Saturday, September 06, 2014

 

Centenário do Côn. Antônio Mendes

“LAUDEMUS VIROS GLORIOSOS” – LOUVEMOS OS VARÕES ILUSTRES (Eclo 44,1) Discurso pronunciado pelo Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho na Câmara Municipal de Viçosa dia 4/09/2014 O concerto eloquentíssimo do júbilo que hoje toma de assalto inúmeros corações em mais esta homenagem a um dos vultos importantes da cidade de Viçosa é uma consagração aos merecimentos daquele cujo centenário celebramos, o Cônego Antônio Mendes. É que as aclamações, a apoteose, são uma dívida consagrada ao mérito e as emoções que ele desperta são tanto mais fortes quanto mais sublime sua origem. As saudações que, neste instante, são entoadas nesta veneranda Câmara Municipal a este ilustre homenageado denotam um ato profundamente bíblico, pois assim, de fato, preceitua o Livro do Eclesiástico: “Laudemus viros gloriosos” - louvemos os varões ilustres - publiquem os povos sua sabedoria e anuncie a Igreja seu louvor - “sapientiam ipsorum narrent populi et laudem eorum nuntiet Ecclesia”. Num preito unânime de justos encômios, todos aqui a avivar-lhe o nome e já os antigos afirmavam: “Laudare dignos, honesta actio est” - louvar os homens dignos é uma nobre ação. Com efeito, haurindo imensa riqueza moral de piedosíssima família, sobretudo de seus virtuosos pais, cujos nomes reverentemente pronunciamos, Antônio Alvim Mendes e Bárbara Simonini Mendes, a santa Da. Bininha, sobre o fundamento desta preciosa herança, patrimônio sacrossanto de ilustres antepassados que burilaram sob os lampejos da fé as mais puras grandezas humanas, soube ele erguer, com a austeridade de uma têmpera inabalável, a imagem viva do autêntico homem de fé, do cidadão prestante, do mestre admirável, ostentando uma cultura invejável e uma dedicação, de fato, inigualável à Igreja e à sociedade. Nunca deixou, continuamente, de lutar de maneira denodada pelo Evangelho, ao qual serviu com fidelidade no ministério sacerdotal, defendendo bravamente os direitos inalienáveis de Deus. Foi estimado Pároco de Alfié, Marliéria e Nova Era, sendo que, posteriormente, graças a seu prestígio político em Viçosa, ele colocou o nome de Nova Era em um dos mais progressistas bairros desta Cidade. Aliás, o que poucos sabem é que foi ele quem, com a anuência do então Pároco, Pe. Carlos dos Reis Baêta Braga, colocou um outro Bairro sob a proteção de um grande santo, Santo Antônio no Cantinho do Céu. Fez-se o pioneiro das Missas naquela comunidade. Em Viçosa foi também o primeiro capelão da então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais e da renomada Universidade Federal e isto durante 35 anos, ou seja, de 1950 a 1985. No decorrer deste longo período foi o Diretor Espiritual da Renovação Carismática Católica e instituidor da Comunidade “Cenáculo do Senhor”, no Paraíso. Fundou a Conferência Vicentina “Santo Tomás de Aquino”, a primeira no Brasil no âmbito universitário, contribuiu para a duplicação da Vila Vicentina, na Rua dos Passos e para construção do Centro Profissionalizante da Sociedade São Vicente de Paulo, na Rua Santana. Idealizou um encontro para os dias de Carnaval, denominado “Rebainho” que se transformou no Seara, um dos mais importantes eventos religiosos de toda a região, acontecimento este sempre prestigiado inclusive com sua presença pelos Arcebispos de Mariana Dom Oscar de Oliveira, Dom Luciano Mendes de Almeida e, agora, por Dom Geraldo Lyrio Rocha. Vice-Prefeito da Cidade de Viçosa, ele foi liderado por sua consciência impoluta e reta. Pensava, falava e agia de acordo com ela. Nos comícios populares jamais traiu a verdade e nunca cedeu às pressões dos poderosos, jamais se curvando aos donos do poder ou a interesses escusos. Promoveu o bem comum, imitando o Mestre divino, o qual, segundo o livro Atos dos Apóstolos, “pertransiit benefaciendo – Jesus de Nazaré passou fazendo o bem” (Atos 10,38). Sempre teve como principal objetivo a valorização do homem pela instrução, destacando-se a fundação e direção de dezesseis Ginásios na Zona da Mata, Estabelecimentos de Ensino que, até hoje, oferecem primorosa educação nos atuais Cursos Básico e Médio. Muitos se lembram de sua presença ilustre em vários desfiles cívicos marchando com garbo e galhardia à frente dos Colégios. Estampava no rosto seu intenso patriotismo e amor a esta urbe que ele tanto soube engrandecer. Nem o mais patriota dos espartanos da antiga Grécia ostentaria tão grande fulgor cívico, Cuidou ainda da saúde da população se dedicando ao Lar dos Velhinhos, tendo muito contribuído para que houvesse em Viçosa o Hospital São João Batista. Aliás, segundo o depoimento do Diácono Professor Dr. Luís Carlos Lopes em antológico artigo no jornal O POPULAR “nas frequentes e históricas inundações da rua D. Gertrudes, por diversas vezes, viu-se obrigado a nadar nas águas sujas do ribeirão São Bartolomeu, para salvar pessoas”. Assim, o Côn. Mendes faz também lembrar Dom Luciano Mendes de Almeida, o qual impressionou durante toda sua vida pela dedicação ao próximo. Célebre a frase deste Arcebispo quando alguém o procurava: “Em que lhe posso ser útil?”. O Côn. Mendes possuía um coração da dimensão do coração de D. Luciano e jamais alguém dele precisou sem deixar de receber sua ajuda fraternal. Acrescente-se que prestou assistência espiritual ao Centro de Treinamento de Professoras Rurais, na antiga Colônia Agrícola Vaz de Mello, no Colégio de Viçosa, no bairro Bela Vista, no Patronato Agrícola, no distrito de Cachoeirinha, onde também celebrava Missas dominicais, muitas vezes na companhia do Professor Luiz Carlos Lopes. Jornalista, fundou com o professor e historiador Pélmio Simões de Carvalho, o jornal Folha de Viçosa, atual Folha da Mata. Destacado Acadêmico da Academia de Letras de Viçosa, teve como Patrono o literato Raul de Leoni. Nem se poderia esquecer que o Côn. Antônio Mendes era Bacharel em Direito e foi um exímio Professor na Universidade Federal de Viçosa nos Cursos de Economia Doméstica, Administração do Lar e do Agrotécnico, do Colégio Universitário e da Engenharia Florestal, lecionando Política, Sociologia, Psicologia, Língua Portuguesa, Ética, Geografia, Legislação Florestal, Administração e Literatura. Navegava com rara sapiência pelos mares das Ciências Sociais nas quais era um expert no pleno sentido da palavra, demonstrando uma maravilhosa profundidade ao lado de uma inigualável versatilidade. Possuía uma cultura polivalente. Era também um amante dos esportes e, segundo o citado Diácono Professor Dr.Luiz Carlos Lopes, nos idos de 1940 ao entardecer jogava tênis com os professores Chotaro, Daker, Vanetti e outros. O Cônego Antônio Mendes se viu continuamente cercado de grandes amigos, pois sabia bem o que diz o livro do Eclesiástico: “Amicus fidelis medicamentum vitae et immortalitatis - o amigo fiel é medicina da vida e da imortalidade”. Não ignorava o que asseverou Aristóteles: “Amicus magis necessarius quam ignis et aqua – Um amigo é mais necessário do que o fogo e a água”, ou seja, não se pode viver sem amigos. Entretanto, não se poderia deixar de ressaltar neste instante, sobretudo, o Diácono Professor Dr. Luiz Carlos Lopes e sua esposa Maria Noêmia, os quais, inclusive, prestaram toda assistência a ele nos longos anos de sua enfermidade, já no fim de sua vida, acolhido que fora sob o teto do modelar casal cristão, exemplo vivo de solidariedade. Deu-se ainda uma vez a realização do famoso ditado latino lavrado por Marco Túlio Cícero: “Amicus certus in re incerta cernitur”. A tudo isto se acrescente que o Côn. Antônio Mendes foi um cultor exímio da Língua de Camões e se expressava num vernáculo digno dos grandes mestres, transmitindo sempre uma mensagem do mais alto nível humano e religioso. Seus pronunciamentos eram vazados num torneio de frase insuperável, fazendo-se êmulo dos maiores clássicos de todos os tempos. Sua prosa escultural rivalizava, de fato, com a dos príncipes da “última flor do Lácio”. O verbo de nosso homenageado despedia entoações largas, estas antíteses, essas rajadas subitâneas, estas imagens ciclópeas que arrebatavam seus ouvintes. O Côn. Antônio Mendes não falava, esculpia. Sua palavra, como um relâmpago, deslumbrava, fulminava! O estilo é o homem já dizia Buffon. A História Eclesiástica revela que, através dos tempos, grandes figuras do clero se serviram de seus talentos para lutar por nobres causas como políticos eméritos. Assim foi, diuturnamente, a ação política do Côn. Antônio Mendes também imerso num transluzentíssimo ideal patriótico, professando a ciência política com P maiúsculo, edificando a sociedade e servindo às comunidades, se erguendo como figura ímpar dada sua valiosíssima parcela de contribuição para a grandeza desta gloriosa cidade. Na alheta do político maior de Viçosa, Dr. Arthur da Silva Bernardes, a quem seguiram Dr. Raymundo Alves Torres, Dr. Carlos Raymundo Torres, Antônio Chequer, José de Carvalho, Carlos Vaz de Mello Megale, Edgard de Vasconcellos e tantos outros, o Côn. Antônio Mendes, realmente, muito fez por Viçosa. Larga folha de serviços à Igreja e a esta Urbe o credencia assim a nossas vibrantes homenagens. Com efeito, dos bons médicos se diz que possuem um notável olho clínico. Côn. Antônio Mendes, como sacerdote e político, sabia diagnosticar os acontecimentos e, por isto, sempre agiu no momento oportuno, atento ao bem comum, sobretudo de sua amada Viçosa. O que superioriza o caráter de um homem é a firmeza de princípios. Ser útil obriga a ser bom; ser bom, leva a ser firme; ser firme, significa ser forte. Daí vem a sabedoria. Com efeito,“attingit sapientia a fine usque ad finem et disponit omnia suaviter” - a sabedoria atinge, pois, fortemente desde uma extremidade a outra e dispõe todas as coisas com ordem. Foi assim que, por longos anos labutou o Cônego Antônio Mendes. Não sem sacrifícios, tanto é verdade que há na gentileza do caráter toda a alteza da abnegação e na alteza da abnegação toda nobreza humana que não se curva jamais diante da injustiça. Ia-lhe sempre a certeza de que a verdadeira medida do agir é a lei sabiamente aplicada: “Juste fit quod lege permittente fit”. Eis porque se impôs pelo serviço aos outros, guardando em tudo uma atitude horaciana, pois do poeta é a advertência que retrata todo bom político: “Aequam memento servare mentem” - lembrai-vos que deveis guardar a alma sempre igual. Isto mesmo quando tinha que verberar veementemente falsos patriotas ou polemizar aguerridamente, corajosamente, com os profetas da mentira. Nas batalhas pela verdade soube sempre verter o melhor entusiasmo de sua alma vibrante. Unia a energia do intelecto com a força do amor à doutrina cristã. Então os sentimentos eram ainda mais vivazes e uma paixão indomável arrasava a falsidade e desmontava aleivosias e inverdades. Por vezes, sempre naquele aprumo de independência com que os intelectuais mantêm intemeratos os foros de sua pujança, apelava para uma ironia lapidada, mortal para quem dela era objeto. Combateu ininterruptamente o poder eticamente promíscuo. Tudo isto, porém, atauxiava, magnificamente, a eficiência de sua conduta patriótica. Deste modo, nunca faltou aos graves assuntos do Estado e da Religião. Como a verdadeira glória lança raízes e se estende - “vera gloria radices agit atque etiam propagatur”, seu trabalho em Viçosa se tornou uma árvore frondosa, patenteando obras formidáveis, sendo que suas belas alocuções foram também os monumentos que ergueu a bem da cultura e da saúde do povo. Cícero com razão afirmou que sempre imprimimos um vestígio na História: “Quacumque enim ingredimur in aliquam historiam vestigium ponimus”. A marca por ele deixada foi aurífera. Tudo que realizou manifesta uma trajetória luzidia. Neste instante histórico como o que vivemos no qual rareia a abnegação pessoal desprendida de alto idealismo e no qual cresce avassaladora a onda do egoísmo; quando um indiferentismo sem norte, por vezes, substitui convicções e os mais altos interesses cívicos e religiosos, é belo e confortador contemplar aqueles que corajosamente, monumentalmente, só intentaram o bem como o Cônego Antônio Mendes. A História sempre reverenciou os beneméritos e, por isto, “semper honos nomenque eius laudesque manebunt – sua honra, seu nome, seu louvor hão de sempre permanecer". A quem realmente, faz parte deste preluzentíssimo exército dos benfeitores da sociedade e impera soberano nas mais formosas províncias do saber, a este é devido, diuturnamente, omnis honor et gloria, como aqui acontece nesta solenidade que se constitui num verdadeiro plebiscito de corações. Assim neste instante, nesta nobre Câmara Municipal, obedecemos ao preceito bíblico “LAUDEMUS VIROS GLORIOSOS” – LOUVEMOS OS VARÕES ILUSTRES (Eclo 44,1).

Saturday, August 23, 2014

 

SEGUIR A CRISTO

SEGUIR A CRISTO Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* O preceito de Jesus:”Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 1624) merece atenção especial. Com efeito, o Mestre divino fala em ir atrás dele e não em imitá-lo. Há formas de imitação que entravam a vida cristã. O desejo de realizar as ações como Cristo no sentido de fazer os mesmos gestos poderia ser até algo descabido. Com efeito, a ordem de Jesus foi que cada um tomasse a sua cruz pessoal, pois a dele Ele levou até o Calvário. Do contrário, os caminhos humanos traçados por Deus para cada um estariam bloqueados e supressas estariam as vocações bem como os perfis caracterológicos de cada um. Além disto, um tal ideal de imitação de Cristo poderia levar a desespero dado que santo e perfeito somente Ele. Cumpre ao cristão seguir o Senhor vivendo a cada hora o que Ele ensinou nas circunstâncias em foi colocado pela Providência divina nas mais variadas tarefas que são a cruz que se deve carregar dia a dia. Os grandes santos chegaram a uma maravilhosa perfeição no seguimento de Cristo dentro dos planos divinos, mas é preciso não traçar grandes projetos e uma forma de vida além dos limites de cada um. Neste caso, seguir a Jesus é fazer de maneira extraordinária as coisas ordinárias, cotidianas da existência pessoal. Deste modo não existe um modelo único a enquadrar o comportamento cristão dada a diversidade de dons recebidos e as qualidades individuais. A vida e os ensinamentos de Cristo, isto sim, vêm sempre esclarecer a conduta do cristão que vai tirando as consequências do que deve fazer. A renúncia à qual o batizado deve se entregar em vistas a conseguir o Reino dos Céus é o esforço diurno no cumprimento do dever. Se alguém pensasse em imitar a Cristo no jejum do deserto durante quarenta dias estaria inteiramente equivocado. De fato, o que lhe é necessário é combater hora a hora tudo que contradiz a vontade divina, vivendo inteiramente cada um dos versículos da oração do Pai Nosso. Grandes proezas não são, por vezes, o mais difícil, mas, sim, por exemplo, desculpar a cada momento o próximo, rezar com atenção as orações, fazer com capricho o dever a ser executado. Seguir a Cristo não é procurar se singularizar em nada, ou seja, no modo de vestir, de se alimentar, nos gestos, na maneira de falar, mas agir com simplicidade e autenticidade. Seguir a Jesus é ostentar uma existência inserida em Deus, consagrada a Ele presente lá no íntimo do coração. Então, sim, gestos e palavras evocarão a maneira de ser de Cristo. O cristão não é um clone de Jesus, ou um magnetofone a repetir simplesmente as palavras do Mestre sem intensamente as viver. O cristão é, antes de tudo e sobretudo, um filho de Deus que aprendeu de Jesus que Deus é um Pai que deve ser amado sobre todas coisas e que todos são irmãos a serem amados e respeitados. Deste modo, o seguidor de Cristo não se desespera quando vê sua vida marcada por fraquezas humanas sem proezas espirituais ou apostólicas que ultrapassam suas possibilidades. É a procura do meio termo, isto é, nada de agitação, mas também longe de todo imobilismo ou conformismo com aquilo que possa não estar de acordo com a vontade divina. Cada um deve carregar a sua cruz apesar de seus abatimentos, de suas fragilidades, nunca, contudo, deixando de lado a luta contra as limitações humanas. Os bons exemplos do próximo devem ser um incitamento a uma vida sempre melhor, mas, necessariamente, não se pode simplesmente querer igualar-se aos outros. Portanto, em síntese carregar a cruz seguindo a Cristo é ter Deus presente a cada instante, todos os passos marcados por Ele, impregnados dele. Deus em nós e nós nele. Então, tudo que o cristão faz tem um valor imenso para a eternidade. Seguir Cristo em tudo quer dizer que não se para na caminhada, mesmo porque esta é determinada pelos projetos divinos referentes a cada um. Jesus aliás deixou bem claro que quando o Filho do homem vier na glória do seu Pai, com os seus anjos, retribuirá a cada um de acordo com sua conduta ( Mt 16, 27). Cumpre então colocar sempre os passos nos passos de Jesus. Há na existência de cada ser humano momentos de indizíveis tristezas. As mesmas lutas que recomeçam cada dia. A maldade que campeia pelo mundo. A morte, as catástrofes e tantas pessoas amadas que se vão, tudo isto causa pesar. Quando tudo externo já não perturba, no mais profundo do ser humano, que turbilhões, que fontes de aflição! È preciso, sobretudo, nestas horas se lembrar da ordem de Jesus: “Se alguém quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

Monday, July 07, 2014

 
JESUS, O SEMEADOR Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* Ao proclamar a parábola do semeador (Mt 13,1-23) Jesus tomou um conjunto de providências. Ele sobe numa barca e se dirige a seus ouvintes reunidos na margem. Sem dúvida, forçou sua voz para que todos O escutassem. Deste modo, as pessoas recebiam palavras lançadas por Cristo, palavras que mostram como a terra ganham os grãos espalhados pelo semeador. Sendo exímio pedagogo, Jesus imediatamente prende a atenção de todos com uma narrativa intrigante mostrando a reação da semente jogada em terrenos diferentes. O semeador é ele mesmo e o coração dos destinatários é a terra onde deve germinar sua palavra que não pode voltar para ele sem resultado como frisou o Profeta Isaías (Is 55, 10-11). Esta palavra cria, fertiliza, faz surgir um entendimento novo sobre o Reino dos céus, dependendo do local onde ela cai. Jesus convida então a um discernimento, a um auto-exame para que cada um se examine que tipo de terreno é. Eis um aspecto importante da vida cristã. O ideal é não ser uma terra insatisfatória, mas a que possua o humo recomendável que, assim, produz fruto cem, sessenta, trinta por um, ou seja, “aquele que ouve a palavra e a compreende”. De plano se pensa logo na Virgem Maria que deu ao mundo o fruto bendito, o Redentor da humanidade. Ela, em seu admirável silêncio, terra fecunda ao sopro divino. Lá no Calvário deparamos com Dimas que ao lado de Cristo recebe dele mensagens decisivas que frutificam na conversão total de sua vida. Ele passa então a conhecer uma nova relação com Deus. Este Deus não faz distinção de terrenos, pois seu amor deve atingir toda a humanidade. A semente cai por toda parte. Cumpre, então, louvar a generosidade absoluta do Semeador que oferece chance a todos. É que quando se ama não se fazem cálculos. Na Bíblia em várias passagens o Ser Supremo assevera: “Eu te amei com um amor eterno”. Na parábola de hoje Jesus fala de quatro terrenos diferentes, correspondendo às atitudes humanas face à semente de Sua palavra. Para que a semente dê fruto não se pode ser terreno à beira do caminho, nem pedregoso, nem repleto de espinhos. Neles a semente não frutifica e Jesus nos revelou os motivos. A terra fértil que acolhe o grão e lhe permite se desenvolver para dar o seu fruto é que devemos ser. Para isto é preciso reconhecer os momentos de nossa vida nos quais o grão é lançado. Neste instante da graça é necessário deixar de estar à beira do caminho, se desembaraçar da dureza do coração e dos espinhos que são as ilusões mundanas. A semente é a Palavra divina contida nas Escrituras. Esta Palavra deve ser meditada para dela se tirar os ensinamentos. Trata-se de se impregnar das mensagens divinas. Entretanto, não se pode reduzir a noção da Palavra de Deus ao livro da Bíblia. Há uma diferença entre ela e a Palavra. As sementes da Palavra não se reduzem aos momentos felizes quando se abre este Livro Sagrado e nele se lê atentamente alguma parte. A Bíblia é o livro da Palavra, mas é um livro e a “palavra divina não está algemada”, como falou São Paulo a Timóteo (2 Tm 2,9). Isto significa que ela deve ser praticada e difundida pelo testemunho de vida, tornando-se assim o cristão um semeador da mesma. Neste caso o que conta é o aquilo que se faz de tudo se apreendeu na Bíblia, isto é, toda a existência cristã cujos atos mostram a eficácia da Palavra. O objetivo da Revelação não foi simplesmente oferecer à humanidade um Livro, mas, através dele, o encontro com Jesus Cristo, o Redentor da humanidade, o Messias prometido. É preciso então acolher a Palavra numa terra fértil, fazê-la germinar e crescer para que ela dê frutos. Estes frutos não são apenas as boas ações, mas ainda anunciar com alegria o Reino de Deus. A dileção ao Criador de tudo e ao próximo é o sinal mais revelador e mais significativo, porque este Reino de Deus é o reino do amor a Ele e ao próximo. Esta dileção deve, realmente, levar a uma evangelização contínua e a uma aclamação da soberania de Cristo. Ser missionário é lançar a semente em todos os terrenos, mesmo porque Jesus quer salvar a todos. Muitos estão longe dele e não recebem a semente de sua palavra em terra propícia, porque presos às ilusões terrenas que impedem o desenvolvimento da graça salvadora. Semear e rezar. Desânimo nunca, porque há seu tempo os frutos aparecerão para glória de Deus e bem das almas. * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

Monday, June 30, 2014

 

ARRIMO SOMENTE EM JESUS


Monday, June 23, 2014

 

O PAPA, SINAL DE UNIDADE

O PAPA, SINAL DA UNIDADE Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* Uma das sentenças mais felizes lançadas na História da foi a de São Cipriano, bispo de Cartago, no século terceiro: “Onde está Pedro, aí está a Igreja”. Através dos tempos o papado vem sendo objeto de tantos ataques dos inimigos da Verdade, exatamente porque querem desestabilizar a Instituição estabelecida por Jesus. Esta, porém, foi edificada sobre uma rocha que é Pedro (Mt 16,18). Ele e seus sucessores, que são os bispos de Roma, são o centro da unidade e da estabilidade do catolicismo. O pontificado romano é uma estrutura decorrente de necessidades básicas, com caráter de total permanência, justamente porque as portas do inferno combateriam sempre a doutrina verdadeira de Cristo, mas deveriam ser continuamente derrotadas (Mt 16,18). O Pastor Supremo, ininterruptamente, está a custodiar a integridade da fé, condenando os erros, mantendo a pureza dos ensinamentos do Mestre divino. Com sua doutrina aclara, nos mais variados contextos históricos, a crença dos cristãos, firmando os princípios da fé e da moral. É certo que todos os apóstolos eram iguais a Pedro, adornados com a mesma participação de honra e poder, mas a força dimana da unidade e a Pedro o primado foi conferido por Jesus, para demonstrar que una era sua Igreja e una a cátedra da veracidade (Jo 21,15-17). Com prodigiosa fecundidade a Igreja se estende na multidão dos fiéis, século após século, exatamente com esta energia de uma invencível unidade em torno do mesmo Chefe, Vigário de Cristo. Assim como muitos são os raios do sol, mas único o astro rei; muitos os ramos da árvore, mas um só tronco fundado em firme raiz, do mesmo modo milhões de batizados, mas uma única Igreja, um único comandante da nave petrina. Muitos arroios procedem de um mesmo manancial, ainda que tenham aumentado seu número com a abundância de água, assim as comunidades católicas se estendem pelo mundo todo, mas tendo uma procedência comum. A Igreja católica conserva, há mais de dois mil anos, uma consistência admirável, uma coerência surpreendente, por causa da conexão com seu Fundador divino através daquele que Ele colocou à frente de seu Rebanho. Com uma fecundidade inigualável estende por toda a terra o Evangelho. Iluminada com a luz do Salvador, difunde seus raios por todo o orbe, mas uma só é a luz que derrama por todas as partes sem se separar da unidade da origem. Com louçania abre seus ramos por toda a terra, uma, porém, é a árvore e, por isto, abundantes em resultados de frutuoso apostolado sua atuação milenar. Esplêndido o sistema de governo eclesiástico exercido pelo Papa. A função petrina do Bispo de Roma se identificou continuamente com o cuidado sobre todas as Igrejas espalhadas nas mais diversas regiões. O Bispo de Roma é a cabeça do Colégio dos Bispos que participa da responsabilidade pela Igreja universal. Trata-se de uma autoridade pastoral na sua finalidade, mesmo quando a forma se manifesta de maneira jurídica e nunca deixou de ser entendida em seu contexto colegial, ou seja, o Papa governa a Igreja com a totalidade dos bispos. O episcopado universal, pelo bem de toda a Igreja, colabora com o Pontífice de Roma em importantes problemas que dizem respeito às igrejas locais. Deste modo há a possibilidade de discernimento no que tange ao que o Espírito Santo diz às diversas comunidades (Ap 2,7). Deste modo os Bispos, unidos ao Papa, defendem nas suas circunscrições a unidade da fé e da disciplina que é comum a toda a Igreja. É o maravilhoso vínculo da unidade, caridade e paz que leva à resolução das questões mais difíceis suscitadas pelas novas conjunturas. Tudo isto mostra uma estrutura sólida a serviço de uma obra salvífica a ser levada a todas as gerações. Quando tantos espíritos levianos combatem o Papa e vozes dissonantes partindo, por vezes, até de dentro da própria Igreja, querem deslustrar o papel do Sucessor de Pedro, cumpre firmar a fidelidade ao sucessor de Pedro. A canonização este ano de São João Paulo II e São João XXIII e a beatificação de Paulo VI em outubro próximo mostram a espiritualidade e sabedoria com que eles guiaram o rebanho de Jesus, como tantos outros seus predecessores. Proclamemos sempre que a Igreja de Cristo é una, santa, católica, apostólica! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

Saturday, June 14, 2014

 

NÃO TEMAIS

NÃO TEMAIS Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho* Por três vezes Jesus falou a seus seguidores: “Não temais” (Mt 10, 26-33). Não se deixar dominar pelo medo é uma mensagem que, aliás, perpassa toda Bíblia. As primeiras palavras do papa São João Paulo II, no início de seu pontificado, foram também estas “Não temais” Aí está a mensagem que se deve bem interpretar, pois angústia existencial; o temor infantil; a fobia de perder os bens, o trabalho, a estima dos outros, uma relação de amor, a saúde, a vida é que devem ser afastados. Nada de ter diante de si um horizonte tenebroso o que leva a sofrer inutilmente. Quando, contudo, Jesus pede para que não se tenha receio ele sabia perfeitamente que no caminhar por este mundo são inevitáveis certas situações que podem atemorizar. A inquietação é uma expressão de um instinto fundamental do ser humano, ou seja, o instinto de conservação. Quando o perigo ameaça alguém ou qualquer coisa à qual se acha apegado surge inevitavelmente a perturbação. Aquele que é totalmente indiferente, ou é ingênuo ou inconsciente. Seria uma pretensão tola, descabida estar alheio às circunstâncias do cotidiano. Cristo, entretanto, ensina mais precisamente que tipo de temor é que se deve ter. Com efeito, ele mostra que não é preciso temer os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma. Ele estava a pregar o temor de Deus, isto é, o medo se afastar definitivamente do Ser Supremo indo parar, após a morte, na geena, no lugar de suplícios pelo fogo e pelos vermes. O temor de Deus é um dos dons do Espírito Santo que, em si, incentiva inclusive o amor divino sem o qual não há felicidade. Assim o temor de Deus é um componente essencial da fé que leva a colocar Deus acima de tudo. Este Deus cujas maravilhas espalhadas pelo mundo ostentam seu poder e sua magnitude. Então quando cada um se sente vulnerável perante qualquer situação menos favorável, deve logo pensar no Ser Todo-poderoso, que é Pai e ama os seus filhos e filhas com um amor eterno, e repousar tranquilamente nas mãos dele. Adora e confia! Então o cristão nada tem a temer, porque está com Deus e Deus com Ele em tudo. É a maravilha que se dá na existência de quem teme o Senhor. Tem-se então uma expressão correta. O fiel não diz “Eu e Deus”, ou “Deus e eu”, mas “Eu em Deus e Deus em mim” e isto em toda parte e já não há o que temer. Se reina no atual contexto histórico o medo e a aflição é porque falta o temor de Deus. Os dois fenômenos estão ligados, dado que mais o verdadeiro temor de Deus diminui, mais a inquietação aumenta, é lógico. Quando se esquece de Deus, se coloca a confiança nas ilusões terrenas, em coisas aleatórias que não satisfazem nunca os mais recrescentes anelos do ser racional. Como expressa belo cântico: “Segura nas mãos de Deus e vai!”. Trata-se da segurança absoluta, da libertação de todas as agitações. O cristão repete com Davi: “Com Deus faremos proezas”(Sl 60,12)! Portanto, Jesus tem razão: “Não tenhais medo”! Todos os obstáculos serão vencidos. Como ensina o salmista, “não te inquietes” (Sl 36,8). Nada de temer o julgamento dos homens. Nada de temer o futuro, pois Deus é Pai e Providência, nada deixa faltar a quem nele espera, desde que cada um faça de sua parte. Nosso advogado é Jesus, justo juiz a quem se podem entregar todas as causas. Deste modo, a mensagem que deve ecoar no íntimo de cada coração é de esperança, pois, "não pode ser triste coração que ama a Cristo”! Além disto, diante das dissidências religiosas, do indiferentismo, da descrença, dos ataques à Igreja nada de pessimismo, pois ontem, hoje, amanhã e sempre as invectivas do inferno se lançarão contra ela, mas esta Igreja tem a promessa de seu Fundador de que as forças do mal não prevalecerão jamais. O erro nunca terá a última palavra. Nas tempestades de nosso tempo, há, porém, muito esplendor na história da Igreja e são inúmeros os católicos que sem temor se entregam alegremente, com ardor e dinamismo, a uma evangelização proficiente, a começar pela sua própria santificação. Fixemos o conselho do Mestre Divino: “Não temais”! O Espírito Santo habita dentro do coração de cada um e Ele ajudará sempre a vencer os medos e todos marcharão com passo seguro nos passos de Jesus! * Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.

Saturday, June 07, 2014

 

UM SÓ DEUS EM TRÊS PESSOAS


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