Saturday, April 15, 2006
CATÁLOGO DOS LIVROS DA BÍBLIA
CATÁLOGO DOS LIVROS DA BÍBLIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Enorme a celeuma causada pelo chamado Evangelho de Judas, cujo teor desde o início do cristianismo foi tido como espúrio. O fato de se ter encontrado uma cópia do mesmo em nada mudou esta apreciação de seu conteúdo. Os historiadores distinguem entre a crítica interna e externa de um documento. Este pode ser autêntico e seu conteúdo não corresponder à verdade histórica. É o que ocorre com citado texto que distorce inteiramente o que está nos quatro Evangelhos, reconhecidamente livros históricos. O que se está esquecendo é que o catálogo dos livros inspirados da Bíblia tem sua história. O termo cânon que vem do grego e significa régua de caniço que servia para medir distâncias, na linguagem eclesiástica passou a ser regra de fé ou de conduta. Daí foi aplicado às Escrituras, que contêm esta norma e, depois, ao elenco dos livros que as compõem. Canonicidade e inspiração são termos intimamente relacionados entre si, pois todo livro canônico é inspirado. Pode haver um livro inspirado que não seja canônico, como, por exemplo, se viessem a ser encontradas certas epístolas perdidas de São Paulo. Entretanto, como observam os melhores biblistas, “quanto à questão teórica da possibilidade de algum livro inspirado se haver perdido, é preciso distinguir entre livro apenas inspirado e livro canônico. Ora, não parece possível que se haja perdido um livro inspirado e canônico, isto é, já universalmente reconhecido e declarado inspirado pela Igreja, pois isto suporia que a Igreja não tenha sido fiel à sua missão de guardiã das fontes da revelação, o que é inadmissível”. Deste modo ao se falar em canonicidade implicitamente se está colocando a existência da inspiração, de uma Revelação formal e verdadeira e o pronunciamento da Igreja, ainda que tácito. Uma distinção importante é entre os livros protocanônicos e deuterocanônicos. Os primeiros são aqueles cuja inspiração nunca foi, com motivos plausíveis, colocada em dúvida, não havendo controvérsias sobre eles. Os outros foram questionados por alguma igreja particular e tiveram sua aceitação universal apenas depois de anos de controvérsias. Tais livros são equivocadamente chamados apócrifos. Os católicos chamam apócrifos livros não inspirados e que foram tidos como tais, como o citado Evangelho de Judas. Os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os dois livros dos Macabeus. Aditem-se os sete últimos capítulos de Ester e certas partes de Daniel: a prece de Azarias e o cântico dos três jovens na fornalha (Dan 3,24-90), a história de Suzana e a do ídolo Bel e do dragão (Dan 13,14). Há igualmente sete livros deuterocânonicos no Novo Testamento, a saber: a carta aos hebreus, as cartas de São Tiago e de São Judas, a segunda de São Pedro, a segunda e a terceira de São João, o Apocalipse e três fragmentos: o final de São Marcos (16,9-20), o episódio do suor de sangue em São Lucas (22,43-44), a cena da mulher adúltera em São João (7,53-8,11). As bíblias protestantes, porém, trazem este livros deuterocanônicos não, porém, os do Antigo Testamento. Quanto aos textos vétero-testamentários a Igreja os recebeu da Sinagoga. Não se pode precisar qual o critério que permitiu aos judeus fixar o seu cânon. É possível que Deus tenha revelado por algum meio quais os textos inspirados e isto pode se ter dado através dos profetas. Como os autores do Novo Testamento se serviam da tradução dos Setenta eles admitiam a inspiração dos livros deuterocanônicos. Estes até meados do século II foram aceitos sem reservas. Por circunstâncias históricas o cânon restrito começou a prevalecer. É que nas discussões com os judeus só se podia apelar para os protocanônicos. Assim nos séculos III e IV havia insegurança quanto a afirmativa da inspiração dos deuterocanônicos, tanto mais que os apócrifos eram, às vezes, apresentados como livros sagrados. O Concílio de Trento, na sessão de 8 de dezembro de 1546, definiu, uma vez por todas, a lista completa dos livros inspirados, sendo que o Concílio Vaticano I, na sessão de 24 de abril de 187030, ratificou a mesma doutrina. A Constituição Dogmática Dei Verbum do Vaticano II afirma: “Pela mesma tradição torna-se conhecido à Igreja o cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nela cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar atuantes”. Portanto, não há motivo algum para confusão, uma vez que sabemos pelo Magistério da Igreja quais livros são autênticos e cumpre ao católico não se deixar enganar pelos sensacionalismo da Imprensa. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Enorme a celeuma causada pelo chamado Evangelho de Judas, cujo teor desde o início do cristianismo foi tido como espúrio. O fato de se ter encontrado uma cópia do mesmo em nada mudou esta apreciação de seu conteúdo. Os historiadores distinguem entre a crítica interna e externa de um documento. Este pode ser autêntico e seu conteúdo não corresponder à verdade histórica. É o que ocorre com citado texto que distorce inteiramente o que está nos quatro Evangelhos, reconhecidamente livros históricos. O que se está esquecendo é que o catálogo dos livros inspirados da Bíblia tem sua história. O termo cânon que vem do grego e significa régua de caniço que servia para medir distâncias, na linguagem eclesiástica passou a ser regra de fé ou de conduta. Daí foi aplicado às Escrituras, que contêm esta norma e, depois, ao elenco dos livros que as compõem. Canonicidade e inspiração são termos intimamente relacionados entre si, pois todo livro canônico é inspirado. Pode haver um livro inspirado que não seja canônico, como, por exemplo, se viessem a ser encontradas certas epístolas perdidas de São Paulo. Entretanto, como observam os melhores biblistas, “quanto à questão teórica da possibilidade de algum livro inspirado se haver perdido, é preciso distinguir entre livro apenas inspirado e livro canônico. Ora, não parece possível que se haja perdido um livro inspirado e canônico, isto é, já universalmente reconhecido e declarado inspirado pela Igreja, pois isto suporia que a Igreja não tenha sido fiel à sua missão de guardiã das fontes da revelação, o que é inadmissível”. Deste modo ao se falar em canonicidade implicitamente se está colocando a existência da inspiração, de uma Revelação formal e verdadeira e o pronunciamento da Igreja, ainda que tácito. Uma distinção importante é entre os livros protocanônicos e deuterocanônicos. Os primeiros são aqueles cuja inspiração nunca foi, com motivos plausíveis, colocada em dúvida, não havendo controvérsias sobre eles. Os outros foram questionados por alguma igreja particular e tiveram sua aceitação universal apenas depois de anos de controvérsias. Tais livros são equivocadamente chamados apócrifos. Os católicos chamam apócrifos livros não inspirados e que foram tidos como tais, como o citado Evangelho de Judas. Os livros deuterocanônicos do Antigo Testamento são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, os dois livros dos Macabeus. Aditem-se os sete últimos capítulos de Ester e certas partes de Daniel: a prece de Azarias e o cântico dos três jovens na fornalha (Dan 3,24-90), a história de Suzana e a do ídolo Bel e do dragão (Dan 13,14). Há igualmente sete livros deuterocânonicos no Novo Testamento, a saber: a carta aos hebreus, as cartas de São Tiago e de São Judas, a segunda de São Pedro, a segunda e a terceira de São João, o Apocalipse e três fragmentos: o final de São Marcos (16,9-20), o episódio do suor de sangue em São Lucas (22,43-44), a cena da mulher adúltera em São João (7,53-8,11). As bíblias protestantes, porém, trazem este livros deuterocanônicos não, porém, os do Antigo Testamento. Quanto aos textos vétero-testamentários a Igreja os recebeu da Sinagoga. Não se pode precisar qual o critério que permitiu aos judeus fixar o seu cânon. É possível que Deus tenha revelado por algum meio quais os textos inspirados e isto pode se ter dado através dos profetas. Como os autores do Novo Testamento se serviam da tradução dos Setenta eles admitiam a inspiração dos livros deuterocanônicos. Estes até meados do século II foram aceitos sem reservas. Por circunstâncias históricas o cânon restrito começou a prevalecer. É que nas discussões com os judeus só se podia apelar para os protocanônicos. Assim nos séculos III e IV havia insegurança quanto a afirmativa da inspiração dos deuterocanônicos, tanto mais que os apócrifos eram, às vezes, apresentados como livros sagrados. O Concílio de Trento, na sessão de 8 de dezembro de 1546, definiu, uma vez por todas, a lista completa dos livros inspirados, sendo que o Concílio Vaticano I, na sessão de 24 de abril de 187030, ratificou a mesma doutrina. A Constituição Dogmática Dei Verbum do Vaticano II afirma: “Pela mesma tradição torna-se conhecido à Igreja o cânon completo dos livros sagrados e as próprias Sagradas Escrituras são nela cada vez mais profundamente compreendidas e se fazem sem cessar atuantes”. Portanto, não há motivo algum para confusão, uma vez que sabemos pelo Magistério da Igreja quais livros são autênticos e cumpre ao católico não se deixar enganar pelos sensacionalismo da Imprensa. * Professor no Seminário de Mariana - MG