Tuesday, April 25, 2006
Solidariedade humana
SOLIDARIEDADE HUMANA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
São Paulo aos romanos ensinava: “O amor é o cumprimento perfeito da lei” ( Rm 13,10) e este clama pelo equilíbrio social o qual supõe solidariedade humana.Cumpre ao Estado eminentemente cristão, antes de tudo e sobretudo, garantir ao cidadão o pleno desenvolvimento de sua personalidade e todos os meios necessários à expressão de sua dignidade. O que ocorre, porém, é que os pobres se acham em situações de miséria e opressão submetidos à exploração econômica dos ricos e à tirania estatal, quase sempre a serviço da elite dominante. Se percorremos a História do Brasil, percebemos que, após o domínio da Metrópole portuguesa, o 7 de setembro significou apenas a independência política de Portugal, porque o Brasil continuou sob a dependência econômica da Inglaterra, depois dos Estados Unidos. Veio, posteriormente o contexto das multinacionais e agora, neste tempo da globalização, apenas dez por cento da humanidade goza dos benefícios do desenvolvimento que deve ser partilhado por todos. É preciso então uma opção política clara por um desenvolvimento que favoreça a maioria do povo que anseia por melhoria de condições de vida. Entretanto não é apenas o Estado o responsável pela elevação do nível de vida dos mais carentes. Este é um dever de cada membro da coletividade.
O homem é essencialmente solidário e dependente por natureza de outros homens. É natural ao ser racional entrar em comunhão com seus semelhantes, porque sem a ajuda mútua ele seria incapaz de viver e de se desenvolver material e espiritualmente. O meio social é para o homem como a atmosfera que ele respira. É tão necessário quanto a terra o é para a planta, a água para os peixes. Disto decorre a solidariedade social que deve estar presente, sobretudo onde ocorrem bolsões de pobreza, de doenças e de outras carências. Se o estado não cumpre seu papel ou o faz de maneira deficiente, se campeia a ganância das nações ricas do mundo, à luz do preceito de Cristo, cada um de nós deve agir em favor dos mais necessitados com espírito fraterno no meio em que vive.
Esta conduta resulta da aplicação eficaz da lei do amor que o Filho de Deus estabeleceu um dia lá no Cenáculo. A este nobre ideal se opõe de plano a ganância do lucro e o acúmulo exorbitante de capital, que supõe sempre a manutenção do status quo. O amor ao próximo exige que libertemos o que sofre de seus sofrimentos, que minoremos ou suavizemos os seus males e, especialmente, que ajudemos quem está imerso em dificuldades maiores.
Se o mero assistencialismo ou paternalismo devem ser ultrapassados, há casos em que ou se assiste quem está à míngua ou ele lastimavelmente virá a morrer. Uma ordem jurídica duradoura e estável depende deste esforço de todos para a superação das desigualdades.
Lembremo-nos que o opressor se apresenta na sociedade não apenas com as vestes do direito a favor dos poderosos, mas também com a túnica do empregador que paga mal, do que contrata uma funcionária doméstica e não assina a carteira profissional, daquele que desperdiça o tempo no serviço e não é eficiente, do estudante que não se prepara para ser um profissional competente, do indiferente que não protesta contra as injustiças.
É que a regra do amor ao próximo obriga, indistintamente, a todos e responsabiliza por omissão os que nada fazem para reverter processos iníquos. A responsabilidade de todos é que pode servir de garantia para que não haja exploração, desigualdade gritante, perversidades. Tal ideal será conseguido, apenas, com uma radical mudança de mentalidade que transforme inclusive o regime jurídico do qual a opressão e injustiça sejam, de todo, banidos. Tudo deve ser uma preocupação do epígono de Jesus, dado que o seu mandamento de amor exige uma tomada de posição ante tudo aquilo que significa o não-amor.
A verdade é que o desafio da erradicação da miséria, da expropriação, da doença e outros males sócio-econômicos ainda não encontrou mesmo em nossos dias estadistas que tivessem o suficiente amor e a coragem para arrostá-los de forma corajosa e integral, atuando em plenitude os ensinamentos do Mestre divino, decodificados através dos tempos pela doutrina social da Igreja.
* Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
São Paulo aos romanos ensinava: “O amor é o cumprimento perfeito da lei” ( Rm 13,10) e este clama pelo equilíbrio social o qual supõe solidariedade humana.Cumpre ao Estado eminentemente cristão, antes de tudo e sobretudo, garantir ao cidadão o pleno desenvolvimento de sua personalidade e todos os meios necessários à expressão de sua dignidade. O que ocorre, porém, é que os pobres se acham em situações de miséria e opressão submetidos à exploração econômica dos ricos e à tirania estatal, quase sempre a serviço da elite dominante. Se percorremos a História do Brasil, percebemos que, após o domínio da Metrópole portuguesa, o 7 de setembro significou apenas a independência política de Portugal, porque o Brasil continuou sob a dependência econômica da Inglaterra, depois dos Estados Unidos. Veio, posteriormente o contexto das multinacionais e agora, neste tempo da globalização, apenas dez por cento da humanidade goza dos benefícios do desenvolvimento que deve ser partilhado por todos. É preciso então uma opção política clara por um desenvolvimento que favoreça a maioria do povo que anseia por melhoria de condições de vida. Entretanto não é apenas o Estado o responsável pela elevação do nível de vida dos mais carentes. Este é um dever de cada membro da coletividade.
O homem é essencialmente solidário e dependente por natureza de outros homens. É natural ao ser racional entrar em comunhão com seus semelhantes, porque sem a ajuda mútua ele seria incapaz de viver e de se desenvolver material e espiritualmente. O meio social é para o homem como a atmosfera que ele respira. É tão necessário quanto a terra o é para a planta, a água para os peixes. Disto decorre a solidariedade social que deve estar presente, sobretudo onde ocorrem bolsões de pobreza, de doenças e de outras carências. Se o estado não cumpre seu papel ou o faz de maneira deficiente, se campeia a ganância das nações ricas do mundo, à luz do preceito de Cristo, cada um de nós deve agir em favor dos mais necessitados com espírito fraterno no meio em que vive.
Esta conduta resulta da aplicação eficaz da lei do amor que o Filho de Deus estabeleceu um dia lá no Cenáculo. A este nobre ideal se opõe de plano a ganância do lucro e o acúmulo exorbitante de capital, que supõe sempre a manutenção do status quo. O amor ao próximo exige que libertemos o que sofre de seus sofrimentos, que minoremos ou suavizemos os seus males e, especialmente, que ajudemos quem está imerso em dificuldades maiores.
Se o mero assistencialismo ou paternalismo devem ser ultrapassados, há casos em que ou se assiste quem está à míngua ou ele lastimavelmente virá a morrer. Uma ordem jurídica duradoura e estável depende deste esforço de todos para a superação das desigualdades.
Lembremo-nos que o opressor se apresenta na sociedade não apenas com as vestes do direito a favor dos poderosos, mas também com a túnica do empregador que paga mal, do que contrata uma funcionária doméstica e não assina a carteira profissional, daquele que desperdiça o tempo no serviço e não é eficiente, do estudante que não se prepara para ser um profissional competente, do indiferente que não protesta contra as injustiças.
É que a regra do amor ao próximo obriga, indistintamente, a todos e responsabiliza por omissão os que nada fazem para reverter processos iníquos. A responsabilidade de todos é que pode servir de garantia para que não haja exploração, desigualdade gritante, perversidades. Tal ideal será conseguido, apenas, com uma radical mudança de mentalidade que transforme inclusive o regime jurídico do qual a opressão e injustiça sejam, de todo, banidos. Tudo deve ser uma preocupação do epígono de Jesus, dado que o seu mandamento de amor exige uma tomada de posição ante tudo aquilo que significa o não-amor.
A verdade é que o desafio da erradicação da miséria, da expropriação, da doença e outros males sócio-econômicos ainda não encontrou mesmo em nossos dias estadistas que tivessem o suficiente amor e a coragem para arrostá-los de forma corajosa e integral, atuando em plenitude os ensinamentos do Mestre divino, decodificados através dos tempos pela doutrina social da Igreja.
* Professor no Seminário de Mariana - MG