Monday, June 19, 2006
A imaginação e o futebol
A IMAGINAÇÃO E O FUTEBOL
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
O futebol se tornou o esporte mais popular do mundo. Surge então uma questão: como se posiciona um filósofo perante este fenômeno humano. Trata-se de um capítulo da filosofia da arte, pois o futebol é uma realidade artístico- estética.
O belo, segundo Tomás de Aquino, é aquilo que agrada à vista, tendo como ponto de partida a vivência da beleza.
Alberto Magno assinala no próprio belo o fundamento que produz tal vivência, a saber, o resplendor da forma.
A beleza é a forma da perfeição mediante a qual a inteligência expressa, de maneira acabada, o ser na configuração que lhe é peculiar ou em conformidade com a idéia nele entranhada, alcançando assim sua plasmação ideal. A beleza é uma propriedade transcendental de todo ente. O belo estético faz com que as realidades tenham uma proporção com as faculdades intuitivas da inteligência e fantasia do homem, gerando uma sintonia, uma afinidade que partureja a complacência espiritual advinda da maravilha ontológica que flui de cada ente com suas variegadas expressões perceptíveis ao intelecto e à vontade.
O futebol apresenta a beleza com os mais variados matizes. Quem bem observa a movimentação dos jogadores em campo, sobretudo em nossos dias com os recursos cada vez mais sofisticados da televisão, nota que há um verdadeiro balé executado com refinada arte. É o rítmo do futebol que atrai, que fascina. Há uma harmonia em torno de um objetivo que é fazer chegar a bola até as redes adversárias, mas, até lá, a inteligência do jogador, seu malabarismo, a graça com que toca na esfera que capta todas as atenções é algo verdadeiramente sublime. A partida de futebol vai assumindo no decorrer dos minutos que se escoam evoluções que se assemelham a passos de uma verdadeira epopéia.
A tudo isto se acrescente que o futebol arma uma verdadeira disputa entre entes dotados de razão e alimenta a imaginação a qual conduz o assistente aos páramos do delírio. Esta arte executada pelos jogadores tem uma característica que a faz superar as novelas, os filmes, as peças teatrais, ou seja, o ser racional se sente ante algo real. Não se trata de uma mensagem via ações imaginadas por um artista, mas criada, de fato, por vinte e dois protagonistas de cenas imprevisíveis, mas todas elas dotadas de seqüências de gestos bem combinados, associados, que exprimem perfeição e beleza. Tudo que acontece numa partida de futebol é irrepetível, é uma situação única. Eis por que quando o artista da bola é genial ele fixa cenas que para sempre ficam incrustradas na memória dos pósteros. É que uma jogada da mais refinada arte estética produzida por um gênio do futebol é fruto de um juízo prático intuitivo, mas sumamente criativo, só possível a um ser dotado de intelecto, e, no caso, fazendo fulgir um raio ainda mais luminoso desta notável capacidade humana.
O futebol, por outra, é uma linguagem que é entendida pelos homens de todos os lugares e de todas as etnias. Quando então se realiza a chamada Copa do Mundo os homens se sentem ainda mais irmãos, o planeta terra fica mais valorizado, há uma percepção maior do lado espiritual do homem que, através de sinais instrumentais, artificiais, que são os termos orais ou escritos ou as jogadas em campo, atinge as mesmas idéias que não têm pátria, nem cor, nem qualquer outra conotação material.
Tudo isto mostra que o futebol, como arte, tem por causa deste aspecto filosófico uma função humana de profundas repercussões, tanto mais que a arte é mensageira da esperança.
Até Presidentes da República aproveitam a oportunidade para aparecer e se mostrarem também populares.O que aconteceu recentemente entre Lula e Ronaldo, dito “o fenômeno”, foi profundamente lamentável, mas significativo. Os termos foram bem populares: o gordo e o bêbado. Não houve da parte do craque nenhum desrespeito para com o Mandatário supremo da nação, pois ele explicou perfeitamente que não é verdade o que dizem sobre estar ele fora do peso, como não é verdade o que falam a respeito do destempero na bebida por parte do Presidente.
· Professor no Seminário de Mariana – MG
O PODER DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A narrativa da tempestade acalmada por Cristo no lago de Tiberíades (Mc 4,35-41) oferece inúmeras reflexões. A tranqüilidade de Jesus que, adormecido, descansava na parte posterior da embarcação, contrastava, abertamente, com o pavor dos discípulos que duvidavam da providência, do poder e da bondade de Deus. A reprimenda do Mestre foi incisiva: “Por que estás com tanto medo? Como é que ainda não tendes fé?”. É interessante observar que aqueles homens, experts em navegação, se dirigem a quem, humanamente, não tinha nenhuma experiência daquela tarefa.. Paradoxal a atitude deles sob outros aspectos, pois, se de um lado acreditavam que Cristo poderia salvá-los com seu poder divino, a confiança deles estava maculada pelo temor, não era uma fé intrépida. Daí a razão da admoestação que receberam. Por outro lado, Jesus demonstra que é Senhor Onipotente, dado que tinha autoridade sobre o vento e o mar (Sl 65,8; 89,10). Aquela barca na qual Ele se encontrava com os Apóstolos era bem o símbolo de sua Igreja que através dos tempos enfrentaria ventos e tempestades. Ele haveria de prevenir os Apóstolos: “No mundo tereis que sofrer”, mas acrescentaria: “Tende, porém, coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33). Estamos no início do século XXI e continuam a rugir as paixões, bramem as tempestades da impiedade, estrondeiam cataclismos morais, alevantam-se mares de ataques à Igreja, mas as portas do inferno não prevalecerão contra a ela, porque Ele também afirmou: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Esta Igreja mostra sempre aos fautores dos erros que Jesus é quem salva e sua palavra é santa, imutável, universal, eterna e todo-poderosa. É ela que protege e redime, penetrando as consciências, purificando os corações e santificando as almas, tranqüilizando a vida de seus seguidores fiéis. Cumpre ter uma total certeza de que Cristo jamais abandona a sua Igreja e seus seguidores fiéis, mas ele conta com o trabalho apostólico daqueles que são profetas pelo batismo nesta luta contínua contra o mal. Além disto, a agitação violenta da atmosfera que provocou o receio dos Apóstolos é também imagem da procela que, tantas vezes, agita o ser humano, causando-lhe grande perturbação, agitação interior. São as provações que Deus permite para purificar o cristão, revitalizar sua fé e levá-lo a pedir imediatamente o seu auxílio poderoso. Há instantes de adinamia, de desânimo, de abatimento moral ou físico, de profunda letargia. É um estado mórbido psicológico, ocasionado pelas intempéries da caminhada neste mundo. Quanto sofrimento por ocasião da perda de um ente querido, ou quando um médico dá o seu veredicto sobre uma doença grave e, por vezes, incurável, ou diante da triste revelação de que um filho está se drogando ou vivendo longe dos outros mandamentos divinos! No meio do turbilhão, porém, surge então a figura todo-poderosa de Jesus a confortar e a oferecer os meios para se vender a turbulência. Há, por vezes, necessidade de se compreender o silêncio de Deus que parece tardar, mas que nunca falhará. O tempo de agir do Ser Supremo não é idêntico ao do cronômetro humano. De plano, cumpre orar e aguardar confiante a intervenção celeste. Quem entra em pânico e se revolta contra Deus complica definitivamente sua situação e não encontrará a salvação necessária no tempo oportuno. Quem entrega inteiramente suas preocupações a Jesus tudo suporta e sabe que, após a tempestade virá, a bonança. É preciso colocar tudo dentro do Coração amoroso de Cristo e se imergir no amor, na paz e na compaixão daquele que nunca abandona os que nele se apóiam. O Apóstolo Paulo aconselhava aos romanos: “Sede pacientes na aflição, perseverai na prece” (Rm 12,12). Lemos na Carta aos Hebreus: “... vós tendes necessidade de perseverança, para que, após ter cumprido a vontade de Deus, obtenhais o que vos é prometido (Hb 10,36). Paciência, perseverança são ingredientes que não se podem desprezar sobretudo quando ruínas parece amontoarem ao derredor daquele que o céu quer provar, para comprovar sua fé e aprovar sua atitude corajosa. É sabedoria compreender e aceitar que Deus deseja santificar e purificar por meio das provações, as quais se tornam fonte de bênçãos. Quando Jesus está presente na vida do cristão, tudo se torna suave e nada parece difícil, insuperável. Ele sabe transformar as lágrimas em consolações espirituais que enlevam e gratificam. Felizes os que nele encontram seu único refúgio. Nele se depara aquela a paz interior que o mundo não dá. Tal é sempre sua palavra consoladora: “Não se perturbe o vosso coração, nem desfaleça” (Jo 14,27), porque eu estou contigo. *Professor no Seminário de Mariana – MG
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
O futebol se tornou o esporte mais popular do mundo. Surge então uma questão: como se posiciona um filósofo perante este fenômeno humano. Trata-se de um capítulo da filosofia da arte, pois o futebol é uma realidade artístico- estética.
O belo, segundo Tomás de Aquino, é aquilo que agrada à vista, tendo como ponto de partida a vivência da beleza.
Alberto Magno assinala no próprio belo o fundamento que produz tal vivência, a saber, o resplendor da forma.
A beleza é a forma da perfeição mediante a qual a inteligência expressa, de maneira acabada, o ser na configuração que lhe é peculiar ou em conformidade com a idéia nele entranhada, alcançando assim sua plasmação ideal. A beleza é uma propriedade transcendental de todo ente. O belo estético faz com que as realidades tenham uma proporção com as faculdades intuitivas da inteligência e fantasia do homem, gerando uma sintonia, uma afinidade que partureja a complacência espiritual advinda da maravilha ontológica que flui de cada ente com suas variegadas expressões perceptíveis ao intelecto e à vontade.
O futebol apresenta a beleza com os mais variados matizes. Quem bem observa a movimentação dos jogadores em campo, sobretudo em nossos dias com os recursos cada vez mais sofisticados da televisão, nota que há um verdadeiro balé executado com refinada arte. É o rítmo do futebol que atrai, que fascina. Há uma harmonia em torno de um objetivo que é fazer chegar a bola até as redes adversárias, mas, até lá, a inteligência do jogador, seu malabarismo, a graça com que toca na esfera que capta todas as atenções é algo verdadeiramente sublime. A partida de futebol vai assumindo no decorrer dos minutos que se escoam evoluções que se assemelham a passos de uma verdadeira epopéia.
A tudo isto se acrescente que o futebol arma uma verdadeira disputa entre entes dotados de razão e alimenta a imaginação a qual conduz o assistente aos páramos do delírio. Esta arte executada pelos jogadores tem uma característica que a faz superar as novelas, os filmes, as peças teatrais, ou seja, o ser racional se sente ante algo real. Não se trata de uma mensagem via ações imaginadas por um artista, mas criada, de fato, por vinte e dois protagonistas de cenas imprevisíveis, mas todas elas dotadas de seqüências de gestos bem combinados, associados, que exprimem perfeição e beleza. Tudo que acontece numa partida de futebol é irrepetível, é uma situação única. Eis por que quando o artista da bola é genial ele fixa cenas que para sempre ficam incrustradas na memória dos pósteros. É que uma jogada da mais refinada arte estética produzida por um gênio do futebol é fruto de um juízo prático intuitivo, mas sumamente criativo, só possível a um ser dotado de intelecto, e, no caso, fazendo fulgir um raio ainda mais luminoso desta notável capacidade humana.
O futebol, por outra, é uma linguagem que é entendida pelos homens de todos os lugares e de todas as etnias. Quando então se realiza a chamada Copa do Mundo os homens se sentem ainda mais irmãos, o planeta terra fica mais valorizado, há uma percepção maior do lado espiritual do homem que, através de sinais instrumentais, artificiais, que são os termos orais ou escritos ou as jogadas em campo, atinge as mesmas idéias que não têm pátria, nem cor, nem qualquer outra conotação material.
Tudo isto mostra que o futebol, como arte, tem por causa deste aspecto filosófico uma função humana de profundas repercussões, tanto mais que a arte é mensageira da esperança.
Até Presidentes da República aproveitam a oportunidade para aparecer e se mostrarem também populares.O que aconteceu recentemente entre Lula e Ronaldo, dito “o fenômeno”, foi profundamente lamentável, mas significativo. Os termos foram bem populares: o gordo e o bêbado. Não houve da parte do craque nenhum desrespeito para com o Mandatário supremo da nação, pois ele explicou perfeitamente que não é verdade o que dizem sobre estar ele fora do peso, como não é verdade o que falam a respeito do destempero na bebida por parte do Presidente.
· Professor no Seminário de Mariana – MG
O PODER DE JESUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
A narrativa da tempestade acalmada por Cristo no lago de Tiberíades (Mc 4,35-41) oferece inúmeras reflexões. A tranqüilidade de Jesus que, adormecido, descansava na parte posterior da embarcação, contrastava, abertamente, com o pavor dos discípulos que duvidavam da providência, do poder e da bondade de Deus. A reprimenda do Mestre foi incisiva: “Por que estás com tanto medo? Como é que ainda não tendes fé?”. É interessante observar que aqueles homens, experts em navegação, se dirigem a quem, humanamente, não tinha nenhuma experiência daquela tarefa.. Paradoxal a atitude deles sob outros aspectos, pois, se de um lado acreditavam que Cristo poderia salvá-los com seu poder divino, a confiança deles estava maculada pelo temor, não era uma fé intrépida. Daí a razão da admoestação que receberam. Por outro lado, Jesus demonstra que é Senhor Onipotente, dado que tinha autoridade sobre o vento e o mar (Sl 65,8; 89,10). Aquela barca na qual Ele se encontrava com os Apóstolos era bem o símbolo de sua Igreja que através dos tempos enfrentaria ventos e tempestades. Ele haveria de prevenir os Apóstolos: “No mundo tereis que sofrer”, mas acrescentaria: “Tende, porém, coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33). Estamos no início do século XXI e continuam a rugir as paixões, bramem as tempestades da impiedade, estrondeiam cataclismos morais, alevantam-se mares de ataques à Igreja, mas as portas do inferno não prevalecerão contra a ela, porque Ele também afirmou: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20). Esta Igreja mostra sempre aos fautores dos erros que Jesus é quem salva e sua palavra é santa, imutável, universal, eterna e todo-poderosa. É ela que protege e redime, penetrando as consciências, purificando os corações e santificando as almas, tranqüilizando a vida de seus seguidores fiéis. Cumpre ter uma total certeza de que Cristo jamais abandona a sua Igreja e seus seguidores fiéis, mas ele conta com o trabalho apostólico daqueles que são profetas pelo batismo nesta luta contínua contra o mal. Além disto, a agitação violenta da atmosfera que provocou o receio dos Apóstolos é também imagem da procela que, tantas vezes, agita o ser humano, causando-lhe grande perturbação, agitação interior. São as provações que Deus permite para purificar o cristão, revitalizar sua fé e levá-lo a pedir imediatamente o seu auxílio poderoso. Há instantes de adinamia, de desânimo, de abatimento moral ou físico, de profunda letargia. É um estado mórbido psicológico, ocasionado pelas intempéries da caminhada neste mundo. Quanto sofrimento por ocasião da perda de um ente querido, ou quando um médico dá o seu veredicto sobre uma doença grave e, por vezes, incurável, ou diante da triste revelação de que um filho está se drogando ou vivendo longe dos outros mandamentos divinos! No meio do turbilhão, porém, surge então a figura todo-poderosa de Jesus a confortar e a oferecer os meios para se vender a turbulência. Há, por vezes, necessidade de se compreender o silêncio de Deus que parece tardar, mas que nunca falhará. O tempo de agir do Ser Supremo não é idêntico ao do cronômetro humano. De plano, cumpre orar e aguardar confiante a intervenção celeste. Quem entra em pânico e se revolta contra Deus complica definitivamente sua situação e não encontrará a salvação necessária no tempo oportuno. Quem entrega inteiramente suas preocupações a Jesus tudo suporta e sabe que, após a tempestade virá, a bonança. É preciso colocar tudo dentro do Coração amoroso de Cristo e se imergir no amor, na paz e na compaixão daquele que nunca abandona os que nele se apóiam. O Apóstolo Paulo aconselhava aos romanos: “Sede pacientes na aflição, perseverai na prece” (Rm 12,12). Lemos na Carta aos Hebreus: “... vós tendes necessidade de perseverança, para que, após ter cumprido a vontade de Deus, obtenhais o que vos é prometido (Hb 10,36). Paciência, perseverança são ingredientes que não se podem desprezar sobretudo quando ruínas parece amontoarem ao derredor daquele que o céu quer provar, para comprovar sua fé e aprovar sua atitude corajosa. É sabedoria compreender e aceitar que Deus deseja santificar e purificar por meio das provações, as quais se tornam fonte de bênçãos. Quando Jesus está presente na vida do cristão, tudo se torna suave e nada parece difícil, insuperável. Ele sabe transformar as lágrimas em consolações espirituais que enlevam e gratificam. Felizes os que nele encontram seu único refúgio. Nele se depara aquela a paz interior que o mundo não dá. Tal é sempre sua palavra consoladora: “Não se perturbe o vosso coração, nem desfaleça” (Jo 14,27), porque eu estou contigo. *Professor no Seminário de Mariana – MG