religiões, os quais estão sendo divulgados na mídia em geral, ou seja, no conjunto dos meios de comunicação, incluindo diferentes veículos, recursos e técnicas, como, jornal, revistas, rádio, televisão, cinema, outdoors, páginas impressas, propaganda, mala-direta, balão inflável, textos em site da Internet, se faz oportuno discernir entre liberdade de expressão e libertinagem. Ao caráter de orgia, a qual caracteriza a agressão aos sentimentos religiosos, se aliam a mentira, a agressividade, o racismo, a intolerância. Não se trata de se estabelecer entraves ou proibições, mas de se educar a responsabilidade social não apenas dos que formam a opinião pública, mas também de cada cidadão. Violações e ataques aos valores que sustentam a dignidade do ser humano devem ser rotuladas de libertinagem e não do uso racional da liberdade. A legalidade e a legitimidade daquilo que se propaga estão vinculadas a direitos inalienáveis de cada um e das comunidades humanas. Uma profunda insensibilidade social é marca registrada daquele que não tem um caráter bem formado. Por certo os atos terroristas cometidos em vasta escala mundo todo, a corrupção que campeia mormente no setor político, a proliferação das ações dos traficantes de drogas, as extorsões facilitadas pelos recursos eletrônicos, mas, sobretudo, o materialismo imperante, o hedonismo reinante explicam o atual descalabro social . Como a religião é o alicerce da ética, da moralidade dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, está sendo ela agredida de uma maneira infame em nome da liberdade de pensamento. Insolentes insultos às crenças religiosas são um lamentável sintoma da decadência de uma civilização. É uma causa ignóbil tramar contra os direitos do Ser Supremo. A liberdade de expressão tem seus limites exatamente demarcados pela Lei natural impressa por Deus no íntimo de cada coração. Há um perigo muito sério de, em nome de uma falsa liberdade, dar cordas a todo tipo de libertinagem, a qual não se fundamenta em nenhum princípio, norma ou inspiração verdadeiramente filosófica. A regulamentação jurídica do uso dos meios de comunicação social é imperiosa sob pena de se justificar a propaganda da guerra, da pornografia, da violência. Os ataques à Religião devem servir de diagnóstico para que maiores males sejam obviados. Em nome da liberdade de expressão não se pode permitir inclusive a manipulação da saúde mental dos telespectadores e dos leitores em geral. A ética da mídia decorre da responsabilidade dos jornalistas e de seja quem for que se comunica enquanto atores sociais. São todos responsáveis pela verdade dos fatos, pela circulação das informações que chegam ao público. Não há liberdade de expressão sem o respeito a princípios básicos que inclusive salvaguardam a própria liberdade de expressão. Códigos de deontologia são necessários no exercício de qualquer profissão ou atividade humana. Portanto, há deveres que qualquer comunicador deve observar. Para agir, todo cidadão tem necessidade de se situar na Cidade dos homens e respeitar inteiramente seus semelhantes. Precisa ter um conhecimento seguro das leis que regulam uma sociedade composta por seres dotados de razão. Cumpre, por isto mesmo, se batalhe por uma ética da comunicação. Funda-se na natureza do homem, enquanto ser finito, psíquico-corpóreo, racional e social, o fato de sua liberdade não poder ser ilimitada, conforme o pretendem o liberalismo e, mais ainda, o anarquismo e o antinomismo. A liberdade de expressão oral, de imprensa não pode ir tão longe que constitua uma ameaça real para a Comunidade e para os valores que estão confiados à sua guarda. A norma suprema é esta: deve-se usar a liberdade com responsabilidade, pois do contrário estará configurada a condenável libertinagem, indigna do ser racional e danosa sob todos os sentidos à ordem social. * Professor no Seminário de Mariana – MG.
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Diante dos despautérios contra as Religiões, os quais estão sendo divulgados na mídia em geral, ou seja, no conjunto dos meios de comunicação, incluindo diferentes veículos, recursos e técnicas, como, jornal, revistas, rádio, televisão, cinema, outdoors, páginas impressas, propaganda, mala-direta, balão inflável, textos em site da Internet, se faz oportuno discernir entre liberdade de expressão e libertinagem. Ao caráter de orgia, a qual caracteriza a agressão aos sentimentos religiosos, se aliam a mentira, a agressividade, o racismo, a intolerância. Não se trata de se estabelecer entraves ou proibições, mas de se educar a responsabilidade social não apenas dos que formam a opinião pública, mas também de cada cidadão. Violações e ataques aos valores que sustentam a dignidade do ser humano devem ser rotuladas de libertinagem e não do uso racional da liberdade. A legalidade e a legitimidade daquilo que se propaga estão vinculadas a direitos inalienáveis de cada um e das comunidades humanas. Uma profunda insensibilidade social é marca registrada daquele que não tem um caráter bem formado. Por certo os atos terroristas cometidos em vasta escala mundo todo, a corrupção que campeia mormente no setor político, a proliferação das ações dos traficantes de drogas, as extorsões facilitadas pelos recursos eletrônicos, mas, sobretudo, o materialismo imperante, o hedonismo reinante explicam o atual descalabro social . Como a religião é o alicerce da ética, da moralidade dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, está sendo ela agredida de uma maneira infame em nome da liberdade de pensamento. Insolentes insultos às crenças religiosas são um lamentável sintoma da decadência de uma civilização. É uma causa ignóbil tramar contra os direitos do Ser Supremo. A liberdade de expressão tem seus limites exatamente demarcados pela Lei natural impressa por Deus no íntimo de cada coração. Há um perigo muito sério de, em nome de uma falsa liberdade, dar cordas a todo tipo de libertinagem, a qual não se fundamenta em nenhum princípio, norma ou inspiração verdadeiramente filosófica. A regulamentação jurídica do uso dos meios de comunicação social é imperiosa sob pena de se justificar a propaganda da guerra, da pornografia, da violência. Os ataques à Religião devem servir de diagnóstico para que maiores males sejam obviados. Em nome da liberdade de expressão não se pode permitir inclusive a manipulação da saúde mental dos telespectadores e dos leitores em geral. A ética da mídia decorre da responsabilidade dos jornalistas e de seja quem for que se comunica enquanto atores sociais. São todos responsáveis pela verdade dos fatos, pela circulação das informações que chegam ao público. Não há liberdade de expressão sem o respeito a princípios básicos que inclusive salvaguardam a própria liberdade de expressão. Códigos de deontologia são necessários no exercício de qualquer profissão ou atividade humana. Portanto, há deveres que qualquer comunicador deve observar. Para agir, todo cidadão tem necessidade de se situar na Cidade dos homens e respeitar inteiramente seus semelhantes. Precisa ter um conhecimento seguro das leis que regulam uma sociedade composta por seres dotados de razão. Cumpre, por isto mesmo, se batalhe por uma ética da comunicação. Funda-se na natureza do homem, enquanto ser finito, psíquico-corpóreo, racional e social, o fato de sua liberdade não poder ser ilimitada, conforme o pretendem o liberalismo e, mais ainda, o anarquismo e o antinomismo. A liberdade de expressão oral, de imprensa não pode ir tão longe que constitua uma ameaça real para a Comunidade e para os valores que estão confiados à sua guarda. A norma suprema é esta: deve-se usar a liberdade com responsabilidade, pois do contrário estará configurada a condenável libertinagem, indigna do ser racional e danosa sob todos os sentidos à ordem social. * Professor no Seminário de Mariana – MG.
Wednesday, April 26, 2006
Ousadia dos descrentes
A OUSADIA DOS DESCRENTES
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Continuam os protestos contra as injúrias à Mãe de Jesus e a outros símbolos religiosos em nossa pátria. A ousadia dos descrentes prossegue e, na verdade, com a cobertura do atual Governo. Não bastasse a corrupção que paira neste contexto da vida republicana, agora o Ministro de Estado da Cultura divulgou dia 24 de abril uma nota à imprensa na qual ”o Ministério da Cultura estranha a censura feita à obra de Márcia X, na exposição Erótica, no CCBB do Rio de Janeiro” (sic) . Afirma então que “segundo a Constituição Brasileira, é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Contudo, apresentar órgãos sexuais utilizando-se do sagrado Rosário de Nossa Senhora para uma exposição erótica é um verdadeiro absurdo, um acinte ao sentimento religioso do povo brasileiro. Os descrentes não podem difamar e a atacar as crenças alheias.. Alguns deles estão orientados contra a Igreja católica, levando a pornografia até mesmo para as figuras venerandas dos santos e sobretudo da Virgem Maria. Evidenciam a componente mais torpe da natureza humana decaída pelo pecado e agridem violentamente o que há de mais caro aos católicos. Não obstante o respeito pela livre expressão possa exigir a tolerância, até a um determinado ponto, há limites que o próprio bom senso mostra que devem ser observados. Onde for necessário, a intervenção da autoridade pública deveria estabelecer e aplicar reprimendas razoáveis para aquilo que se pode dizer ou fazer e não aprovar tais atitudes indignas e ímpias. É preciso, urgentemente, que as autoridades e os grupos ligados à Igreja tenham coragem de protestar contra este estado de coisas. É pelo menos desconcertante não distinguir o que é excêntrico , o abuso do ultraje às práticas devocionais. A maioria dos países europeus tem em seu estatuto jurídico leis e disposições legais para reprimir o que define como atos blasfemos ou insulto à religião. Na Dinamarca, onde foram publicadas as charges de Maomé que provocaram uma onda de protestos violentos no mundo islâmico, o Código Penal pune aquele que "ofender ou insultar publicamente uma religião reconhecida no país". O termo "ato blasfemo", considerado uma injúria dirigida a Deus e aos santos, é usado por alguns Estados europeus, que, de um modo geral, legislam contra o "ultraje à religião e à incitação ao ódio religioso". Na Finlândia, a punição é de até seis meses de prisão a quem disser "blasfêmias publicamente contra Deus" ou profanar lugares considerados sagrados, como as igrejas. Na Holanda, a lei exige que o ato ou a blasfêmia tenha sido organizado de maneira premeditada. Na Áustria, a blasfêmia é perseguida por lei. O cartunista Gerhard Haderer autor de uma série satírica sobre "A vida de Jesus", foi condenado na Grécia.. As leis gregas, cujo Estado não é separado da Igreja Ortodoxa, punem o delito de "insulto às religiões por meio da imprensa".Na Espanha, uma lei reprime até com multa o delito de "ofensa às convicções religiosas", enquanto na Itália a punição é contra "o ultraje à religião" e "à incitação ao ódio entre as religiões". Na Polônia, castiga-se qualquer pessoa que ofender as crenças religiosas de outras pessoas e, na Rússia, a "incitação ao ódio nacionalista, racial ou religioso" pode custar ao autor entre dois a quatro anos de cadeia.Em 2005, o diretor do Museu Sajarov, Yuri Samodurov, foi condenado a pagar 2.800 euros de multa por ter organizado uma exposição anticlerical. Na Alemanha, o Código Penal prevê até três anos de reclusão em caso de insulto a uma "sociedade religiosa ou associação com uma própria concepção do mundo". Em Portugal, a lei pune quem ofender publicamente as crenças religiosas chegando a perturbar a ordem pública e, na Noruega, também se castiga com até seis meses de prisão os que atentarem contra as crenças religiosas. No Brasil, o, Governo é a favor do insulto à Igreja católica! As eleições estão chegando e cumpre não votar naqueles que não respeitam a Religião. * Professor no Seminário de Mariana
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
Continuam os protestos contra as injúrias à Mãe de Jesus e a outros símbolos religiosos em nossa pátria. A ousadia dos descrentes prossegue e, na verdade, com a cobertura do atual Governo. Não bastasse a corrupção que paira neste contexto da vida republicana, agora o Ministro de Estado da Cultura divulgou dia 24 de abril uma nota à imprensa na qual ”o Ministério da Cultura estranha a censura feita à obra de Márcia X, na exposição Erótica, no CCBB do Rio de Janeiro” (sic) . Afirma então que “segundo a Constituição Brasileira, é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Contudo, apresentar órgãos sexuais utilizando-se do sagrado Rosário de Nossa Senhora para uma exposição erótica é um verdadeiro absurdo, um acinte ao sentimento religioso do povo brasileiro. Os descrentes não podem difamar e a atacar as crenças alheias.. Alguns deles estão orientados contra a Igreja católica, levando a pornografia até mesmo para as figuras venerandas dos santos e sobretudo da Virgem Maria. Evidenciam a componente mais torpe da natureza humana decaída pelo pecado e agridem violentamente o que há de mais caro aos católicos. Não obstante o respeito pela livre expressão possa exigir a tolerância, até a um determinado ponto, há limites que o próprio bom senso mostra que devem ser observados. Onde for necessário, a intervenção da autoridade pública deveria estabelecer e aplicar reprimendas razoáveis para aquilo que se pode dizer ou fazer e não aprovar tais atitudes indignas e ímpias. É preciso, urgentemente, que as autoridades e os grupos ligados à Igreja tenham coragem de protestar contra este estado de coisas. É pelo menos desconcertante não distinguir o que é excêntrico , o abuso do ultraje às práticas devocionais. A maioria dos países europeus tem em seu estatuto jurídico leis e disposições legais para reprimir o que define como atos blasfemos ou insulto à religião. Na Dinamarca, onde foram publicadas as charges de Maomé que provocaram uma onda de protestos violentos no mundo islâmico, o Código Penal pune aquele que "ofender ou insultar publicamente uma religião reconhecida no país". O termo "ato blasfemo", considerado uma injúria dirigida a Deus e aos santos, é usado por alguns Estados europeus, que, de um modo geral, legislam contra o "ultraje à religião e à incitação ao ódio religioso". Na Finlândia, a punição é de até seis meses de prisão a quem disser "blasfêmias publicamente contra Deus" ou profanar lugares considerados sagrados, como as igrejas. Na Holanda, a lei exige que o ato ou a blasfêmia tenha sido organizado de maneira premeditada. Na Áustria, a blasfêmia é perseguida por lei. O cartunista Gerhard Haderer autor de uma série satírica sobre "A vida de Jesus", foi condenado na Grécia.. As leis gregas, cujo Estado não é separado da Igreja Ortodoxa, punem o delito de "insulto às religiões por meio da imprensa".Na Espanha, uma lei reprime até com multa o delito de "ofensa às convicções religiosas", enquanto na Itália a punição é contra "o ultraje à religião" e "à incitação ao ódio entre as religiões". Na Polônia, castiga-se qualquer pessoa que ofender as crenças religiosas de outras pessoas e, na Rússia, a "incitação ao ódio nacionalista, racial ou religioso" pode custar ao autor entre dois a quatro anos de cadeia.Em 2005, o diretor do Museu Sajarov, Yuri Samodurov, foi condenado a pagar 2.800 euros de multa por ter organizado uma exposição anticlerical. Na Alemanha, o Código Penal prevê até três anos de reclusão em caso de insulto a uma "sociedade religiosa ou associação com uma própria concepção do mundo". Em Portugal, a lei pune quem ofender publicamente as crenças religiosas chegando a perturbar a ordem pública e, na Noruega, também se castiga com até seis meses de prisão os que atentarem contra as crenças religiosas. No Brasil, o, Governo é a favor do insulto à Igreja católica! As eleições estão chegando e cumpre não votar naqueles que não respeitam a Religião. * Professor no Seminário de Mariana
Tuesday, April 25, 2006
Solidariedade humana
SOLIDARIEDADE HUMANA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
São Paulo aos romanos ensinava: “O amor é o cumprimento perfeito da lei” ( Rm 13,10) e este clama pelo equilíbrio social o qual supõe solidariedade humana.Cumpre ao Estado eminentemente cristão, antes de tudo e sobretudo, garantir ao cidadão o pleno desenvolvimento de sua personalidade e todos os meios necessários à expressão de sua dignidade. O que ocorre, porém, é que os pobres se acham em situações de miséria e opressão submetidos à exploração econômica dos ricos e à tirania estatal, quase sempre a serviço da elite dominante. Se percorremos a História do Brasil, percebemos que, após o domínio da Metrópole portuguesa, o 7 de setembro significou apenas a independência política de Portugal, porque o Brasil continuou sob a dependência econômica da Inglaterra, depois dos Estados Unidos. Veio, posteriormente o contexto das multinacionais e agora, neste tempo da globalização, apenas dez por cento da humanidade goza dos benefícios do desenvolvimento que deve ser partilhado por todos. É preciso então uma opção política clara por um desenvolvimento que favoreça a maioria do povo que anseia por melhoria de condições de vida. Entretanto não é apenas o Estado o responsável pela elevação do nível de vida dos mais carentes. Este é um dever de cada membro da coletividade.
O homem é essencialmente solidário e dependente por natureza de outros homens. É natural ao ser racional entrar em comunhão com seus semelhantes, porque sem a ajuda mútua ele seria incapaz de viver e de se desenvolver material e espiritualmente. O meio social é para o homem como a atmosfera que ele respira. É tão necessário quanto a terra o é para a planta, a água para os peixes. Disto decorre a solidariedade social que deve estar presente, sobretudo onde ocorrem bolsões de pobreza, de doenças e de outras carências. Se o estado não cumpre seu papel ou o faz de maneira deficiente, se campeia a ganância das nações ricas do mundo, à luz do preceito de Cristo, cada um de nós deve agir em favor dos mais necessitados com espírito fraterno no meio em que vive.
Esta conduta resulta da aplicação eficaz da lei do amor que o Filho de Deus estabeleceu um dia lá no Cenáculo. A este nobre ideal se opõe de plano a ganância do lucro e o acúmulo exorbitante de capital, que supõe sempre a manutenção do status quo. O amor ao próximo exige que libertemos o que sofre de seus sofrimentos, que minoremos ou suavizemos os seus males e, especialmente, que ajudemos quem está imerso em dificuldades maiores.
Se o mero assistencialismo ou paternalismo devem ser ultrapassados, há casos em que ou se assiste quem está à míngua ou ele lastimavelmente virá a morrer. Uma ordem jurídica duradoura e estável depende deste esforço de todos para a superação das desigualdades.
Lembremo-nos que o opressor se apresenta na sociedade não apenas com as vestes do direito a favor dos poderosos, mas também com a túnica do empregador que paga mal, do que contrata uma funcionária doméstica e não assina a carteira profissional, daquele que desperdiça o tempo no serviço e não é eficiente, do estudante que não se prepara para ser um profissional competente, do indiferente que não protesta contra as injustiças.
É que a regra do amor ao próximo obriga, indistintamente, a todos e responsabiliza por omissão os que nada fazem para reverter processos iníquos. A responsabilidade de todos é que pode servir de garantia para que não haja exploração, desigualdade gritante, perversidades. Tal ideal será conseguido, apenas, com uma radical mudança de mentalidade que transforme inclusive o regime jurídico do qual a opressão e injustiça sejam, de todo, banidos. Tudo deve ser uma preocupação do epígono de Jesus, dado que o seu mandamento de amor exige uma tomada de posição ante tudo aquilo que significa o não-amor.
A verdade é que o desafio da erradicação da miséria, da expropriação, da doença e outros males sócio-econômicos ainda não encontrou mesmo em nossos dias estadistas que tivessem o suficiente amor e a coragem para arrostá-los de forma corajosa e integral, atuando em plenitude os ensinamentos do Mestre divino, decodificados através dos tempos pela doutrina social da Igreja.
* Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
São Paulo aos romanos ensinava: “O amor é o cumprimento perfeito da lei” ( Rm 13,10) e este clama pelo equilíbrio social o qual supõe solidariedade humana.Cumpre ao Estado eminentemente cristão, antes de tudo e sobretudo, garantir ao cidadão o pleno desenvolvimento de sua personalidade e todos os meios necessários à expressão de sua dignidade. O que ocorre, porém, é que os pobres se acham em situações de miséria e opressão submetidos à exploração econômica dos ricos e à tirania estatal, quase sempre a serviço da elite dominante. Se percorremos a História do Brasil, percebemos que, após o domínio da Metrópole portuguesa, o 7 de setembro significou apenas a independência política de Portugal, porque o Brasil continuou sob a dependência econômica da Inglaterra, depois dos Estados Unidos. Veio, posteriormente o contexto das multinacionais e agora, neste tempo da globalização, apenas dez por cento da humanidade goza dos benefícios do desenvolvimento que deve ser partilhado por todos. É preciso então uma opção política clara por um desenvolvimento que favoreça a maioria do povo que anseia por melhoria de condições de vida. Entretanto não é apenas o Estado o responsável pela elevação do nível de vida dos mais carentes. Este é um dever de cada membro da coletividade.
O homem é essencialmente solidário e dependente por natureza de outros homens. É natural ao ser racional entrar em comunhão com seus semelhantes, porque sem a ajuda mútua ele seria incapaz de viver e de se desenvolver material e espiritualmente. O meio social é para o homem como a atmosfera que ele respira. É tão necessário quanto a terra o é para a planta, a água para os peixes. Disto decorre a solidariedade social que deve estar presente, sobretudo onde ocorrem bolsões de pobreza, de doenças e de outras carências. Se o estado não cumpre seu papel ou o faz de maneira deficiente, se campeia a ganância das nações ricas do mundo, à luz do preceito de Cristo, cada um de nós deve agir em favor dos mais necessitados com espírito fraterno no meio em que vive.
Esta conduta resulta da aplicação eficaz da lei do amor que o Filho de Deus estabeleceu um dia lá no Cenáculo. A este nobre ideal se opõe de plano a ganância do lucro e o acúmulo exorbitante de capital, que supõe sempre a manutenção do status quo. O amor ao próximo exige que libertemos o que sofre de seus sofrimentos, que minoremos ou suavizemos os seus males e, especialmente, que ajudemos quem está imerso em dificuldades maiores.
Se o mero assistencialismo ou paternalismo devem ser ultrapassados, há casos em que ou se assiste quem está à míngua ou ele lastimavelmente virá a morrer. Uma ordem jurídica duradoura e estável depende deste esforço de todos para a superação das desigualdades.
Lembremo-nos que o opressor se apresenta na sociedade não apenas com as vestes do direito a favor dos poderosos, mas também com a túnica do empregador que paga mal, do que contrata uma funcionária doméstica e não assina a carteira profissional, daquele que desperdiça o tempo no serviço e não é eficiente, do estudante que não se prepara para ser um profissional competente, do indiferente que não protesta contra as injustiças.
É que a regra do amor ao próximo obriga, indistintamente, a todos e responsabiliza por omissão os que nada fazem para reverter processos iníquos. A responsabilidade de todos é que pode servir de garantia para que não haja exploração, desigualdade gritante, perversidades. Tal ideal será conseguido, apenas, com uma radical mudança de mentalidade que transforme inclusive o regime jurídico do qual a opressão e injustiça sejam, de todo, banidos. Tudo deve ser uma preocupação do epígono de Jesus, dado que o seu mandamento de amor exige uma tomada de posição ante tudo aquilo que significa o não-amor.
A verdade é que o desafio da erradicação da miséria, da expropriação, da doença e outros males sócio-econômicos ainda não encontrou mesmo em nossos dias estadistas que tivessem o suficiente amor e a coragem para arrostá-los de forma corajosa e integral, atuando em plenitude os ensinamentos do Mestre divino, decodificados através dos tempos pela doutrina social da Igreja.
* Professor no Seminário de Mariana - MG
Friday, April 21, 2006
Liões de Jesus Cristo
LIÇÕES DO MESTRE DIVINO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cristo foi claro ao declarar: “Dei-vos o exemplo para que como eu vos fiz, também vós o façais” ( Jo 13,15) Este seu clamor no Cenáculo, onde, lavando os pés dos seus apóstolos, Ele quis dar uma lição de humildade e do valor do serviço ao próximo, deve ecoar fundo nas mentes de todos. É um convite a uma profunda análise de nosso comportamento cristão. Hoje, mais do que nunca, a tarefa das pessoas responsáveis, sobretudo dos seguidores do Redentor, é fazer com que o preceito do amor pregado por Ele transforme a sociedade, afastando o paradoxo de estruturas abertamente antievangélicas. Combate enérgico às muitas situações de injustiça. Busca da mudança de tudo que significa opressão. Tão nobre objetivo só será conseguido exatamente pela aplicação plena, eficiente, autêntica, da regra de dileção ao próximo legada pelo Filho de Deus no seu testamento sublime. Atuação efetiva ao lado dos excluídos. Isto sem retórica e sem delongas. É angustiante contemplar uma minoria que detém o poder econômico, usufruindo regalias nababescas, enquanto a maior parte da população passa por horrípilas privações. Pauperismo institucionalizado que agride, violentamente, os mais elementares sentimentos humanos.Realidade dramática e dolorosa esta de um sem número de pessoas colocadas à margem do progresso econômico. A desigualdade, fruto da concentração das riquezas nas mãos de uns poucos, sustentado isto por uma legislação elitista e interpretada segundo o interesse dos poderosos. Vasto contingente humano sem o mínimo necessário à subsistência, resultado de um modelo econômico de pouca ou nenhuma sensibilidade social. Este problema não pode ser resolvido pela lei, a qual, manipulada pelos donos do poder, ignora a marginalização, a doença, o analfabetismo. Adite-se que, embora o destino do Direito seja a justiça, este, ainda que fosse ministrado corretamente, e nem sempre, infelizmente o é, não ultrapassaria seus limites. Apenas o amor vai muito além e faz do supérfluo do rico o que é devido aos mais carentes. Isto não por imposição, mas num gesto de dileção que rompe todas as barreiras e limitações.Trata-se da libertação da pobreza e da opressão, construindo-se uma sociedade mais justa que respeite os mais elementares direitos humanos. Este é o apelo do mestre que nos leva a aprofundar tema fundamental, sob pena do nosso cristianismo se transformar numa máscara, numa hipocrisia e, até mesmo, numa impostura, numa farsa. Cada batizado, no seu setor de trabalho, pode e deve ser o agente desta mudança necessária, urgente, imprescindível. Grandes economistas consideram como pobres os que possuem renda monetária até dois salários mínimos. Ora, nesta situação está nada menos que cerca de sessenta por cento da população brasileira economicamente ativa neste início de milênio. Isto quer dizer que mais de cinqüenta milhões de pessoas são realmente pobres, sendo que estas têm renda familiar inferior a meio salário mínimo! Se a esta verificação ajuntarmos o fato de que mais de trinta milhões de brasileiros vivem na mais absoluta penúria, o quadro é, de fato, aterrador. Não podemos ficar insensíveis ante tal realidade. Cumpre encararmos esta realidade, não apenas para agradecer a Deus o que possuímos, mas para nos conscientizarmos do que podemos fazer pelos outros sem prejuízo próprio, tentando reverter, na medida de nossas forças e de nossas possibilidades, tão triste espetáculo. A essência do amor proclamado por Cristo tem ampla dimensão, muito além da mera filantropia e da bondade, pois é o reconhecimento da igualdade entre as pessoas e a solidariedade que deve estar implícita no convívio social. Há necessidade não de migalhas humilhantes, como as da Bolsa Família, assistencialismo funesto. Cumpre oferecer outras alternativas ao povo brasileiro. Promoção social não ´é favor, é direito inalienável da população. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cristo foi claro ao declarar: “Dei-vos o exemplo para que como eu vos fiz, também vós o façais” ( Jo 13,15) Este seu clamor no Cenáculo, onde, lavando os pés dos seus apóstolos, Ele quis dar uma lição de humildade e do valor do serviço ao próximo, deve ecoar fundo nas mentes de todos. É um convite a uma profunda análise de nosso comportamento cristão. Hoje, mais do que nunca, a tarefa das pessoas responsáveis, sobretudo dos seguidores do Redentor, é fazer com que o preceito do amor pregado por Ele transforme a sociedade, afastando o paradoxo de estruturas abertamente antievangélicas. Combate enérgico às muitas situações de injustiça. Busca da mudança de tudo que significa opressão. Tão nobre objetivo só será conseguido exatamente pela aplicação plena, eficiente, autêntica, da regra de dileção ao próximo legada pelo Filho de Deus no seu testamento sublime. Atuação efetiva ao lado dos excluídos. Isto sem retórica e sem delongas. É angustiante contemplar uma minoria que detém o poder econômico, usufruindo regalias nababescas, enquanto a maior parte da população passa por horrípilas privações. Pauperismo institucionalizado que agride, violentamente, os mais elementares sentimentos humanos.Realidade dramática e dolorosa esta de um sem número de pessoas colocadas à margem do progresso econômico. A desigualdade, fruto da concentração das riquezas nas mãos de uns poucos, sustentado isto por uma legislação elitista e interpretada segundo o interesse dos poderosos. Vasto contingente humano sem o mínimo necessário à subsistência, resultado de um modelo econômico de pouca ou nenhuma sensibilidade social. Este problema não pode ser resolvido pela lei, a qual, manipulada pelos donos do poder, ignora a marginalização, a doença, o analfabetismo. Adite-se que, embora o destino do Direito seja a justiça, este, ainda que fosse ministrado corretamente, e nem sempre, infelizmente o é, não ultrapassaria seus limites. Apenas o amor vai muito além e faz do supérfluo do rico o que é devido aos mais carentes. Isto não por imposição, mas num gesto de dileção que rompe todas as barreiras e limitações.Trata-se da libertação da pobreza e da opressão, construindo-se uma sociedade mais justa que respeite os mais elementares direitos humanos. Este é o apelo do mestre que nos leva a aprofundar tema fundamental, sob pena do nosso cristianismo se transformar numa máscara, numa hipocrisia e, até mesmo, numa impostura, numa farsa. Cada batizado, no seu setor de trabalho, pode e deve ser o agente desta mudança necessária, urgente, imprescindível. Grandes economistas consideram como pobres os que possuem renda monetária até dois salários mínimos. Ora, nesta situação está nada menos que cerca de sessenta por cento da população brasileira economicamente ativa neste início de milênio. Isto quer dizer que mais de cinqüenta milhões de pessoas são realmente pobres, sendo que estas têm renda familiar inferior a meio salário mínimo! Se a esta verificação ajuntarmos o fato de que mais de trinta milhões de brasileiros vivem na mais absoluta penúria, o quadro é, de fato, aterrador. Não podemos ficar insensíveis ante tal realidade. Cumpre encararmos esta realidade, não apenas para agradecer a Deus o que possuímos, mas para nos conscientizarmos do que podemos fazer pelos outros sem prejuízo próprio, tentando reverter, na medida de nossas forças e de nossas possibilidades, tão triste espetáculo. A essência do amor proclamado por Cristo tem ampla dimensão, muito além da mera filantropia e da bondade, pois é o reconhecimento da igualdade entre as pessoas e a solidariedade que deve estar implícita no convívio social. Há necessidade não de migalhas humilhantes, como as da Bolsa Família, assistencialismo funesto. Cumpre oferecer outras alternativas ao povo brasileiro. Promoção social não ´é favor, é direito inalienável da população. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Saturday, April 15, 2006
CATÁLOGO DOS LIVROS DA BÍBLIA
CATÁLOGO DOS LIVROS DA BÍBLIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Enorme a celeuma causada pelo chamado Evangelho de Judas, cujo teor desde o início do cristianismo foi tido como espúrio. O fato de se ter encontrado uma cópia do mesmo em nada mudou esta apreciação de seu conteúdo. Os historiadores distinguem entre a crítica interna e externa de um documento. Este pode ser autêntico e seu conteúdo não corresponder à verdade histórica. É o que ocorre com citado texto que distorce inteiramente o que está nos quatro Evangelhos, reconhecidamente livros históricos. O que se está esquecendo é que o catálogo dos livros inspirados da Bíblia tem sua história. O termo cânon que vem do grego e significa régua de caniço que servia para medir distâncias, na linguagem eclesiástica passou a ser regra de fé ou de conduta. Daí foi aplicado às Escrituras, que contêm esta norma e, depois, ao elenco dos livros que as compõem. Canonicidade e inspiração são termos intimamente relacionados entre si, pois todo livro canônico é inspirado. Pode haver um livro inspirado que não seja canônico, como, por exemplo, se viessem a ser encontradas certas epístolas perdidas de São Paulo. Entretanto, como observam os melhores biblistas, “quanto à questão teórica da possibilidade de algum livro inspirado se haver perdido, é preciso distinguir entre livro apenas inspirado e livro canônico. Ora, não parece possível que se haja perdido um livro inspirado e canônico, isto é, já universalmente reconhecido e declarado inspirado pela Igreja, pois isto suporia que a Igreja não tenha sido fiel à sua missão de guardiã das fontes da revelação, o que é inadmissível”. Deste modo ao se falar em canonicidade implicitamente se está colocando a existência da inspiração, de uma Revelação formal e verdadeira e o pronunciamento da Igreja, ainda que tácito. Uma distinção importante é entre os livros protocanônicos e deuterocanônicos. Os primeiros são aqueles cuja inspiração nunca foi, com motivos plausíveis, colocada em dúvida, não havendo controvérsias sobre eles. Os outros foram questionados por alguma igreja particular e tiveram sua aceitação universal apenas depois de anos de controvérsias. Tais livros são equivocadamente chamados apócrifos. Os católicos chamam apócrifos livros não inspirados e que foram tidos como tais, como o citado Evangelho de Judas. Os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os dois livros dos Macabeus. Aditem-se os sete últimos capítulos de Ester e certas partes de Daniel: a prece de Azarias e o cântico dos três jovens na fornalha (Dan 3,24-90), a história de Suzana e a do ídolo Bel e do dragão (Dan 13,14). Há igualmente sete livros deuterocânonicos no Novo Testamento, a saber: a carta aos hebreus, as cartas de São Tiago e de São Judas, a segunda de São Pedro, a segunda e a terceira de São João, o Apocalipse e três fragmentos: o final de São Marcos (16,9-20), o episódio do suor de sangue em São Lucas (22,43-44), a cena da mulher adúltera em São João (7,53-8,11). As bíblias protestantes, porém, trazem este livros deuterocanônicos não, porém, os do Antigo Testamento. Quanto aos textos vétero-testamentários a Igreja os recebeu da Sinagoga. Não se pode precisar qual o critério que permitiu aos judeus fixar o seu cânon. É possível que Deus tenha revelado por algum meio quais os textos inspirados e isto pode se ter dado através dos profetas. Como os autores do Novo Testamento se serviam da tradução dos Setenta eles admitiam a inspiração dos livros deuterocanônicos. Estes até meados do século II foram aceitos sem reservas. Por circunstâncias históricas o cânon restrito começou a prevalecer. É que nas discussões com os judeus só se podia apelar para os protocanônicos. Assim nos séculos III e IV havia insegurança quanto a afirmativa da inspiração dos deuterocanônicos, tanto mais que os apócrifos eram, às vezes, apresentados como livros sagrados. O Concílio de Trento, na sessão de 8 de dezembro de 1546, definiu, uma vez por todas, a lista completa dos livros inspirados, sendo que o Concílio Vaticano I, na sessão de 24 de abril de 187030, ratificou a mesma doutrina. A Constituição Dogmática Dei Verbum do Vaticano II afirma: “Pela mesma tradição torna-se conhecido à Igreja o cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nela cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar atuantes”. Portanto, não há motivo algum para confusão, uma vez que sabemos pelo Magistério da Igreja quais livros são autênticos e cumpre ao católico não se deixar enganar pelos sensacionalismo da Imprensa. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Enorme a celeuma causada pelo chamado Evangelho de Judas, cujo teor desde o início do cristianismo foi tido como espúrio. O fato de se ter encontrado uma cópia do mesmo em nada mudou esta apreciação de seu conteúdo. Os historiadores distinguem entre a crítica interna e externa de um documento. Este pode ser autêntico e seu conteúdo não corresponder à verdade histórica. É o que ocorre com citado texto que distorce inteiramente o que está nos quatro Evangelhos, reconhecidamente livros históricos. O que se está esquecendo é que o catálogo dos livros inspirados da Bíblia tem sua história. O termo cânon que vem do grego e significa régua de caniço que servia para medir distâncias, na linguagem eclesiástica passou a ser regra de fé ou de conduta. Daí foi aplicado às Escrituras, que contêm esta norma e, depois, ao elenco dos livros que as compõem. Canonicidade e inspiração são termos intimamente relacionados entre si, pois todo livro canônico é inspirado. Pode haver um livro inspirado que não seja canônico, como, por exemplo, se viessem a ser encontradas certas epístolas perdidas de São Paulo. Entretanto, como observam os melhores biblistas, “quanto à questão teórica da possibilidade de algum livro inspirado se haver perdido, é preciso distinguir entre livro apenas inspirado e livro canônico. Ora, não parece possível que se haja perdido um livro inspirado e canônico, isto é, já universalmente reconhecido e declarado inspirado pela Igreja, pois isto suporia que a Igreja não tenha sido fiel à sua missão de guardiã das fontes da revelação, o que é inadmissível”. Deste modo ao se falar em canonicidade implicitamente se está colocando a existência da inspiração, de uma Revelação formal e verdadeira e o pronunciamento da Igreja, ainda que tácito. Uma distinção importante é entre os livros protocanônicos e deuterocanônicos. Os primeiros são aqueles cuja inspiração nunca foi, com motivos plausíveis, colocada em dúvida, não havendo controvérsias sobre eles. Os outros foram questionados por alguma igreja particular e tiveram sua aceitação universal apenas depois de anos de controvérsias. Tais livros são equivocadamente chamados apócrifos. Os católicos chamam apócrifos livros não inspirados e que foram tidos como tais, como o citado Evangelho de Judas. Os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os dois livros dos Macabeus. Aditem-se os sete últimos capítulos de Ester e certas partes de Daniel: a prece de Azarias e o cântico dos três jovens na fornalha (Dan 3,24-90), a história de Suzana e a do ídolo Bel e do dragão (Dan 13,14). Há igualmente sete livros deuterocânonicos no Novo Testamento, a saber: a carta aos hebreus, as cartas de São Tiago e de São Judas, a segunda de São Pedro, a segunda e a terceira de São João, o Apocalipse e três fragmentos: o final de São Marcos (16,9-20), o episódio do suor de sangue em São Lucas (22,43-44), a cena da mulher adúltera em São João (7,53-8,11). As bíblias protestantes, porém, trazem este livros deuterocanônicos não, porém, os do Antigo Testamento. Quanto aos textos vétero-testamentários a Igreja os recebeu da Sinagoga. Não se pode precisar qual o critério que permitiu aos judeus fixar o seu cânon. É possível que Deus tenha revelado por algum meio quais os textos inspirados e isto pode se ter dado através dos profetas. Como os autores do Novo Testamento se serviam da tradução dos Setenta eles admitiam a inspiração dos livros deuterocanônicos. Estes até meados do século II foram aceitos sem reservas. Por circunstâncias históricas o cânon restrito começou a prevalecer. É que nas discussões com os judeus só se podia apelar para os protocanônicos. Assim nos séculos III e IV havia insegurança quanto a afirmativa da inspiração dos deuterocanônicos, tanto mais que os apócrifos eram, às vezes, apresentados como livros sagrados. O Concílio de Trento, na sessão de 8 de dezembro de 1546, definiu, uma vez por todas, a lista completa dos livros inspirados, sendo que o Concílio Vaticano I, na sessão de 24 de abril de 187030, ratificou a mesma doutrina. A Constituição Dogmática Dei Verbum do Vaticano II afirma: “Pela mesma tradição torna-se conhecido à Igreja o cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nela cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar atuantes”. Portanto, não há motivo algum para confusão, uma vez que sabemos pelo Magistério da Igreja quais livros são autênticos e cumpre ao católico não se deixar enganar pelos sensacionalismo da Imprensa. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Monday, April 10, 2006
Abstinência de carne e não de peixe
ABSTINÊNCIA DE CARNE E NÃO DE PEIXE
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Com o aproximar da sexta-feira santa muitos indagam deste articulista o motivo pelo qual há abstinência de carne e não de peixe. Desde os tempos pré-históricos houve uma predileção especial do ser humano para a chamada carne vermelha. Este um fato tão antigo quanto a humanidade. Estudos feitos por cientistas das arcadas dentárias do homem das cavernas confirmam esta tese. Desenhos rupestres mostram o homem caçador em busca deste alimento, sempre considerado como fortalecedor do organismo. Há de se acrescentar o gosto especial que retém esta comida de alto valor calórico. Mesmo tendo aprimorado aos poucos a agricultura não foi abolida a carne no cardápio de todos os tempos. Até em nossos dias, apesar dos nutricionistas insistirem no valor nutritivo do peixe, este hábito permanece constante. Os restaurantes ampliam seu menu oferecendo apetitosos churrascos, deliciosos bifes, ou seja, fatias, em geral arredondada, de carne bovina, cortadas, por via de regra, do filé, da alcatra, que é frita ou grelhada, e servida individualmente, com o molho da própria carne ou com outro. Relacionam-se nos cardápios chatobriã, medalhão, turnedô, escalope e rosbife. Encontram-se por toda parte o bife a cavalo, ou seja bife com ovos fritos, também conhecido como o bife à Camões; o bife à milanesa; o bife a pé, ou bife com ovos e batatas fritas; o bife de carne moída ou o hambúrger; o bife de chapa, preparado ao calor de chapa de metal, ou de frigideira com pouca gordura; o bife de panela; o quibe, iguaria árabe, geralmente feita de carne moída e trigo integral, e temperada com hortelã-pimenta e outros condimentos com fatias de carne refogadas e cozidas em molho; o bife enrolado ou cortado fino, envolto em toucinho, cenoura e outros condimentos e ensopado, também conhecido como o bife rolê, ou simplesmente rolê; o bife panado que é o bife a milanesa. Isto sem falar no bolinhos de carne ou também de outros pratos feitos com carne passada na máquina, temperada com cebola, salsa, mostarda. Tudo isto sem falar nos outros inúmeros pratos feitos com carne de outros animais. Privar-se destes saborosos alimentos com espírito de penitência é sumamente agradável a Deus, purificando o homem de seus pecados inclusive da gula. No início do cristianismo os dias de jejum e abstinência de carne eram a quarta e a sexta-feira. Estão mencionados na Didaqué, catecismo dos primeiros cristãos do século II (8,1). Eram denominados com imagem militar: dias de vigília, ou seja, vigília com o Senhor que sofreu. O sínodo de Elvira na Espanha pelo ano de 306 menciona, além disso, um jejum do sábado e, sem dúvida, já neste período tal dia de jejum e abstinência tornou-se uso também na Igreja romana. Com o passar dos tempos tal prática foi se abrandando. Hoje, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstêm de carne ou outro alimento, ou praticam alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo há o jejum e a abstinência de carne obrigatórias. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia. Tal é a Legislação complementar da CNBB quanto aos cânones 1251 e 1253. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade e à lei do jejum todos os maiores de idade, ou seja, quem completou 18 anos até os sessenta anos começados. A Igreja, porém, insiste que se forme o genuíno sentido da penitência e não se caia num formalismo deletério. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Com o aproximar da sexta-feira santa muitos indagam deste articulista o motivo pelo qual há abstinência de carne e não de peixe. Desde os tempos pré-históricos houve uma predileção especial do ser humano para a chamada carne vermelha. Este um fato tão antigo quanto a humanidade. Estudos feitos por cientistas das arcadas dentárias do homem das cavernas confirmam esta tese. Desenhos rupestres mostram o homem caçador em busca deste alimento, sempre considerado como fortalecedor do organismo. Há de se acrescentar o gosto especial que retém esta comida de alto valor calórico. Mesmo tendo aprimorado aos poucos a agricultura não foi abolida a carne no cardápio de todos os tempos. Até em nossos dias, apesar dos nutricionistas insistirem no valor nutritivo do peixe, este hábito permanece constante. Os restaurantes ampliam seu menu oferecendo apetitosos churrascos, deliciosos bifes, ou seja, fatias, em geral arredondada, de carne bovina, cortadas, por via de regra, do filé, da alcatra, que é frita ou grelhada, e servida individualmente, com o molho da própria carne ou com outro. Relacionam-se nos cardápios chatobriã, medalhão, turnedô, escalope e rosbife. Encontram-se por toda parte o bife a cavalo, ou seja bife com ovos fritos, também conhecido como o bife à Camões; o bife à milanesa; o bife a pé, ou bife com ovos e batatas fritas; o bife de carne moída ou o hambúrger; o bife de chapa, preparado ao calor de chapa de metal, ou de frigideira com pouca gordura; o bife de panela; o quibe, iguaria árabe, geralmente feita de carne moída e trigo integral, e temperada com hortelã-pimenta e outros condimentos com fatias de carne refogadas e cozidas em molho; o bife enrolado ou cortado fino, envolto em toucinho, cenoura e outros condimentos e ensopado, também conhecido como o bife rolê, ou simplesmente rolê; o bife panado que é o bife a milanesa. Isto sem falar no bolinhos de carne ou também de outros pratos feitos com carne passada na máquina, temperada com cebola, salsa, mostarda. Tudo isto sem falar nos outros inúmeros pratos feitos com carne de outros animais. Privar-se destes saborosos alimentos com espírito de penitência é sumamente agradável a Deus, purificando o homem de seus pecados inclusive da gula. No início do cristianismo os dias de jejum e abstinência de carne eram a quarta e a sexta-feira. Estão mencionados na Didaqué, catecismo dos primeiros cristãos do século II (8,1). Eram denominados com imagem militar: dias de vigília, ou seja, vigília com o Senhor que sofreu. O sínodo de Elvira na Espanha pelo ano de 306 menciona, além disso, um jejum do sábado e, sem dúvida, já neste período tal dia de jejum e abstinência tornou-se uso também na Igreja romana. Com o passar dos tempos tal prática foi se abrandando. Hoje, toda sexta-feira do ano é dia de penitência, a não ser que coincida com solenidade do calendário litúrgico. Os fiéis nesse dia se abstêm de carne ou outro alimento, ou praticam alguma forma de penitência, principalmente obra de caridade ou exercício de piedade. Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, memória da Paixão e Morte de Cristo há o jejum e a abstinência de carne obrigatórias. A abstinência pode ser substituída pelos próprios fiéis por outra prática de penitência, caridade ou piedade, particularmente pela participação nesses dias na Sagrada Liturgia. Tal é a Legislação complementar da CNBB quanto aos cânones 1251 e 1253. Estão obrigados à lei da abstinência aqueles que tiverem completado catorze anos de idade e à lei do jejum todos os maiores de idade, ou seja, quem completou 18 anos até os sessenta anos começados. A Igreja, porém, insiste que se forme o genuíno sentido da penitência e não se caia num formalismo deletério. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Wednesday, April 05, 2006
Bom senso necessário
BOM SENSO NECESSÁRIO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Quem assistiu pela televisão a posse dos novos Ministros e ouviu a fala presidencial deve ter ficado impressionado. Foi uma salada, pois se tratou de tudo com muita empáfia.A frase que mais se ouviu, aliás já repetida inúmeras vezes Brasil a fora, foi esta: “Ninguém na História desta República fez tanto como este governo”! Isto nas mais diversas atividades governamentais! É o caso de se repetir: “Acredite quem quiser”! Falta por vezes senso histórico e senso da realidade ao Presidente quando fica entusiasmado com sua performance. Sem descer a detalhes, pois os jornais a cada dia publicam a real situação brasileira, dia 31 de março se leu num dos jornais mais sérios deste país: “O brasileiro trabalha cinco meses para pagar impostos” e que “ O Brasil vai bem, mas o brasileiro vai mal”! De fato é só pensar que recentemente mais de vinte mil remédios tiveram seus preços aumentados, e olhar o estado das estradas, a situação dos Hospitais públicos e outras mazelas nacionais e se concluirá que a auto-propaganda do Chefe da Nação pode enganar a alguns, mas dificilmente tapeará a todos os patrícios. Além disto, é preciso mais respeito com os outros Presidentes da República que, em contextos diferentes, muito e muito fizeram pelo povo e por esta nação. Não obstantes equívocos, notáveis Presidentes honraram a pátria. Como não admirar a honestidade de Floriano Peixoto que ficou sempre acima de qualquer suspeita, dando deste modo um exemplo magnífico aos seus comandados. Ele foi reto e enérgico, quis o progresso da pátria e muito trabalhou pelo bem da população. Exímio pacificador foi Prudente de Morais, resolvendo com acuidade problemas diplomáticos e não deixou a baderna imperar neste país, tendo restabelecido sempre a ordem, firmando a paz pelo regime da lei. Hoje quando a questão econômica está na ordem do dia, louvores a Campos Sales que restaurou as finanças do Brasil. Se Lula pode se gloriar de ter sido no seu mandato que Marcos Pontes se tornou o primeiro astronauta brasileiro, foi no quadriênio de Campos Sales que, a 19 de outubro de 1901, Santos Dumont, partindo do Aéreo Clube de Paris, voou em balão dirigível a uns 200 metros de altura, deu a volta à torre Eiffel e baixou ao ponto de partida, tendo dado a primeira solução aos problemas da navegação aérea. Campos Sales adquiriu o rendoso território do Acre. Bem podemos imaginar o que seria a propaganda lulista hoje com este feito extraordinário! O Presidente atual gloriou-se, na sua referida fala, da restauração dos portos atuais, pois bem, Rodrigues Alves teve como mérito exatamente a construção e o melhoramento dos portos, o desenvolvimento da armada e a aumento das vias de comunicação neste imenso território. Honra e glória a Afonso Pena, cuja retidão, franqueza e lealdade fizeram dele um dos políticos mais ilustres e estimáveis da República. Notável o desenvolvimento na época de Nilo Peçanha que criou o Ministério da Agricultura e fez da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro um dos mais belos parques do mundo. Loas a Hermes da Fonseca que lutou todo o tempo com sérias dificuldades, mas superando as revoltas com energia e determinação. Ponto alto do governo de Venceslau Brás foi a promulgação do Código Civil da República e sua firmeza diante da Alemanha que afundara cinco navios mercantes brasileiros. Epitácio Pessoa pôde comemorar com festas populares marcantes o centenário da independência do Brasil e foi sucedido por Arthur da Silva Bernardes que se revelou ótimo administrador e homem de pulso enérgico. Este mineiro, viçosense ilustre, melhorou as finanças nacionais fortemente abaladas, incentivou a agricultura e demonstrou sempre um caráter que jamais admitiu qualquer forma de corrupção. O lema de Washington Luiz não era tapar buracos, mas abrir boas estradas de rodagem o que ele fez com grande êxito. Getúlio Vargas desenvolveu a indústria brasileira: Usina de Volta Redonda, Companhia Vale do Rio Doce e sua política trabalhista culminou com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, portanto, cuidou e muito dos trabalhadores. O General Dutra também combateu a inflação e célebre seu Plano SALTE, investindo em saúde, alimentação, transporte e energia. Juscelino fez o Brasil crescer 50 anos em 5 e construiu usinas hidrelétricas, instalou diversas indústrias, inclusive a automobilística, abriu rodovias, ampliou a produção de petróleo, edificou Brasília. Depois da ditadura militar, se destaque o governo de Itamar Franco, cujo plano real derrubou a nova onda inflacionária. Portanto, muitos trabalharam muito pelo Brasil e esta história de que ninguém fez mais para o Brasil que o atual governo é uma farsa, * Professor no seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Quem assistiu pela televisão a posse dos novos Ministros e ouviu a fala presidencial deve ter ficado impressionado. Foi uma salada, pois se tratou de tudo com muita empáfia.A frase que mais se ouviu, aliás já repetida inúmeras vezes Brasil a fora, foi esta: “Ninguém na História desta República fez tanto como este governo”! Isto nas mais diversas atividades governamentais! É o caso de se repetir: “Acredite quem quiser”! Falta por vezes senso histórico e senso da realidade ao Presidente quando fica entusiasmado com sua performance. Sem descer a detalhes, pois os jornais a cada dia publicam a real situação brasileira, dia 31 de março se leu num dos jornais mais sérios deste país: “O brasileiro trabalha cinco meses para pagar impostos” e que “ O Brasil vai bem, mas o brasileiro vai mal”! De fato é só pensar que recentemente mais de vinte mil remédios tiveram seus preços aumentados, e olhar o estado das estradas, a situação dos Hospitais públicos e outras mazelas nacionais e se concluirá que a auto-propaganda do Chefe da Nação pode enganar a alguns, mas dificilmente tapeará a todos os patrícios. Além disto, é preciso mais respeito com os outros Presidentes da República que, em contextos diferentes, muito e muito fizeram pelo povo e por esta nação. Não obstantes equívocos, notáveis Presidentes honraram a pátria. Como não admirar a honestidade de Floriano Peixoto que ficou sempre acima de qualquer suspeita, dando deste modo um exemplo magnífico aos seus comandados. Ele foi reto e enérgico, quis o progresso da pátria e muito trabalhou pelo bem da população. Exímio pacificador foi Prudente de Morais, resolvendo com acuidade problemas diplomáticos e não deixou a baderna imperar neste país, tendo restabelecido sempre a ordem, firmando a paz pelo regime da lei. Hoje quando a questão econômica está na ordem do dia, louvores a Campos Sales que restaurou as finanças do Brasil. Se Lula pode se gloriar de ter sido no seu mandato que Marcos Pontes se tornou o primeiro astronauta brasileiro, foi no quadriênio de Campos Sales que, a 19 de outubro de 1901, Santos Dumont, partindo do Aéreo Clube de Paris, voou em balão dirigível a uns 200 metros de altura, deu a volta à torre Eiffel e baixou ao ponto de partida, tendo dado a primeira solução aos problemas da navegação aérea. Campos Sales adquiriu o rendoso território do Acre. Bem podemos imaginar o que seria a propaganda lulista hoje com este feito extraordinário! O Presidente atual gloriou-se, na sua referida fala, da restauração dos portos atuais, pois bem, Rodrigues Alves teve como mérito exatamente a construção e o melhoramento dos portos, o desenvolvimento da armada e a aumento das vias de comunicação neste imenso território. Honra e glória a Afonso Pena, cuja retidão, franqueza e lealdade fizeram dele um dos políticos mais ilustres e estimáveis da República. Notável o desenvolvimento na época de Nilo Peçanha que criou o Ministério da Agricultura e fez da Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro um dos mais belos parques do mundo. Loas a Hermes da Fonseca que lutou todo o tempo com sérias dificuldades, mas superando as revoltas com energia e determinação. Ponto alto do governo de Venceslau Brás foi a promulgação do Código Civil da República e sua firmeza diante da Alemanha que afundara cinco navios mercantes brasileiros. Epitácio Pessoa pôde comemorar com festas populares marcantes o centenário da independência do Brasil e foi sucedido por Arthur da Silva Bernardes que se revelou ótimo administrador e homem de pulso enérgico. Este mineiro, viçosense ilustre, melhorou as finanças nacionais fortemente abaladas, incentivou a agricultura e demonstrou sempre um caráter que jamais admitiu qualquer forma de corrupção. O lema de Washington Luiz não era tapar buracos, mas abrir boas estradas de rodagem o que ele fez com grande êxito. Getúlio Vargas desenvolveu a indústria brasileira: Usina de Volta Redonda, Companhia Vale do Rio Doce e sua política trabalhista culminou com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, portanto, cuidou e muito dos trabalhadores. O General Dutra também combateu a inflação e célebre seu Plano SALTE, investindo em saúde, alimentação, transporte e energia. Juscelino fez o Brasil crescer 50 anos em 5 e construiu usinas hidrelétricas, instalou diversas indústrias, inclusive a automobilística, abriu rodovias, ampliou a produção de petróleo, edificou Brasília. Depois da ditadura militar, se destaque o governo de Itamar Franco, cujo plano real derrubou a nova onda inflacionária. Portanto, muitos trabalharam muito pelo Brasil e esta história de que ninguém fez mais para o Brasil que o atual governo é uma farsa, * Professor no seminário de Mariana - MG
Monday, April 03, 2006
sEMANA sANTA
SEMANA SANTA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Já no final da quaresma um grito de júbilo: Jesus recebido festivamente em Jerusalém. É o Domingo de Ramos, dia 9 de abril. Inicia-se a Semana Maior, a Semana Santa como os fiéis a denominaram. Se nos remontamos aos primórdios do cristianismo é dela que se origina todo o Ano Litúrgico. É, historicamente, o núcleo inicial e, liturgicamente, o cimo desta mesma peregrinação, dado que a Páscoa é o dia mais importante do ano para os cristãos. Esta é uma semana na qual os atos litúrgicos recebem o seu mais alto esplendor, sua teologia mais profunda e o mais alto dramatismo. O Domingo de Ramos é o pórtico solene, monumental dos mistérios da Ressurreição do Senhor. A entrada de Jesus na capital de seu país é repleta de luzes e sombras, pois se mesclam as aclamações com os clamores da Paixão que se avizinha. Hoje, mais do que nunca, os fiéis estão convencidos que não podem professar apenas os louvores de um fato glorioso, mas que se transformaria depois no mais repelente crime de todos os tempos, quando o Justo dos justos será condenado à morte. Seguir a Cristo por entre os hosanas deste domingo é muito fácil. Acompanhá-lo ao Calvário é sumamente difícil, tanto que até os Apóstolos desertaram com exceção de João Evangelista. Só os guerreiros da luta espiritual, os verdadeiros epígonos do Redentor tomam a sua cruz e seguem o Mestre divino. Cumpre a todo batizado ser testemunha da verdade evangélica. Este, sim, é capaz de cantar louvores ao Filho de Davi, o bendito que vem em nome de Deus, Rei de Israel. Este é capaz de ver nas aclamações a Jesus o anúncio da vitória da luz sobre as trevas, a promessa inefável da efusão dos dons do Espírito Santo. Então os ramos são sinal da dignidade do autêntico cavalheiro Cristo. Não se trata de uma mera recordação, mas de um ato vital. Este é o verdadeiro seguidor do Salvador que não transformará clamores de vitória em gritos de morte. Este será um defensor da fé e não um traidor de Jesus, como foram aqueles que o saudaram e, logo em seguida, pediram sua condenação. O apelo da Igreja é este: “Acorda, cristão, sois soldado de Cristo, estás unido a Ele e deves caminhar com Ele rumo à Paixão e Ressurreição”. De fato, Jesus entra em Jerusalém, mas para se sacrificar para toda a humanidade. Três dias a prepararem em seguida os fiéis para o Tríduo Sagrado, quando na quinta-feira se comemora a Instituição da Eucaristia e se revive a cena admirável de Jesus lavando os pés dos Apóstolos e legando à humanidade seu mandamento supremo: o “Amai-vos uns aos outros”, o qual muitos escutam erroneamente: “Armai-vos uns aos outros”. Daí tantas guerras, tanto sangue derramado até entre os cristãos no âmbito internacional e dentro dos próprios lares! Na sexta-feira é bom subir a colina do Calvário, escutar as sete palavras, estar unido à Virgem Dolorosa, adorar Jesus em sua Cruz e acompanhá-lo até sua sepultura. Vem então a mais solene Vigília, quando se aguarda com ânsia e esperanças o Aleluia pascal!. Sábado Santo é o dia do grande silêncio, o dia do repouso do Senhor, da Soledade de Maria. Logo, porém, a Igreja anunciará: “A morte foi vencida, as portas do Paraíso estão abertas”! Madalena virá nos falar da eloqüência de um sepulcro vazio e os corações se prorrompem num brado de fé: “ Cristo ressuscitou, verdadeiramente, dos mortos”! Num duelo admirável a morte lutou contra a vida e o Autor da vida se levanta triunfador da morte. Terminou o combate da luz com as trevas, combate histórico de Jesus com os fariseus e combate místico de Cristo contra Satanás. Após as trevas brilhará o sol da Ressurreição! Nada, pois, mais necessário do que viver em intensidade estes dias sagrados e abrir os corações às inspirações divinas. Então a Páscoa, dia 16 de abril, será abençoada e sinal de novas conquistas espirituais . * Professor no Seminário de Mariana - Mg
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Já no final da quaresma um grito de júbilo: Jesus recebido festivamente em Jerusalém. É o Domingo de Ramos, dia 9 de abril. Inicia-se a Semana Maior, a Semana Santa como os fiéis a denominaram. Se nos remontamos aos primórdios do cristianismo é dela que se origina todo o Ano Litúrgico. É, historicamente, o núcleo inicial e, liturgicamente, o cimo desta mesma peregrinação, dado que a Páscoa é o dia mais importante do ano para os cristãos. Esta é uma semana na qual os atos litúrgicos recebem o seu mais alto esplendor, sua teologia mais profunda e o mais alto dramatismo. O Domingo de Ramos é o pórtico solene, monumental dos mistérios da Ressurreição do Senhor. A entrada de Jesus na capital de seu país é repleta de luzes e sombras, pois se mesclam as aclamações com os clamores da Paixão que se avizinha. Hoje, mais do que nunca, os fiéis estão convencidos que não podem professar apenas os louvores de um fato glorioso, mas que se transformaria depois no mais repelente crime de todos os tempos, quando o Justo dos justos será condenado à morte. Seguir a Cristo por entre os hosanas deste domingo é muito fácil. Acompanhá-lo ao Calvário é sumamente difícil, tanto que até os Apóstolos desertaram com exceção de João Evangelista. Só os guerreiros da luta espiritual, os verdadeiros epígonos do Redentor tomam a sua cruz e seguem o Mestre divino. Cumpre a todo batizado ser testemunha da verdade evangélica. Este, sim, é capaz de cantar louvores ao Filho de Davi, o bendito que vem em nome de Deus, Rei de Israel. Este é capaz de ver nas aclamações a Jesus o anúncio da vitória da luz sobre as trevas, a promessa inefável da efusão dos dons do Espírito Santo. Então os ramos são sinal da dignidade do autêntico cavalheiro Cristo. Não se trata de uma mera recordação, mas de um ato vital. Este é o verdadeiro seguidor do Salvador que não transformará clamores de vitória em gritos de morte. Este será um defensor da fé e não um traidor de Jesus, como foram aqueles que o saudaram e, logo em seguida, pediram sua condenação. O apelo da Igreja é este: “Acorda, cristão, sois soldado de Cristo, estás unido a Ele e deves caminhar com Ele rumo à Paixão e Ressurreição”. De fato, Jesus entra em Jerusalém, mas para se sacrificar para toda a humanidade. Três dias a prepararem em seguida os fiéis para o Tríduo Sagrado, quando na quinta-feira se comemora a Instituição da Eucaristia e se revive a cena admirável de Jesus lavando os pés dos Apóstolos e legando à humanidade seu mandamento supremo: o “Amai-vos uns aos outros”, o qual muitos escutam erroneamente: “Armai-vos uns aos outros”. Daí tantas guerras, tanto sangue derramado até entre os cristãos no âmbito internacional e dentro dos próprios lares! Na sexta-feira é bom subir a colina do Calvário, escutar as sete palavras, estar unido à Virgem Dolorosa, adorar Jesus em sua Cruz e acompanhá-lo até sua sepultura. Vem então a mais solene Vigília, quando se aguarda com ânsia e esperanças o Aleluia pascal!. Sábado Santo é o dia do grande silêncio, o dia do repouso do Senhor, da Soledade de Maria. Logo, porém, a Igreja anunciará: “A morte foi vencida, as portas do Paraíso estão abertas”! Madalena virá nos falar da eloqüência de um sepulcro vazio e os corações se prorrompem num brado de fé: “ Cristo ressuscitou, verdadeiramente, dos mortos”! Num duelo admirável a morte lutou contra a vida e o Autor da vida se levanta triunfador da morte. Terminou o combate da luz com as trevas, combate histórico de Jesus com os fariseus e combate místico de Cristo contra Satanás. Após as trevas brilhará o sol da Ressurreição! Nada, pois, mais necessário do que viver em intensidade estes dias sagrados e abrir os corações às inspirações divinas. Então a Páscoa, dia 16 de abril, será abençoada e sinal de novas conquistas espirituais . * Professor no Seminário de Mariana - Mg