Monday, June 19, 2006
A alegria de servir a Deus
A ALEGRIA DE SERVIR A DEUS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Alegria, júbilo, contentamento representam um sentimento humano de bem-estar, euforia, imperturbabilidade, ataraxia, fluindo da paz interna. Antagônica à alegria é a tristeza, a amargura, o desgosto. O verdadeiro gáudio não é revelação exterior de euforia, de gargalhadas homéricas, risadas, mas é um sentir-se bem interiormente, é uma plenitude inefável que toma conta do coração, e faz cada um estar bem consigo mesmo, com o outro e com Deus. O regozijo interior é possível quando se cria espaço para a habitação do Espírito Santo. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é união, é vida, é amor, é o bem supremo, é a beatitude infinda. Somos templos do Espírito Santo, quando estamos em estado de graça, a qual é a participação na vida do próprio Ser Supremo. A Bíblia mostra que a exultação autêntica vem de se estar na presença de Deus. Diz o salmista: “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; porquanto ele está à minha mão direita, não serei abalado. Por isto está alegre o meu coração e se regozija a minha alma; também a minha carne habitará em segurança.” (Sl 16,8-10) , Há, portanto, contentamento somente quando se observam as ordens de Deus. Afirmou Jesus “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.” (Jo 15, 10-11). A alegria é um dos frutos do Espírito Santo, como ensinou São Paulo aos Gálatas. (Gl 5,22-23). Cumpre cultiva-lo e colhê-lo. Devemos ter júbilo, apesar em todas as circunstâncias da existência.. Está, com efeito, em Filipenses: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai- vos.” (Fl 4,4). É mister penetrar fundo no que diz o salmo 22: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”. Daí a serenidade, a tranqüilidade, a calma, a quietação, longe de toda agitação. O gáudio é um retorno da parte do Todo-Poderoso para quem corretamente age no Seu contínuo serviço. Entretanto, o que vem a ser servir a Deus? A resposta é dada por Hugo de São Vitor, numa de suas mais belas homilias:“Irmãos, podemos compreender e declarar o que seja servir a Deus com breves, doces e alegres palavras. Servir a Deus é amar a Deus. Quem não ama não serve, e quem ama serve. Quem pouco ama, pouco serve; quem muito ama, muito serve; e quem perfeitamente ama, perfeitamente serve”. Aquele que possui este fruto do Espírito Santo deve, entretanto, partilhá-lo com os outros. Exemplo disto foi a Mãe de Jesus que, jubilosa com a Encarnação do Verbo de Deus, foi logo comunicar um pouco de seu júbilo a sua prima Santa Isabel. Desde que foi elevada ao Céu, Maria distribui alegrias pelo mundo inteiro, tornando-se a grande Consoladora; a nossa Mãe, que transmite júbilo, confiança e bondade, e que nos convida, também a nós, a anunciar tal contentamento. Invocamos, com razão, Maria na ladainha lauretana como “Causa de nossa alegria”. Deve-se, contudo, transmitir esta alegria de modo simples: com um sorriso, com um gesto de bondade, com uma pequena ajuda, com um perdão cordial, com um obséquio oportuno. Distribuamos gáudio e o júbilo difundido voltará para nós. Procuremos transmitir o contentamento mais profundo, a saber, o de ter conhecido Jesus Cristo, nosso único refúgio nas tribulações da vida. Oremos para que na nossa vida transpareça esta presença da exultação libertadora de Deus. Aqueles que buscam servir ao Senhor não buscam alegrias meramente terrenas, escravizando-se a riquezas transitórias, mas procura por ordem na sua vida num desapego total dos bens deste mundo. Evita os barzinhos da vida, as ocasiões de pecado, se aparta de tudo que pode contaminar a consciência e poluir a mente. Tudo isto porque, realmente, é gratificante servir, fielmente e persistentemente, a Deus pela observância do decálogo, pelo bom exemplo, pela oração sincera, pela palavra oportuna, pela santidade de vida! * Professor no Seminário de Mariana- MG*
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Alegria, júbilo, contentamento representam um sentimento humano de bem-estar, euforia, imperturbabilidade, ataraxia, fluindo da paz interna. Antagônica à alegria é a tristeza, a amargura, o desgosto. O verdadeiro gáudio não é revelação exterior de euforia, de gargalhadas homéricas, risadas, mas é um sentir-se bem interiormente, é uma plenitude inefável que toma conta do coração, e faz cada um estar bem consigo mesmo, com o outro e com Deus. O regozijo interior é possível quando se cria espaço para a habitação do Espírito Santo. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade é união, é vida, é amor, é o bem supremo, é a beatitude infinda. Somos templos do Espírito Santo, quando estamos em estado de graça, a qual é a participação na vida do próprio Ser Supremo. A Bíblia mostra que a exultação autêntica vem de se estar na presença de Deus. Diz o salmista: “Tenho posto o Senhor continuamente diante de mim; porquanto ele está à minha mão direita, não serei abalado. Por isto está alegre o meu coração e se regozija a minha alma; também a minha carne habitará em segurança.” (Sl 16,8-10) , Há, portanto, contentamento somente quando se observam as ordens de Deus. Afirmou Jesus “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.” (Jo 15, 10-11). A alegria é um dos frutos do Espírito Santo, como ensinou São Paulo aos Gálatas. (Gl 5,22-23). Cumpre cultiva-lo e colhê-lo. Devemos ter júbilo, apesar em todas as circunstâncias da existência.. Está, com efeito, em Filipenses: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai- vos.” (Fl 4,4). É mister penetrar fundo no que diz o salmo 22: “O Senhor é meu pastor, nada me faltará”. Daí a serenidade, a tranqüilidade, a calma, a quietação, longe de toda agitação. O gáudio é um retorno da parte do Todo-Poderoso para quem corretamente age no Seu contínuo serviço. Entretanto, o que vem a ser servir a Deus? A resposta é dada por Hugo de São Vitor, numa de suas mais belas homilias:“Irmãos, podemos compreender e declarar o que seja servir a Deus com breves, doces e alegres palavras. Servir a Deus é amar a Deus. Quem não ama não serve, e quem ama serve. Quem pouco ama, pouco serve; quem muito ama, muito serve; e quem perfeitamente ama, perfeitamente serve”. Aquele que possui este fruto do Espírito Santo deve, entretanto, partilhá-lo com os outros. Exemplo disto foi a Mãe de Jesus que, jubilosa com a Encarnação do Verbo de Deus, foi logo comunicar um pouco de seu júbilo a sua prima Santa Isabel. Desde que foi elevada ao Céu, Maria distribui alegrias pelo mundo inteiro, tornando-se a grande Consoladora; a nossa Mãe, que transmite júbilo, confiança e bondade, e que nos convida, também a nós, a anunciar tal contentamento. Invocamos, com razão, Maria na ladainha lauretana como “Causa de nossa alegria”. Deve-se, contudo, transmitir esta alegria de modo simples: com um sorriso, com um gesto de bondade, com uma pequena ajuda, com um perdão cordial, com um obséquio oportuno. Distribuamos gáudio e o júbilo difundido voltará para nós. Procuremos transmitir o contentamento mais profundo, a saber, o de ter conhecido Jesus Cristo, nosso único refúgio nas tribulações da vida. Oremos para que na nossa vida transpareça esta presença da exultação libertadora de Deus. Aqueles que buscam servir ao Senhor não buscam alegrias meramente terrenas, escravizando-se a riquezas transitórias, mas procura por ordem na sua vida num desapego total dos bens deste mundo. Evita os barzinhos da vida, as ocasiões de pecado, se aparta de tudo que pode contaminar a consciência e poluir a mente. Tudo isto porque, realmente, é gratificante servir, fielmente e persistentemente, a Deus pela observância do decálogo, pelo bom exemplo, pela oração sincera, pela palavra oportuna, pela santidade de vida! * Professor no Seminário de Mariana- MG*