Tuesday, October 02, 2007
Sedução do Poder, Ilustre Médico e Rligião e Pátria
A SEDUÇÃO DO PODER
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Quem está a par das mordomias que um Presidente do Senado possui, além do alto poder de influências múltiplas em todos os setores da vida pública e privada, compreende melhor o apego do atual Senador que ocupa esta presidência. Repete ele insistentemente o refrão da música popular: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”! Num momento em que o Senado Federal está sendo tão questionado é consolador a lembrança de um Afonso Pena, Venceslau Brás, Arthur da Silva Bernardes, Milton Campos, entre tantos outros políticos que honraram a história republicana. Rui Barbosa advertiu que o “poder político é, de sua natureza, absorvente e invasivo”. Isto talvez explique a sua sedução. Entretanto, é do mesmo notável jurista baiano esta observação: “Há extremos no mau uso do poder, em presença dos quais a indignação transborda”. Esta repulsa está vibrante no que tange ao “affaire” Renan Calheiros.
Hoje, de fato, a neutralidade no Brasil é inadmissível. A opção é clara: ou será mantido o status quo ou uma nova ordem política será instalada neste país. É preciso valentia, discernimento para decidir. Luta pela evolução da mentalidade de certos homens públicos para que se evite a revolução. O desenvolvimento real do Brasil é uma aspiração nobre e, um dia, todos esperam que a bandeira nacional seja levantada para admiração do mundo todo, pregando, nestes tempos turbulentos, o pacífico reinado das grandes virtudes cívicas e morais que fazem a grandeza de um povo, todo ele, ansioso por verdade e sinceridade.A tempestade conceitual do renanzistas confunde a opinião pública que clama por uma antropologia de consistência ética.
Toda uma estratégia de novas formas de manipulações linguísticas surge para justificar o injustificável. O Presidente do Senado vive a clamar que é inocente, não obstante tantos processos em curso. Como diz o ditado popular: “Onde a fumaça, há fogo”. Resta saber se aos partidos da oposição não se renderão a toda esta confusão, pois até os mais cultos políticos podem se deixar levar pelo roldão das deturpações semânticas que visam salvaguardar aquele que se julga o dono do Senado. Eis aí um sintoma grave de uma deformação da inteligência, levando-a a confundir apriorismos falsos com intuições verdadeiras. Tudo isto além de levar à corroção ética, conduz a um aumento de descrédito popular com a classe política. * Professor no Seminário de Mariana.
HOMENAGEM A UM NOTÁVEL MÉDICO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dia 23 de setembro Viçosa pranteou o falecimento do Dr. Carlos Raimundo Torres, sendo concorridíssima a Missa de Corpo Presente no Santuário Santa Rita, no dia seguinte, às 14 horas. Foi um dedicado galeno. A Medicina foi para ele um sacerdócio, na confortadora e verídica expressão de tantos que o conheceram nas lides de tão difícil múnus. Mitigou sofrimentos. A inúmeros restituiu a saúde. Conhecedor profundo da arte hipocrática, seus diagnósticos eram precisos. Cirurgião exímio, distinguiu-se pela dedicação a seus clientes. Diz o célebre aforismo latino: Opus divinum est, sedare dolorem - é obra divina dulcificar a dor. Quando, porém, essa atividade celestial é exercida ministrando a caridade, diuturna e silenciosamente, é o requinte da perfeição evangélica. A caridade é, no dizer do próprio Cristo, a síntese da Lei e dos Profetas. Ela condensa todas as virtudes. Leva à imolação. Vai ao tugúrio do pobre. Sobe às mansões dos ricos. Atravessa os espinheiros de todas as misérias humanas. Navega os rios dos sofrimentos alheios. Não conhece dia nem hora, pois está sempre atenta. Vaporiza lágrimas. Precata contra as ondas das tristezas. Desce ao mais profundo recôndito do coração que sofre. Oferece do muito. Oferece do pouco. Faz-se tudo para todos, para salvar a todos. Assim foi a caridade do Dr. Carlos Raimundo. Tal foi a ventura contínua deste médico caridoso, que levou a solidariedade humana a milhares de necessitados Espírito profundamente religioso. Possuía arraigada piedade. Nutria pela Religião um respeito muito grande. Fidelíssimo à Missa dominical. Em lógica conseqüência, a Mesa Eucarística era por ele assiduamente freqüentada. Fazia da assistência à Santa Missa uma de suas devoções prediletas. Nos últimos meses de vida os Ministros da Eucaristia, Alcides Braz Fernandes e Terezinha Gomige Mizubuti, lhe levavam sempre a Comunhão. Recebeu com rara fé a Unção dos Enfermos. Fora um Cursilhista dedicado, pertencendo ao Grupo São Lucas que atuou na Colônia e na Barrinha. Suas palestras eram admiradas e aplaudidas. Verídico, ainda uma vez, o ditado: Talis vita, finis ita - qual vida, tal fim. Comungou às 10 horas da manhã e às 13 horas e 30 minutos entregou a alma a Deus. Foi também um notável político tendo sido o Prefeito do Centenário, quando esteve em Viçosa o Arcebispo Dom Oscar de Oliveira que pronunciou na ocasião belíssima Oração Gratulatória, registrada em O ARQUIDIOCESANO. Cidadão benemérito de Viçosa, agraciado com a Medalha da Inconfidência Mineira, Cidadão honorário de várias cidades como Porto Firme e São Miguel do Anta, tem o seu nome no bloco cirúrgico de Ervália. Ensina a Igreja: “Para qualquer homem que reflete, apresentada com argumentos sólidos, a fé dá-lhe uma resposta à sua angústia sobre a vida futura. Ao mesmo tempo, oferece a possibilidade de comunicar-se em Cristo com os irmãos queridos já arrebatados pela morte, trazendo a esperança de que eles tenham alcançado a verdadeira vida junto de Deus”. Essa doutrina tão profunda conforta e alivia. É lenitivo e bálsamo, para sua digna Esposa, Marisa Cordeiro Torres, seus três filhos e três netos, para todos os seus parentes e amigos. A morte é, de fato, a lúcida aurora da eterna vida. Para os justos, conduz a trono de glória. É o suave sono que à dor sucede, do qual se desperta no Éden do Senhor. O túmulo, para os que amaram a Deus, é a porta dos átrios do céu. Formal a promessa de Cristo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6, 54 ) Há personagens que evitam o rolo compressor do tempo e vencem a intransigência do olvido. Uma obra imensa a favor de uma comunidade permanece perene através das gerações. O nome do Dr. Carlos Raimundo Alves Torres há de continuar na saudade e nas preces de todos. A memória dos grandes homens jamais é sepultada. * Professor no Seminário de Mariana – MG
RELIGIÃO E PÁTRIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dia 22 de setembro último foi um dia marcante na História do Brasil, dado que, exatamente há três décadas ocorrera a invasão da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e tal fato assinalou o processo de redemocratização do país. Hoje, com o fim da URSS e o fracasso ideológico do comunismo ateu, é preciso ir aos idos de 1964 para se entender o que houve no Brasil de 1964-1985. Este país correu sério risco de ser tomado pelo comunismo que ambicionava conquistar o mundo inteiro. Quem despertou a nação foi o Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, que escreveu antológica Carta Pastoral intitulada “Comunismo, Religião e Pátria”, datada de 9 de fevereiro de 1964. Foi lida na Câmara Federal em Brasília e despertou os brios dos católicos e dos patriotas em geral. A “Marcha da Família”, no dia 2 abril, no Rio de Janeiro, em ação de graças pela vitória contra a invasão comunista reuniu mais de um milhão de pessoas de todas as classes sociais, de todos os credos, de todos os partidos democráticos. Um ano depois, Dom Oscar escrevia um primoroso artigo sob a epígrafe “Revolução Necessária”. Onde, porém, há os homens, há falhas e, depois, veio a ditadura militar que desvirtuou inteiramente os caminhos da democracia. A Igreja que sempre pugnou a favor da democracia muito sofreu durante este período. Os aparelhos repressivos atingiram de cheio as instituições eclesiásticas, sobretudo universidades e escolas católicas, rádios, jornais. Uma prova disto foi a invasão da PUC/SP a qual estava na vanguarda da pugna pela volta da normalidade política do Brasil. O destemido Cardeal-Arcebispo de São, Dom Paulo Evaristo Arns, participava sempre de todos os movimentos em prol dos direitos humanos. Os estudantes na referida data faziam um ato público do que resultou um confronto com as forças do regime militar. A brutalidade das ações repressivas tiveram um protesto veemente por todo o território nacional. Cumpre, contudo, acrescentar que, por isto mesmo, não obstante as dificuldades, Igreja se configurou como um espaço aberto no qual os arautos da liberdade encontraram um lugar seguro. A Igreja foi uma ilha de excelência num mar de conflitos e arbitrariedades. Nela se agruparam operários, cujos sindicatos eram patrulhados, estudantes e outros grupos atuantes, sob o lema “A verdade vos libertará”. * Professor no Seminário de Mariana - MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Quem está a par das mordomias que um Presidente do Senado possui, além do alto poder de influências múltiplas em todos os setores da vida pública e privada, compreende melhor o apego do atual Senador que ocupa esta presidência. Repete ele insistentemente o refrão da música popular: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”! Num momento em que o Senado Federal está sendo tão questionado é consolador a lembrança de um Afonso Pena, Venceslau Brás, Arthur da Silva Bernardes, Milton Campos, entre tantos outros políticos que honraram a história republicana. Rui Barbosa advertiu que o “poder político é, de sua natureza, absorvente e invasivo”. Isto talvez explique a sua sedução. Entretanto, é do mesmo notável jurista baiano esta observação: “Há extremos no mau uso do poder, em presença dos quais a indignação transborda”. Esta repulsa está vibrante no que tange ao “affaire” Renan Calheiros.
Hoje, de fato, a neutralidade no Brasil é inadmissível. A opção é clara: ou será mantido o status quo ou uma nova ordem política será instalada neste país. É preciso valentia, discernimento para decidir. Luta pela evolução da mentalidade de certos homens públicos para que se evite a revolução. O desenvolvimento real do Brasil é uma aspiração nobre e, um dia, todos esperam que a bandeira nacional seja levantada para admiração do mundo todo, pregando, nestes tempos turbulentos, o pacífico reinado das grandes virtudes cívicas e morais que fazem a grandeza de um povo, todo ele, ansioso por verdade e sinceridade.A tempestade conceitual do renanzistas confunde a opinião pública que clama por uma antropologia de consistência ética.
Toda uma estratégia de novas formas de manipulações linguísticas surge para justificar o injustificável. O Presidente do Senado vive a clamar que é inocente, não obstante tantos processos em curso. Como diz o ditado popular: “Onde a fumaça, há fogo”. Resta saber se aos partidos da oposição não se renderão a toda esta confusão, pois até os mais cultos políticos podem se deixar levar pelo roldão das deturpações semânticas que visam salvaguardar aquele que se julga o dono do Senado. Eis aí um sintoma grave de uma deformação da inteligência, levando-a a confundir apriorismos falsos com intuições verdadeiras. Tudo isto além de levar à corroção ética, conduz a um aumento de descrédito popular com a classe política. * Professor no Seminário de Mariana.
HOMENAGEM A UM NOTÁVEL MÉDICO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dia 23 de setembro Viçosa pranteou o falecimento do Dr. Carlos Raimundo Torres, sendo concorridíssima a Missa de Corpo Presente no Santuário Santa Rita, no dia seguinte, às 14 horas. Foi um dedicado galeno. A Medicina foi para ele um sacerdócio, na confortadora e verídica expressão de tantos que o conheceram nas lides de tão difícil múnus. Mitigou sofrimentos. A inúmeros restituiu a saúde. Conhecedor profundo da arte hipocrática, seus diagnósticos eram precisos. Cirurgião exímio, distinguiu-se pela dedicação a seus clientes. Diz o célebre aforismo latino: Opus divinum est, sedare dolorem - é obra divina dulcificar a dor. Quando, porém, essa atividade celestial é exercida ministrando a caridade, diuturna e silenciosamente, é o requinte da perfeição evangélica. A caridade é, no dizer do próprio Cristo, a síntese da Lei e dos Profetas. Ela condensa todas as virtudes. Leva à imolação. Vai ao tugúrio do pobre. Sobe às mansões dos ricos. Atravessa os espinheiros de todas as misérias humanas. Navega os rios dos sofrimentos alheios. Não conhece dia nem hora, pois está sempre atenta. Vaporiza lágrimas. Precata contra as ondas das tristezas. Desce ao mais profundo recôndito do coração que sofre. Oferece do muito. Oferece do pouco. Faz-se tudo para todos, para salvar a todos. Assim foi a caridade do Dr. Carlos Raimundo. Tal foi a ventura contínua deste médico caridoso, que levou a solidariedade humana a milhares de necessitados Espírito profundamente religioso. Possuía arraigada piedade. Nutria pela Religião um respeito muito grande. Fidelíssimo à Missa dominical. Em lógica conseqüência, a Mesa Eucarística era por ele assiduamente freqüentada. Fazia da assistência à Santa Missa uma de suas devoções prediletas. Nos últimos meses de vida os Ministros da Eucaristia, Alcides Braz Fernandes e Terezinha Gomige Mizubuti, lhe levavam sempre a Comunhão. Recebeu com rara fé a Unção dos Enfermos. Fora um Cursilhista dedicado, pertencendo ao Grupo São Lucas que atuou na Colônia e na Barrinha. Suas palestras eram admiradas e aplaudidas. Verídico, ainda uma vez, o ditado: Talis vita, finis ita - qual vida, tal fim. Comungou às 10 horas da manhã e às 13 horas e 30 minutos entregou a alma a Deus. Foi também um notável político tendo sido o Prefeito do Centenário, quando esteve em Viçosa o Arcebispo Dom Oscar de Oliveira que pronunciou na ocasião belíssima Oração Gratulatória, registrada em O ARQUIDIOCESANO. Cidadão benemérito de Viçosa, agraciado com a Medalha da Inconfidência Mineira, Cidadão honorário de várias cidades como Porto Firme e São Miguel do Anta, tem o seu nome no bloco cirúrgico de Ervália. Ensina a Igreja: “Para qualquer homem que reflete, apresentada com argumentos sólidos, a fé dá-lhe uma resposta à sua angústia sobre a vida futura. Ao mesmo tempo, oferece a possibilidade de comunicar-se em Cristo com os irmãos queridos já arrebatados pela morte, trazendo a esperança de que eles tenham alcançado a verdadeira vida junto de Deus”. Essa doutrina tão profunda conforta e alivia. É lenitivo e bálsamo, para sua digna Esposa, Marisa Cordeiro Torres, seus três filhos e três netos, para todos os seus parentes e amigos. A morte é, de fato, a lúcida aurora da eterna vida. Para os justos, conduz a trono de glória. É o suave sono que à dor sucede, do qual se desperta no Éden do Senhor. O túmulo, para os que amaram a Deus, é a porta dos átrios do céu. Formal a promessa de Cristo: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6, 54 ) Há personagens que evitam o rolo compressor do tempo e vencem a intransigência do olvido. Uma obra imensa a favor de uma comunidade permanece perene através das gerações. O nome do Dr. Carlos Raimundo Alves Torres há de continuar na saudade e nas preces de todos. A memória dos grandes homens jamais é sepultada. * Professor no Seminário de Mariana – MG
RELIGIÃO E PÁTRIA
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Dia 22 de setembro último foi um dia marcante na História do Brasil, dado que, exatamente há três décadas ocorrera a invasão da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e tal fato assinalou o processo de redemocratização do país. Hoje, com o fim da URSS e o fracasso ideológico do comunismo ateu, é preciso ir aos idos de 1964 para se entender o que houve no Brasil de 1964-1985. Este país correu sério risco de ser tomado pelo comunismo que ambicionava conquistar o mundo inteiro. Quem despertou a nação foi o Arcebispo de Mariana, Dom Oscar de Oliveira, que escreveu antológica Carta Pastoral intitulada “Comunismo, Religião e Pátria”, datada de 9 de fevereiro de 1964. Foi lida na Câmara Federal em Brasília e despertou os brios dos católicos e dos patriotas em geral. A “Marcha da Família”, no dia 2 abril, no Rio de Janeiro, em ação de graças pela vitória contra a invasão comunista reuniu mais de um milhão de pessoas de todas as classes sociais, de todos os credos, de todos os partidos democráticos. Um ano depois, Dom Oscar escrevia um primoroso artigo sob a epígrafe “Revolução Necessária”. Onde, porém, há os homens, há falhas e, depois, veio a ditadura militar que desvirtuou inteiramente os caminhos da democracia. A Igreja que sempre pugnou a favor da democracia muito sofreu durante este período. Os aparelhos repressivos atingiram de cheio as instituições eclesiásticas, sobretudo universidades e escolas católicas, rádios, jornais. Uma prova disto foi a invasão da PUC/SP a qual estava na vanguarda da pugna pela volta da normalidade política do Brasil. O destemido Cardeal-Arcebispo de São, Dom Paulo Evaristo Arns, participava sempre de todos os movimentos em prol dos direitos humanos. Os estudantes na referida data faziam um ato público do que resultou um confronto com as forças do regime militar. A brutalidade das ações repressivas tiveram um protesto veemente por todo o território nacional. Cumpre, contudo, acrescentar que, por isto mesmo, não obstante as dificuldades, Igreja se configurou como um espaço aberto no qual os arautos da liberdade encontraram um lugar seguro. A Igreja foi uma ilha de excelência num mar de conflitos e arbitrariedades. Nela se agruparam operários, cujos sindicatos eram patrulhados, estudantes e outros grupos atuantes, sob o lema “A verdade vos libertará”. * Professor no Seminário de Mariana - MG