Thursday, September 20, 2007
O administrador infiel
O ADMINISTRADOR INFIEL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A parábola do administrador infiel (Lc 16,1-13) está repleta de preciosas lições. Cumpre observar, inicialmente, que o cerne da narrativa feita por Jesus não está num aplauso da ação profundamente censurável do intendente que, além de malbaratar os bens de seu senhor, ainda o lesa para tornar propício a si mesmo os credores, diminuindo os débitos deles. O que Jesus quer dizer é que, assim como os maus têm notável capacidade para, por caminhos escusos, ganhar amigos, os bons devem ter argúcia para obter vantagens espirituais. Isto, até mesmo, bem se utilizando o cristão de bens materiais, sublimando ações temporais em vistas ao tesouro lá no céu. Deste modo, quem ampara com o vil metal os necessitados, vendo neles a figura do Redentor, ainda que empregando meios materiais e socorrendo o próximo em sua fome, na sua doença e outras indigências, está crescendo em santidade diante de Deus. Dentro desta linha de reflexão quantos, de fato, perdem merecimentos imensos por não saber dar uma aplicação transcendental às menores ações. Foi o que São Paulo aconselhou: "Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Cor 10,31). Quem, pela manhã, tem a intenção de tudo fazer naquele dia para o maior louvor do Ser Supremo e diz isto a Ele, transforma as mais simples ações numa vibrante prece, atraindo os maiores favores divinos. Este será fiel nas mínimas coisas, jamais sendo injusto consigo, com o próximo e com o próprio Deus. Trata-se do cristão que cuida de seu corpo, por ser o templo vivo do Espírito Santo. Entrega-se a seu labor, por vezes, até material, mas com o reto desígnio de estar em tudo a serviço do próximo e o próximo é o próprio Jesus Cristo. Deseja até, honestamente, ganhar dinheiro, mas para poder ajudar os familiares e os mais necessitados. A perfeição do motivo que leva cada um a operar é de vital importância. As atividades ficam impregnadas de uma intenção sobrenatural em função do amor a Deus e ao semelhante. Todos os atos lícitos praticados por quem está em estado de graça são imensamente meritórios diante de Deus, mas os atilados filhos da luz aumentam tal mérito, explicitando o objetivo maior de tudo que faz, qual seja o maior glorificação a Deus e o bem espiritual e material do próximo. Descendo a pormenores, se pode afirmar que, por exemplo, comer para refazer as forças, é um ato honesto que num batizado, isento de pecado grave é meritório. Entretanto, reparar as forças com intenção de melhor trabalhar por Deus e pela salvação dos outros é um objetivo superior que nobilita ainda mais este ato material e lhe confere valor imenso aos olhos do Criador. Os que são espertos espiritualmente colocam até várias intenções na sua ação e aumentam o mérito. Por exemplo, o filho que acata a autoridade de seus pais e lhes obedece cresceu muito perante Deus, mas quem obedece e acrescenta a dileção a seus pais, duplamente, entesourou para o céu. Pode-se até triplicar o merecimento. Assim quem destesta o pecado por ser ofensa de Deus, pode ter também a intenção de praticar ao mesmo tempo a mortificação e a humildade, pedindo sempre o auxílio celestial. Tudo isto é realizado sob a inspiração do Divino Espírito Santo. Este modo de agir leva a uma intensidade ou fervor em tudo que se pratica. Deste modo, se evita o desleixo espiritual e, com toda a energia possível, se utiliza a graça que a cada hora se recebe do alto. A indolência é, assim, banida e até as faltas veniais desaparecem. Enchentes de favores divinos envolvem desta maneira o autêntico cristão, visto que Deus retribui centuplicadamente tudo que se faz por Ele. Vale, de fato, a pena renovar amiúde os esforços com energia e total perseverança. Daí resulta o júbilo de que fala o Apóstolo: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!" (Fl 4,4). Este é aquele que não serve a dois senhores, mas somente a Deus e, para aqueles que amam a Deus. tudo coopera para a sua total felicidade (Rm 8,28).* Professor no Seminário de Mariana – MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A parábola do administrador infiel (Lc 16,1-13) está repleta de preciosas lições. Cumpre observar, inicialmente, que o cerne da narrativa feita por Jesus não está num aplauso da ação profundamente censurável do intendente que, além de malbaratar os bens de seu senhor, ainda o lesa para tornar propício a si mesmo os credores, diminuindo os débitos deles. O que Jesus quer dizer é que, assim como os maus têm notável capacidade para, por caminhos escusos, ganhar amigos, os bons devem ter argúcia para obter vantagens espirituais. Isto, até mesmo, bem se utilizando o cristão de bens materiais, sublimando ações temporais em vistas ao tesouro lá no céu. Deste modo, quem ampara com o vil metal os necessitados, vendo neles a figura do Redentor, ainda que empregando meios materiais e socorrendo o próximo em sua fome, na sua doença e outras indigências, está crescendo em santidade diante de Deus. Dentro desta linha de reflexão quantos, de fato, perdem merecimentos imensos por não saber dar uma aplicação transcendental às menores ações. Foi o que São Paulo aconselhou: "Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Cor 10,31). Quem, pela manhã, tem a intenção de tudo fazer naquele dia para o maior louvor do Ser Supremo e diz isto a Ele, transforma as mais simples ações numa vibrante prece, atraindo os maiores favores divinos. Este será fiel nas mínimas coisas, jamais sendo injusto consigo, com o próximo e com o próprio Deus. Trata-se do cristão que cuida de seu corpo, por ser o templo vivo do Espírito Santo. Entrega-se a seu labor, por vezes, até material, mas com o reto desígnio de estar em tudo a serviço do próximo e o próximo é o próprio Jesus Cristo. Deseja até, honestamente, ganhar dinheiro, mas para poder ajudar os familiares e os mais necessitados. A perfeição do motivo que leva cada um a operar é de vital importância. As atividades ficam impregnadas de uma intenção sobrenatural em função do amor a Deus e ao semelhante. Todos os atos lícitos praticados por quem está em estado de graça são imensamente meritórios diante de Deus, mas os atilados filhos da luz aumentam tal mérito, explicitando o objetivo maior de tudo que faz, qual seja o maior glorificação a Deus e o bem espiritual e material do próximo. Descendo a pormenores, se pode afirmar que, por exemplo, comer para refazer as forças, é um ato honesto que num batizado, isento de pecado grave é meritório. Entretanto, reparar as forças com intenção de melhor trabalhar por Deus e pela salvação dos outros é um objetivo superior que nobilita ainda mais este ato material e lhe confere valor imenso aos olhos do Criador. Os que são espertos espiritualmente colocam até várias intenções na sua ação e aumentam o mérito. Por exemplo, o filho que acata a autoridade de seus pais e lhes obedece cresceu muito perante Deus, mas quem obedece e acrescenta a dileção a seus pais, duplamente, entesourou para o céu. Pode-se até triplicar o merecimento. Assim quem destesta o pecado por ser ofensa de Deus, pode ter também a intenção de praticar ao mesmo tempo a mortificação e a humildade, pedindo sempre o auxílio celestial. Tudo isto é realizado sob a inspiração do Divino Espírito Santo. Este modo de agir leva a uma intensidade ou fervor em tudo que se pratica. Deste modo, se evita o desleixo espiritual e, com toda a energia possível, se utiliza a graça que a cada hora se recebe do alto. A indolência é, assim, banida e até as faltas veniais desaparecem. Enchentes de favores divinos envolvem desta maneira o autêntico cristão, visto que Deus retribui centuplicadamente tudo que se faz por Ele. Vale, de fato, a pena renovar amiúde os esforços com energia e total perseverança. Daí resulta o júbilo de que fala o Apóstolo: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!" (Fl 4,4). Este é aquele que não serve a dois senhores, mas somente a Deus e, para aqueles que amam a Deus. tudo coopera para a sua total felicidade (Rm 8,28).* Professor no Seminário de Mariana – MG