Friday, April 21, 2006
Liões de Jesus Cristo
LIÇÕES DO MESTRE DIVINO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cristo foi claro ao declarar: “Dei-vos o exemplo para que como eu vos fiz, também vós o façais” ( Jo 13,15) Este seu clamor no Cenáculo, onde, lavando os pés dos seus apóstolos, Ele quis dar uma lição de humildade e do valor do serviço ao próximo, deve ecoar fundo nas mentes de todos. É um convite a uma profunda análise de nosso comportamento cristão. Hoje, mais do que nunca, a tarefa das pessoas responsáveis, sobretudo dos seguidores do Redentor, é fazer com que o preceito do amor pregado por Ele transforme a sociedade, afastando o paradoxo de estruturas abertamente antievangélicas. Combate enérgico às muitas situações de injustiça. Busca da mudança de tudo que significa opressão. Tão nobre objetivo só será conseguido exatamente pela aplicação plena, eficiente, autêntica, da regra de dileção ao próximo legada pelo Filho de Deus no seu testamento sublime. Atuação efetiva ao lado dos excluídos. Isto sem retórica e sem delongas. É angustiante contemplar uma minoria que detém o poder econômico, usufruindo regalias nababescas, enquanto a maior parte da população passa por horrípilas privações. Pauperismo institucionalizado que agride, violentamente, os mais elementares sentimentos humanos.Realidade dramática e dolorosa esta de um sem número de pessoas colocadas à margem do progresso econômico. A desigualdade, fruto da concentração das riquezas nas mãos de uns poucos, sustentado isto por uma legislação elitista e interpretada segundo o interesse dos poderosos. Vasto contingente humano sem o mínimo necessário à subsistência, resultado de um modelo econômico de pouca ou nenhuma sensibilidade social. Este problema não pode ser resolvido pela lei, a qual, manipulada pelos donos do poder, ignora a marginalização, a doença, o analfabetismo. Adite-se que, embora o destino do Direito seja a justiça, este, ainda que fosse ministrado corretamente, e nem sempre, infelizmente o é, não ultrapassaria seus limites. Apenas o amor vai muito além e faz do supérfluo do rico o que é devido aos mais carentes. Isto não por imposição, mas num gesto de dileção que rompe todas as barreiras e limitações.Trata-se da libertação da pobreza e da opressão, construindo-se uma sociedade mais justa que respeite os mais elementares direitos humanos. Este é o apelo do mestre que nos leva a aprofundar tema fundamental, sob pena do nosso cristianismo se transformar numa máscara, numa hipocrisia e, até mesmo, numa impostura, numa farsa. Cada batizado, no seu setor de trabalho, pode e deve ser o agente desta mudança necessária, urgente, imprescindível. Grandes economistas consideram como pobres os que possuem renda monetária até dois salários mínimos. Ora, nesta situação está nada menos que cerca de sessenta por cento da população brasileira economicamente ativa neste início de milênio. Isto quer dizer que mais de cinqüenta milhões de pessoas são realmente pobres, sendo que estas têm renda familiar inferior a meio salário mínimo! Se a esta verificação ajuntarmos o fato de que mais de trinta milhões de brasileiros vivem na mais absoluta penúria, o quadro é, de fato, aterrador. Não podemos ficar insensíveis ante tal realidade. Cumpre encararmos esta realidade, não apenas para agradecer a Deus o que possuímos, mas para nos conscientizarmos do que podemos fazer pelos outros sem prejuízo próprio, tentando reverter, na medida de nossas forças e de nossas possibilidades, tão triste espetáculo. A essência do amor proclamado por Cristo tem ampla dimensão, muito além da mera filantropia e da bondade, pois é o reconhecimento da igualdade entre as pessoas e a solidariedade que deve estar implícita no convívio social. Há necessidade não de migalhas humilhantes, como as da Bolsa Família, assistencialismo funesto. Cumpre oferecer outras alternativas ao povo brasileiro. Promoção social não ´é favor, é direito inalienável da população. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Cristo foi claro ao declarar: “Dei-vos o exemplo para que como eu vos fiz, também vós o façais” ( Jo 13,15) Este seu clamor no Cenáculo, onde, lavando os pés dos seus apóstolos, Ele quis dar uma lição de humildade e do valor do serviço ao próximo, deve ecoar fundo nas mentes de todos. É um convite a uma profunda análise de nosso comportamento cristão. Hoje, mais do que nunca, a tarefa das pessoas responsáveis, sobretudo dos seguidores do Redentor, é fazer com que o preceito do amor pregado por Ele transforme a sociedade, afastando o paradoxo de estruturas abertamente antievangélicas. Combate enérgico às muitas situações de injustiça. Busca da mudança de tudo que significa opressão. Tão nobre objetivo só será conseguido exatamente pela aplicação plena, eficiente, autêntica, da regra de dileção ao próximo legada pelo Filho de Deus no seu testamento sublime. Atuação efetiva ao lado dos excluídos. Isto sem retórica e sem delongas. É angustiante contemplar uma minoria que detém o poder econômico, usufruindo regalias nababescas, enquanto a maior parte da população passa por horrípilas privações. Pauperismo institucionalizado que agride, violentamente, os mais elementares sentimentos humanos.Realidade dramática e dolorosa esta de um sem número de pessoas colocadas à margem do progresso econômico. A desigualdade, fruto da concentração das riquezas nas mãos de uns poucos, sustentado isto por uma legislação elitista e interpretada segundo o interesse dos poderosos. Vasto contingente humano sem o mínimo necessário à subsistência, resultado de um modelo econômico de pouca ou nenhuma sensibilidade social. Este problema não pode ser resolvido pela lei, a qual, manipulada pelos donos do poder, ignora a marginalização, a doença, o analfabetismo. Adite-se que, embora o destino do Direito seja a justiça, este, ainda que fosse ministrado corretamente, e nem sempre, infelizmente o é, não ultrapassaria seus limites. Apenas o amor vai muito além e faz do supérfluo do rico o que é devido aos mais carentes. Isto não por imposição, mas num gesto de dileção que rompe todas as barreiras e limitações.Trata-se da libertação da pobreza e da opressão, construindo-se uma sociedade mais justa que respeite os mais elementares direitos humanos. Este é o apelo do mestre que nos leva a aprofundar tema fundamental, sob pena do nosso cristianismo se transformar numa máscara, numa hipocrisia e, até mesmo, numa impostura, numa farsa. Cada batizado, no seu setor de trabalho, pode e deve ser o agente desta mudança necessária, urgente, imprescindível. Grandes economistas consideram como pobres os que possuem renda monetária até dois salários mínimos. Ora, nesta situação está nada menos que cerca de sessenta por cento da população brasileira economicamente ativa neste início de milênio. Isto quer dizer que mais de cinqüenta milhões de pessoas são realmente pobres, sendo que estas têm renda familiar inferior a meio salário mínimo! Se a esta verificação ajuntarmos o fato de que mais de trinta milhões de brasileiros vivem na mais absoluta penúria, o quadro é, de fato, aterrador. Não podemos ficar insensíveis ante tal realidade. Cumpre encararmos esta realidade, não apenas para agradecer a Deus o que possuímos, mas para nos conscientizarmos do que podemos fazer pelos outros sem prejuízo próprio, tentando reverter, na medida de nossas forças e de nossas possibilidades, tão triste espetáculo. A essência do amor proclamado por Cristo tem ampla dimensão, muito além da mera filantropia e da bondade, pois é o reconhecimento da igualdade entre as pessoas e a solidariedade que deve estar implícita no convívio social. Há necessidade não de migalhas humilhantes, como as da Bolsa Família, assistencialismo funesto. Cumpre oferecer outras alternativas ao povo brasileiro. Promoção social não ´é favor, é direito inalienável da população. * Professor no Seminário de Mariana - MG